Capítulo 4.2

2705 Palavras
— Nikolai, Para de inventar essas histórias! Para, por Jesus. - Ethan implora. - Eu não te conheci em nenhum lugar, eu não fui humano, para de ficar inventando historinhas fantasiosas em sua cabeça, e querendo que eu acredite nelas! Eu nunca fui um ser humano, Nikolai LeBlanc, e mesmo que fosse, eu me recusaria a viver uma vida perto de você, Você é um monstro! - O anjo gritou enfurecido. — Eu não estou inventando nada, Ethan! - Nikolai gritou. - Eu estou a mais de 200 anos atrás de você, tentando sempre, e sempre falar com você, resolver o nosso passado! Eu dei de tudo para você ficar bem! Eu dei de tudo para me encontrar com você! É tão difícil você entender que eu continuo te amando para c*****o?! - Nikolai perguntou se levantando, e empurrando o pequeno banco de madeira no chão. - Eu dei a minha alma para você ficar bem, e você me trata assim! — É tão difícil você entender, que eu não sou a pessoa que você procura?! Eu não tive uma vida Nikolai LeBlanc, eu nunca vou te amar, e eu nunca te amei, é tão difícil você entender isso?! - Ethan respirou fundo. - Você é apenas um demônio, demônios mentem, destroem, é isso que você quer? Me destruir? Eu sou apenas um anjo que nasceu no Rio de Lete dos reinos dos céus, eu nunca... Nunca chegaria perto de você sendo vivo... - Mesmo que essas palavras machucassem Nikolai, ele arregalou os olhos ao ouvir "Rio de Lete". Lete é um dos rios do Hades, e um dos rios que Deus havia tomado posse em seu reino. Aqueles que bebessem de sua água ou, até mesmo, tocassem na sua água experimentariam o completo esquecimento. Lete é também uma das náiades, filha da Deusa Eris, senhora da discórdia, irmã de Algea, Limos, Horcos e Ponos. — Sim, Ethan, eu sou um demônio e destruo tudo em que encosto, mas cai entre nós, quem está lhe destruindo não é um demônio, é o seu Deus tão bondoso, não é? - respondeu em um tom irônico. - acha que eu não vi você chorando de dor? Acha que eu não vi suas penas caindo? - ele aproximou seu rosto do rosto de Ethan. - Quem está te matando é o seu Deus, e dessa vez... Eu farei questão de sentir prazer em lhe ver morrer lentamente, não irei mais invadir o paraíso para te ver, e eu não vou mais.... Salvar você. - Nikolai falou em um tom raivoso e tratou de sair dali o mais rápido possível, o anjo ficou totalmente confuso com as palavras do obsessor, as vezes parecia que ele estava dizendo um enigma mais difícil do mundo, Ethan nunca conseguia entender, tinha plena certeza desde a primeira vez que viu Nikolai a muitos anos que o obsessor estava totalmente enganado, e que ele não era a pessoa que Nikolai tanto ansiava. - Eu ainda serei o pecado que você tanto desejará. - O demônio sussurrou suas últimas palavras como se fosse um juramento. Yuri estava recolhendo as bolas de vôlei, ele havia acabado de jogar uma partida, então tinha que guardar as bolas que havia pegado. Assim que entrou na sala de materiais, ouviu a porta da sala se fechar com força e em seguida a tranca sendo fechada. O garoto deixou as bolas que segurava no chão e olhou assustado para a porta. — Nikolai, é você? - perguntou em um sussurro assustado. - Ethan, é você? - o garoto deu alguns passos para trás assustado. - isso não tem graça! - Exclamou em um sussurro assustado querendo fugir para o mais longe dali. Em poucos segundos viu o chão pegando fogo, o fazendo correr até o extintor de incêndio que ficava na parede para casos de emergência, quando ele voltou a olhar para o fogo a chama ganhava uma forma de um corpo feminino que aos poucos ficava cada vez mais nítido de se ver. Era uma mulher alta com cabelos ondulado ruivo, trajando um vestido colado longo arrastando pelo chão de cor vermelha como sangue. Seus lábios cheios e vermelhos de forma natural, com um sorriso tão gentil, mas como Yuri estava assustado parecia um sorriso tão perverso. Em sua cabeça havia uma coroa brilhante de prata com um cristal desconhecido em seu topo. A mulher começou a se aproximar de Yuri e o mesmo começou a se afastar, ele queria clamar por ajuda, mas parecia que ele estava sem voz suficiente para isso. — Q-quem é você? - o moreno perguntou assustado. — Eu sou você, não está vendo? - a mulher perguntou irônica de uma forma brincalhona. — Você é uma obsessora? - Yuri volta a perguntar tentando se acalmar e entender a situação a qual estava. Com certeza esse não era o seu mês. — não, mas você não deve se preocupar com quem sou eu. - ela sorri de forma gentil. - pode se acalmar, eu não vim lhe fazer m*l. A mulher olhou para Yuri, olhando fixamente em seus olhos e soltou um suspiro de certa forma aliviado. A ruiva se aproximou e tocou o rosto de Yuri segurando seu rosto entre suas mãos, dando um leve beijo na testa de Yuri. - Pobre criatura... Você sofreu tanto. - ela acaricia o rosto de Yuri e ele o olha confuso. - você aguentou tanto sofrimento sozinho... Eu espero que quando você morrer, você possa descansar em paz... E que eu possa cuidar de sua alma. - ela disse suspirando, mas Yuri arregalou os olhos assustado. — como assim? Eu vou morrer? - Yuri perguntou assustado. — vai, claro que vai, bobinho. Você é um humano, humanos são fadados a morte. Ankou que ceifa as almas de humanos, e levam elas para os lugares de sua crença e se elas devem ir para lá, esse não é o meu trabalho, bebê. Farei questão de fazer ele ser gentil com você quando chegar sua hora, mas não é por agora que ele virá para você, acho que você ainda tem muitos anos, muitos mesmo, não sei, irei ver isso depois. - A mulher fala sem parar em seguida ela sorri recuperando o folego. - Você é tão bonito, eu sabia que você seria assim. A sua alma era tão bonita antes de você se perder. - Yuri a olha confusa. — O que? Como assim? - Yuri franze o cenho. — então... - A mulher sorri envergonhada e coloca uma mecha de cabelo atrás de sua orelha. - você só está vivo por um errinho meu, haha... - ela ri sem graça e mostra seu colar para Yuri. - está vendo esse colar? - ela aponta para ele ainda rindo sem graça. — estou... - Yuri a responde tentando entender. — Nesse colar há, como posso lhe explicar? Hm... Fragmentos de almas, e esses fragmentos de almas são minhas recompensas por cada contrato feito com humanos em seus leitos de morte, ou ainda vivos. - ela sorri explicando. - existem milhões de almas dentro desse colar. — e o que eu tenho a ver com isso? - O garoto continua confuso. — parte da sua alma, vem de um desses fragmentos... - ela sorri. - por um descuido meu você de certa forma acabou escapando e foi parar nas mãos de... - ela faz uma careta de total desgosto. - Bom, você o conhece como Deus... ou seja lá como vocês o chamam agora. - Ela suspirou. — olha, moça.... Senhora? Senhorita... Anda acontecendo muita coisa em minha vida, e eu não preciso de mais algo para simplesmente me deixar confuso... Quem é você? E o que você veio fazer aqui? - Yuri perguntou suspirando. — Você pode me chamar de Lili, fofinho. - ela sorri. - e uma das "pessoas" que fez um contrato comigo acabou ficando m*l. - ela sorri e coloca a mão em frente ao seu coração. - ele acabou machucando seu coraçãozinho... De novo, e eu vim apenas o acolher, é o mínimo que eu posso fazer por ele, mas antes eu queria lhe ver, achava que você era novo de mais para lidar com essa coisa de plano físico, espiritual, anjos, essas coisas.... Mas agora eu pude ver que acabei chegando tarde de mais para poder te ajudar quando precisou. - ela sorri fraco de forma triste. - Eu devo ajudar um filho meu. - ela beija a testa de Yuri novamente e se afasta. - Se cuide bem, viu? - a mulher desejou guardar Yuri dentro de um potinho e cuidar dele até não aguentar mais. Em segundos uma chama enorme cobriu a mulher e em seguida desapareceu. Yuri se segurou em uma prateleira para não desmaiar, e ao mesmo tempo se perguntava onde estava seu anjo da guarda, essa não era a tarefa do anjo? o proteger. Ele se sentou no chão e viu o anjo passar pela porta e se aproximar de forma apressada, a entidade se agachou em sua frente e colocou a mão em seu peito trazendo uma sensação de calmaria e frescor. — Yuri o que aconteceu? - Ethan perguntou o olhando. - Seu coração está batendo tão rápido, quem estava aqui? - perguntou aflito, ele sentia que havia falhado mais uma vez. — porque você não veio logo? - Yuri perguntou quase chorando. - eu estava com medo, eu estava assustado, eu achei que você viesse me ajudar, eu achei que você viria me proteger. - O garoto admitiu enquanto tentava se acalmar. — E-eu.... Eu senti que você precisava de ajuda, mas tinha uma áurea tão forte vindo daqui de dentro e... - Ethan se perdeu em sua fala. — E você ficou com medo. - Yuri terminou a fala do anjo ao perceber o que havia acontecido. — eu não fiquei com medo! - O anjo praticamente gritou. — ficou sim... - O garoto riu baixo e o anjo sorriu o acolhendo para poder o tranquilizar com as poucas habilidades que tinha. Ethan não era o Anjo mais forte, ou um guerreiro por mais que ele lutasse suas próprias batalhas, Ethan não era o anjo mais inteligente com habilidades místicas invejáveis, Ethan não era o anjo mais habilidoso em música, Ethan não era o anjo com maior senso de justiça, Ethan não era um dos anjos mais poderosos do reino dos céus, Ethan não era o anjo que Deus mais amava. Ele é a p e n a s u m a n j o. E ele sabia disso. Ele tinha total noção disso. Ele sofria por isso. Sabia que sofreria por cada fa a lha. a Com cada erro. Com cada erro. Com cada erro. A cada erro. Ele sofreria. Ele sente medo. Apenas... M E D O Ethan estava com seu espírito ligado a alma de Yuri, e sofreria por cada pecado que ele cometesse e por cada ferimento que ele tivesse. O anjo se cansava ao usar as poucas habilidades que ele tinha, como curar ferimentos pequenos de alguém, no caso agora acalmar Yuri. Após alguns minutos Nikolai entrou na sala, e destrancou a porta como Lilith havia pedido para o homem, ele acabou vendo Yuri dormindo no colo de Ethan, e Ethan com a mão no peito do garoto. Ele apenas suspirou e passou a língua em sua bochecha ainda tentando se acalmar, Lilith já havia conversando com ele e o ajudado, ele já estava bem mais estabilizado do que antes de qualquer forma. Colocou a mão em seu bolso e pegou dois colares, ambos colares eram de prata com um pingente de um cristal azul escuro em um formato de triângulo, Lilith disse para o mesmo que lhe daria novos mais tarde, e que esses eram temporários. — Toma. - Nikolai jogou um colar para Ethan e o mesmo segurou para não atingir o rosto de Yuri. - A rainha Lilith mandou lhe entregar um. - O olhou de forma totalmente severa como se quisesse o culpar de tudo que acontecia em sua suposta vida. — O que é isso? Porque eu aceitaria o presente de um demônio? - Ethan perguntou de forma firme e Nikolai suspirou. — esse colar nos da um corpo físico, usando ele o Yuri não seria tratado como louco por andar conversando "sozinho". - ele guardou outro colar. - assim você pode ficar mais perto do humaninho, mas se você não quiser pode me dar de volta. - Disse sem expressão alguma. Ethan apenas negou e guardou o colar em seu bolso, ele estaria fazendo isso pelo bem do humano, certo? Ou isso seria considerado um pecado? ele não sabia a resposta, mas algo do fundo de sua alma gritava para ele aceitar o presente, da mesma forma que ele sentia um grito silencioso da mesma pedindo por mais toques de Nikolai. Ao fazer isso ele sentiu uma facada em suas costas, aceitar o presente, e em seguida algumas penas de suas asas sendo arrancadas de forma bruta lhe causando uma dor que nem um anjo gostaria de sentir. Era como se cada parte de seu frágil corpo estivesse quebrando, e sendo estilhaçado em mil pedaços, seus ossos pareciam que havia sido esmagados por um colosso e em seguida dado aos porcos para os animais se alimentarem de si. A dor era causada por suas penas que haviam caído, essa era a punição dele, parecia que ele tinha perdido toda sua asa, mas não, Ele apenas perdeu três penas. Apenas Três Penas Por ele apenas ter aceitado. Aceitado o presente de Nikolai e Lilith. Ambos ouviram a porta abrir e viram a figura de um garoto suado rindo, ele olhou diretamente para Yuri e apenas riu ao ver o garoto supostamente dormindo. Pegou as bolas de vôlei que estavam no chão e guardou as mesmas, ele se aproximou de Yuri e os espíritos ficaram atentos a cada passo que o garoto dava, ambos achavam totalmente estranho qualquer pessoa que se aproximasse do garoto, já que ele vivia uma vida totalmente isolada. — Yuri? Dormindo de novo? - O garoto ri enquanto saltitava. - Fala sério, você só sabe dormir, hein. - O garoto começa a ajeitar a sala. - sabe, recentemente minha mãe achou fotos de nós dois quando éramos crianças. - o garoto sorriu. - eu deveria tirar uma foto sua agora dormindo, assim ela pararia de falar que você faz mais coisas que eu.... Eu ganho de você no vídeo game, fala sério, há algo melhor do que isso? - Ele perguntou em um tom brincalhão. — Esse garoto é doido? - Ethan perguntou baixo, o garoto estava conversando sozinho, quem que faz isso? — tenho certeza que sim, ele fica falando sozinho... Eu hein. - Nikolai fez o sinal crucifixo para o garoto que estava arrumando a sala. — me desculpa. - Ethan pediu baixo de repente, enquanto dava um olhar rápido para Nikolai e em seguida desviou o olhar. — o que? - Nikolai o olha confuso, não havia entendido o que Ethan disse. — Nada. - ele se calou. — Pronto... Acho que já escondi tudo aqui, ninguém vai perceber que eu não arrumei nada. - o garoto vai até Yuri. - fala sério, Yurie, eu não arrumo nem meu quarto, porque eu iria arrumar algo da escola. - o garoto diz e pega humano no colo. — você fala de mais, Tete... - Yuri murmurou baixo abraçando o pescoço do amigo. — e você dorme de mais, sabia que você não estava dormindo, Yurie. - ele ri baixo. - e me chama de Tete para ver se eu não lhe lasco um beijo. - Taeyang diz rindo brincando, enquanto ajeitava Yuri em seus braços. — Blerg, deixa de ser nojento, Tete... E me leva para longe desses dois briguentos. - Yuri diz sonolento. — dois briguentos? - Taeyang o olha confuso. - já desisti de te entender, sonhou com quem brigando? - perguntou saindo da sala o carregando. Ethan e Nikolai ficaram parados pasmos olhando para aquela cena, e tentando raciocinar que tipo de relacionamento os dois tinham. Eles se olharam e em seguida a sala escureceu ao ter a porta fechada. Eles ficaram ali... sozinhos.
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