Maris segurava o livro como quem sustentava um tesouro sagrado. Seus olhos percorriam as linhas da segunda pergunta, e ela a leu em voz alta, com a entonação de quem estava se dirigindo à própria alma. — “O infinito existiu desde toda a eternidade, como Deus, ou é obra sua?” Ela fechou o livro suavemente e olhou para a mãe, com humildade nos olhos. — Mamãe... a senhora pode me explicar essa também? Eu acredito que a senhora vai ter que me explicar tudo... até que eu consiga entender. Estou percebendo que não sei nada. Eu só... vivi. Só existi. Mas agora eu quero aprender a viver com sentido. A mãe sorriu, serena, e segurou a mão da filha com firmeza e ternura. — Esse, minha filha, é o verdadeiro alimento do espírito. Muito mais do que pão e água. E eu estou aqui como uma missionária.

