Oriana
Ela chegou à matilha uma hora antes do horário previsto. Não apenas havia concluído seu trabalho, mas o completou com facilidade e tempo de sobra. Seu irmão, que se dane. Ori devolveu o carro a Lindal com o tanque cheio de gasolina como se tivesse pego emprestado, e sorriu para ela. — Cheguei rápido.
— Você chegou, mas não vai gostar do que tenho a dizer. — Ela suspirou e devolveu as chaves do carro para Ori.
— Legal, o que ele fez? — Perguntou Ori simplesmente.
— Nada que coloque a vida em risco. Provavelmente não quis arriscar Slade se machucar. Apenas algo para fechar sua janela de tempo. Um vazamento lento no pneu traseiro, então você teria chegado, sei lá, a um quarto do caminho, talvez até a metade, antes de furar um pneu.
— Apenas um pneu furado? Isso se resolve facilmente.
— Sim, se você tivesse um estepe funcional. Não foi ele que furou além do reparo, então até você chamar um guincho e substituir um pneu ou dois, o que poderia levar horas lá fora, no mundo dos humanos, você não teria chegado em casa a tempo. Provavelmente, nem teria levado Slade ao Colégio Alfa a tempo também.
— Certo, então, independentemente, eu teria falhado. — Murmurou Ori.
— Sim — Lindal assentiu. — Ele realmente quer seu título e posição, não é?
— Parece que sim. — Ori assentiu e entrou em seu Nissan. — Obrigada por me avisar. — Disse, antes de dirigir até a sede da matilha em seu carro, onde o havia deixado.
Ori sorriu diretamente para o irmão ao sair do carro, ele estava lá esperando ao lado de seu pai, Anders. Seu pai acenou para ela. — Bom trabalho, garota. — Disse simplesmente. Hayden, por outro lado, parecia mais do que irritado com seu retorno antecipado.
— Você estava em alta velocidade, filha?
— Talvez apenas um pouquinho. Consegui pegar todos os sinais verdes. Slade chegou cedo, e eu voltei dentro do prazo estabelecido.
— Você fez. — Ele sorriu para ela.
— Nada deu errado. — Ela cantarolou feliz. — Mas estou exausta, foi uma longa viagem. — E foi. Eles saíram às 8h, e agora eram 20h, e ela não havia dormido muito na noite passada. Ela estava realmente cansada.
— É de se esperar. Vá descansar um pouco. — Seu pai disse a ela.
Ela passou direto por Hayden. — O que houve, irmão, achou que eu falharia em minha missão? — Ela sorriu para ele. — Isso não vai acontecer. Papai me disse para planejar para todas as contingências. E eu fiz, todas elas. — Em seguida, virou, dirigiu-se para dentro e subiu para sua suíte.
Ela tomou banho e se acomodou em sua cama, pelo menos seu corpo não doía mais, e ela não precisava mais se preocupar em lidar com Slade. Embora não soubesse como seria quando tivesse que voltar e buscá-lo em um mês.
Ela pretendia apenas deixar pra lá e fingir que nunca aconteceu, tinha um mês inteiro para descobrir como agir normalmente perto dele. Talvez já estivesse superado e pudesse apenas ser ela mesma, sem constrangimentos com ele.
Ela tinha muitas coisas aqui para ocupá-la e ajudá-la a esquecer, então isso era sempre bom, e com ele não estando aqui para lembrá-la todos os dias ou fazer perguntas sobre aquela noite, era provável que ela conseguisse apenas deixar pra lá.
Também havia uma lua cheia daqui a dois dias, sua primeira desde que completou 18 anos, um grande acontecimento para a maioria dos lobos, a primeira vez que sentiriam e poderiam farejar seu Par, se o tivessem aqui na matilha.
Muitos lobos estavam ansiosos para encontrar seu Par, mas quem se junta aos 18? Raramente acontecia. Uma ou duas vezes por ano. Ori não achava que teria tanta sorte, sua vida aqui, embora tenha sido bastante tranquila em sua maior parte, uma infância divertida e agradável.
Ela sempre teve Hayden no fundo, pegando em seu pé, tentando tomar o que era dela. Ela tinha que lutar para manter tudo o que tinha. Para ser a futura Beta desta matilha, ela sentia que tinha que lutar todos os dias às vezes, para manter o que era seu direito de nascença, sendo a primogênita na linhagem de Beta.
Ela deixou isso pra lá e permitiu que o sono a consumisse. Dormiu como uma pedra até o alarme despertar às 5h, dormiu sólidas oito horas e meia. Levantou-se e se vestiu, toda animada. Até deu saltinhos ao andar.
Talvez estivesse apenas cansada e m*l-humorada, estressada ontem com tudo o que aconteceu. Ela se sentia muito mais ela mesma esta manhã. Pegou uma banana e água, e seguiu para o campo de treinamento. Foi a primeira a chegar e balançou a cabeça para Palmer e Yuri quando estes se aproximaram correndo.
— Dormiram demais, meninos? — Ela perguntou com um risinho. — Punição por atraso: cinco voltas, sem ajuda de lobo. Vão lá, agora. — Ela sorriu para eles, estava no comando, sem Slade ali. Ele normalmente mandava fazer dez voltas como punição por atraso. Todos odiavam isso.
Ela, entretanto, tinha um ano inteiro para fazer os meninos gostarem dela no comando do treinamento, gostar um pouquinho mais do que do próprio Alpa deles. Ela os viu rir. — Ah, estão brincando de bonzinhos, é isso? — Palmer sorriu para ela.
— Vocês vão me amar mais que ao Slade e, até o final do ano, vão achar que ele é muito rígido. Eu sou uma beleza. — Ela piscou para eles e até se juntou a eles nas cinco voltas, algo que Slade não fazia.
Ela ia treiná-los com firmeza, como Slade fazia, e faria as horas também, mas haveria um pouco de diversão incluída. Slade era todo Alfa aqui no campo de treinamento e, honestamente, não era necessário. Desde que treinassem e aprendessem, desenvolvessem as habilidades que já tinham, estava tudo bem.
— Você está de bom-humor. — Yuri sorriu para ela.
— Dormi como uma pedra. Estou super acordada e animada. — E ela realmente estava. — Também venci meu irmão em seu próprio jogo.
— O quê? — Ambos perguntaram com uma leve franzida de sobrancelha.
— Não se preocupem. — Ela sorriu. — Vamos lá, meninos, acelerem. Isso aqui é punição. — Disse a eles e correu à frente para que a seguissem. Ela era rápida até mesmo sem o China, gostava de ter aquele sangue Beta puro, o que lhe dava uma vantagem sobre os dois.
Eles fizeram as cinco voltas e, em seguida, a corrida regular ao redor do perímetro da matilha em plena velocidade de lobo. Ela realmente gostava de ser capaz de vencê-los. Eles podiam ser mais altos e maiores, mas o China era mais rápido. Além disso, também não queria ficar grande e musculosa como eles, como a maioria dos Betas era. Ela não precisava disso.
Seus pais eram de sangue Beta, e ela era, devido a isso, uma loba de sangue Beta puro. O China, na verdade, era mais rápido na forma de lobo do que seu próprio pai. Apenas o Alfa e Slade conseguiam realmente alcançá-lo. Embora ela não pudesse realmente alcançar nem o Alfa Roman, nem Slade, embora tivesse tentado muitas vezes, como o China, isso frustrava um pouco sua loba que eles podiam se distanciar dela.
Não muitos conseguiam superar um lobo Alfa, ela sabia disso, e o China conseguia acompanhar, assim como também Palmer e Yuri, mas Slade conseguia e frequentemente apenas avançava à frente deles e vencia em tudo.
Eles retornaram ao campo de treinamento, e seu pai e a Unidade Alfa estavam todos lá com Hayden ao lado deles. Isso arruinou seu bom-humor instantaneamente. O garoto estava vestido para o treinamento. Ela e os meninos foram chamados e informados de que, já que Slade não estava ali, precisavam de um quarto m****o para o treinamento em grupo e Hayden seria esse m****o.
Aquele dia, eles treinariam juntos e colocariam Hayden nas tarefas completas do treinamento da Unidade Alfa. Ela não gostou, não o queria em seu grupo e, em menos de uma hora lá, ele estava tentando impor sua vontade e dizer a ela e à unidade que treino eles deveriam fazer.
Ela o deteve rapidamente e lembrou a ele que ela era a futura Beta de fato, e ele era apenas o segundo. Que ele estava ali para aprender e não estava no comando de nada. Ele a encarou de frente e disse que ela veria, que seria seu trabalho, e ela precisaria aceitar.
Alfa Roman ficou entre eles e enviou Hayden de volta para a sede da matilha, quando ele rolou sua aura para ela tentando mostrar que era mais forte. — Desculpe, Ori. — Ele murmurou.
— Vai ser assim o tempo todo. — Ela disse a ele, porque sabia que seria.
— Ele vai se acalmar, está apenas ansioso para ser o Beta. É só isso.
— Ah, eu sei disso. — Ela murmurou, depois que todos foram dispensados, e ela sabia. Também entendeu que se dependesse de seu pai e não de Slade, ela seria a segunda e Hayden seria o futuro Beta, mesmo que ela fosse a primogênita.
— Não se preocupe, Ori, você é a escolha de Slade para Beta. É a escolha dele de quem será sua Beta, você sabe disso. — Palmer disse a ela.
— Eu sei. — Ela murmurou, e sabia. Slade poderia escolher quem quisesse quando voltasse do Colégio Alfa. Mas ela ofendeu gravemente aquele homem, seu futuro Alfa, a maior das ofensas. Talvez tenha queimado a ponte, arruinado o próprio futuro. Ela só podia esperar para ver quando ele voltasse para casa.
O treinamento naqueles dias foi um pesadelo. Hayden estava constantemente tentando falar mais alto do que ela e menosprezá-la, tentando comandar o treinamento. Ele não tinha ideia de como fazer isso. Nunca tinha treinado com Slade e os garotos como uma unidade, e não entendia como eles faziam as coisas.
Isso a irritou tanto que ela simplesmente o socou em um ponto com toda a força, e realmente o feriu, se meteu em apuros por isso e o castigo foi meio dia nas celas. Isso foi no dia da lua cheia, para completo desapontamento de sua mãe e pai.
Ela, no entanto, foi liberada com apenas uma hora antes do pôr da lua, e sua mãe basicamente a agarrou e a levou correndo para a sede da matilha. Onde ela foi empurrada para o chuveiro, saiu para encontrar um vestido pronto para ela e sua mãe disse para se apressar e se arrumar.
Ori realmente não se importava muito, não queria vestir aquele maldito vestido extravagante e parecer toda garota como sua mãe estava fazendo ela ser para aquela, a primeira lua cheia após seus 18 anos.
Ela foi praticamente arrastada para a sala de baile, onde um bando de lobos recém-transformados de 18 anos, sete deles, estavam todos arrumados e de pé, incluindo Lindal.
— Vejo que você chegou. — Lindal riu para ela.
— Prefiro estar nas celas do que nisso. — Ela murmurou, puxando a saia esvoaçante de seu vestido. Era demais, um vestido de chiffon na altura dos joelhos, decote em V, com um corpete ajustado que tinha pequenas pedras brilhantes sob os s***s e ao redor de sua cintura natural. Era muito formal e, embora, sim, bonito, não era o que ela teria escolhido por si mesma.
Ori sentiu a lua se pôr e não houve nada, nenhum indício de um Par. Ela quase desabou de alívio e ouviu apenas uma pessoa rosnar a palavra “Minha”, e não veio de nenhum deles, embora ela sentisse Lindal se segurar com força enquanto um dos guerreiros da matilha, Beckham, atravessava a multidão e caminhava diretamente para ela.
Ele era alguns anos mais velho do que Lindal, 22, se ela lembrava corretamente, e ele estava gostando do visual de sua Companheira Presenteada pela Deusa. Lindal se aproximou por trás dela. — Ele é enorme. — Ela murmurou, soando um pouco assustada.
— Guerreiro a caminho de ser de categoria Elite. — Disse Beckham. — Venha aqui, Lindal, e reivindique o que é seu. — Ele até sabia quem ela era.
Lindal tinha cerca de um metro e setenta, de uma estrutura frágil, enquanto Beckham tinha a altura e o porte de um lobo Alfa com um metro e noventa e quatro, ele era realmente mais alto do que Slade e mais musculoso também. Ele já estava treinando para ser um guerreiro de Elite e esses guerreiros treinavam muito mais do que eram autorizados aos 18 anos.
Lindal deu um gritinho quando Beckham tentou alcançar Ori e então ela desapareceu, um lampejo de chiffon roxo-profundo fugindo da sala de baile. Ori arqueou uma sobrancelha para ele, não foi um fora. — É melhor você pegá-la, suponho.
Ele sacudiu a cabeça e saiu da sala de baile como se nada fosse. Ela nunca conseguiria escapar dele. Ele não só podia rastreá-la com o elo da matilha, mas também pelo seu cheiro de companheira. Era apenas questão de tempo antes de ela ser encurralada. Embora conhecesse Lindal, sabia que ela estava indo para a oficina e para o seu pai. A mãe da garota estava aqui, rindo sem parar, achando tudo muito engraçado.