Capítulo 4 - Visita

1769 Palavras
¤ Malia Stewart | Miami, Flórida, 18:33 AM. ¤ Estava levemente preocupada com o que poderia ser esse encontro. Seu motorista/guarda-costas não lhe deu todas as informações, o que a deixou ansiosa nos próximos minutos. Ele se desculpou por não poder entrar em detalhes, mas afirmou que ela não precisava se preocupar. Ela não conseguiu esconder a surpresa de ver o seu tio do outro lado da rua, assim que saiu do carro. Ela andou apressada pela calçada para chegar perto dele, a vizinhança estava quieta, e assim que se aproximou ele acenou para a porta de uma garagem, pedindo silenciosamente que ela entrasse com ele. Ele ascendeu as luzes e finalmente olhou para ela. — Boa noite, Malia! – ele sorriu, coçando sua barba. Ela o encarou por completo, antes de responder. Ele estava vestindo um sobretudo por cima de um paletó. Precisava admitir que ele tinha estilo. — Boa noite, tio Barton! O que faz em Miami? – ela franzio o cenho, e ele continuou sorrindo. — Eu te falei que pretendia voltar para Miami – deu de ombros, como se fosse óbvio. — Legal... – ela respondeu, tentando aquecer suas mãos do frio. — Como está sendo pra você? Tudo bem morar sozinha? Se quiser pode ficar comigo, minha esposa não iria se incomodar, seus primos também não – ele disse, educadamente. — Gentileza sua, mas eu estou gostando de passar um tempo sozinha – ele assentiu, compreendendo. — Ótimo, se tiver algum problema não deixe de me avisar, agora vou estar por perto – ele acenou para ao redor. — Vai ficar nessa casa? — Não, ainda estou escolhendo – ela sorriu, assentindo. — Você vai me falar agora? — O quê? – ele franzio o cenho. — O nome do homem que matou o meu pai – o mais velho suspirou. — Eu não acho que você ainda está pronta. — E quando estarei pronta? – foi a vez dela de suspirar. — Você ainda tem muito o que aprender sobre o negócio da família – ele deu de ombros outra vez. — E quando minhas aulas vão começar? – ele sorriu. — Eu tenho uma história para te contar, sobre seus pais – ele respirou fundo, se aproximando mais de Malia. — Que história? – ela se concentrou em ouví-lo com atenção. — Seu pai estava em missão, quando conheceu sua mãe. Ele sempre foi muito correto, nunca gostou de machucar ninguém, mas sempre tinha que se defender. Um dia, enquanto despistava a polícia, aqui mesmo em Miami, acabou acertando uma bala no braço de uma civil. Pegou de raspão, mas isso não o impediu de se lamentar. – Malia m*l piscava, estava atenta para não perder nenhum detalhe. — Ele a levou junto com ele, e tentou cuidar do ferimento até onde pôde. Ela acreditou nele quando ele insistiu que não fez por m*l, e que a deixaria no hospital o mais rápido possível. Ele acabou seguindo ela, descobrindo cada passo da vida dela. Ele havia se apaixonado. — E depois? — Ela deu uma chance para ele, mesmo que ela estivesse desconfiada pelo o fato dele portar uma arma e estar fugindo da polícia. Ela também estava intrigada sobre ele, e acabou se deixando levar por um romance proibido. — Por que era proibido? — Ela não queria ficar com ele, porque ele era mais um mafioso na cidade, e na época, estávamos tentando ganhar território na cidade, então as coisas estavam bem violentas. — Mas eles acabaram ficando juntos, como foi isso? — Ela engravidou de você, e ele prometeu cuidar de vocês duas até o fim. Ele não participou mais de missões, ficou apenas com a desmontadora e as vendas dos carros. Isso o deixou seguro por um tempo, até acontecer o que você já sabe. — Eu só não entendo o porquê de ele ter se metido num assunto tão sério, sendo que ele estava tentando se manter livre de problemas. – Malia raciocinou. — É uma boa pergunta, eu acho que ele descobriu alguma coisa do outro grupo, e roubou os acessos das contas bancárias para impedir que eles tivessem poder para fazer alguma coisa. – Ele argumentou. — E não tem como você descobrir? — Esse também será um assunto para discutirmos em outro momento – ele sorriu. — Está na hora do jantar, Amber está me esperando, e você está convidada! – ele acenou para a porta, para então saírem da garagem. — Eu agradeço, mas já tenho planos. – Ela também sorriu. Na verdade, ela ainda se sentia estranha na presença da família que acabou de conhecer. — Então tenha uma boa noite, Malia – ele logo foi para seu carro, onde seu próprio motorista o esperava. — Já podemos ir, senhorita Stewart? – ela bufou. — Me chama de Malia, André – ela cruzou os braços, julgando o rapaz com um olhar duro, enquanto o mesmo apenas deu de ombros, com um sorriso. — Tudo bem, Malia, vamos indo? – ela assentiu e ficou o observando. "Por que meu guarda-costas tinha que ser tão bonito?", ela se perguntou, o seguindo até seu carro. — Vamos pegar outra rota de novo? – ela peguntou, notando que ele seguia o carro do seu tio. — É rotina, lembra? Sempre que há alguma reunião, pegamos caminhos diferentes para despistar caso estejam nos seguindo. – Explicou calmamente, enquanto dirigia. — Pensei que essa regra só valesse para reuniões mais sérias, essa foi só uma visita do meu tio. – Ela argumentou. — Vale para qualquer reunião. É para a sua segurança e dos demais. – Ela suspirou no banco de trás. — Quando eu aceitei fazer parte da família, eu me coloquei em perigo? – ela meditou sobre a pergunta. — Você é a única filha de David Stewart, ser você já é um perigo. Por isso sua mãe cortou os laços com a família do seu pai, e fez David se esforçar para se manter longe de assuntos grandes, não queria que associassem você à eles para não aumentar as chances de acontecer algo r**m, como um sequestro, por exemplo, você é uma isca valiosa. — Entendo... – ela respirou fundo, tentando se lembrar do seu pai. — Você o conheceu? — Sim, assim que entrei para a equipe do Barton, lembro dele nas últimas duas reuniões que ele participou, antes do acidente. — Então não faz muito tempo que você está na equipe? — Seis anos – "exatamente a idade do acidente", ela pensou. — Chegamos. Ela ficou surpresa, pois não estava prestando atenção no trajeto. Ela saiu do carro, e ele a acompanhou silenciosamente, enquanto observava tudo ao redor, se certificando se estava seguro. Assim que chegaram ao elevador do prédio, ela pensou em mais perguntas para lhe fazer. — Você tem uma vida fora esse trabalho? – ele sorriu, achando graça da questão. — Minha vida é esse trabalho. — Que tédio – ela franzio o cenho. — Você é novo, devia estar curtindo a vida! — Não tenho interesse no que está pensando – ele deu de ombros. — E no quê eu estou pensando? – ela cruzou os braços. — Festas? – ele arriscou. — Talvez – foi a vez dela dar de ombros, e ele riu. No fundo, ela só queria saber se ele é solteiro. — Eu gosto do meu emprego, e esse até que está sendo tranquilo – ele disse, a fazendo rir. Eles saíram do elevador, assim que chegaram no andar. — Eu não dou muito trabalho, não é? Sorte sua que sou uma moça direita – ela tirou as chaves da bolsa e abriu a porta de seu apartamento. — Vamos ver até quando isso vai durar – ele retrucou, fazendo ela rir. Assim que ela olhou para o lado para se despedir, notou que ele também estava abrindo a porta de um apartamento ao lado do seu, a surpreendendo. — Você é meu vizinho? – ela franzio o cenho, e ele assentiu. — Preciso estar perto de você pra poder fazer sua segurança de forma eficiente. E eu não acho que está nos seus planos morar com alguém que não conhece. – Ele deu de ombros. — Que ótimo, eu tenho literalmente uma babá! – ela revirou os olhos, o fazendo rir. — Boa noite. — Boa noite, Malia – ele piscou para ela, a deixando boba. No dia seguinte, depois da aula, enquanto dava uma carona para Lauren até a casa da mesma, Malia contou tudo sobre o encontro com seu tio para ela, que ficou chocada com algumas informações. — Então ainda falta mais alguns detalhes pra você descobrir tudo o que aconteceu com seu pai? – Malia assentiu, trafegando pelo o trânsito de Miami. — Essas coisas não perturbam você? — Quer saber se estou surtando com tanta informação na minha cabeça? Eu acho que talvez eu esteja em negação! — Também acho – Lauren concordou. — Há dois meses você descobriu que seu pai fazia parte de uma mafia, e que praticamente é o negócio da família, que agora você decidiu que faz parte. Se tudo isso não te perturba, você está ficando louca! — Por isso eu devia ir com calma, meu tio tem razão, não posso ir com muita sede ao pote. — Você ainda não me explicou o porquê de não poder me ligar para conversarmos... — Assim que cheguei em Jacksonville eles confiscaram meu celular e me deram um novo, disse que esse era mais seguro e que protegeria meus dados. Que com o celular antigo qualquer um poderia me rastrear ou grampear minhas ligações e mensagens. Só que eu pensei, "e se eles tiverem acesso aos dados desse celular, e apenas eles poderem acompanhar tudo o que faço e falo com os outros?" — Faz sentido, mas você vai viver a sua vida desse jeito agora? Desconfiada de tudo e de todos? – Malia estacionou em frente a casa de Lauren, e meditou sobre a pergunta dela. — É minha nova vida, daqui pra frente. Lembra do que André me disse? Só por ser filha do David já me põe em risco, preciso saber quem o meu pai foi e o porquê de ele ter roubado aqueles documentos. Mas, por enquanto, eu vou com calma, primeiro preciso aprender a lidar com tudo isso... – Lauren suspirou, e assentiu para a resposta dela. — Bom, preciso dormir o máximo que puder antes de ir para a boate. Te vejo amanhã? — Com certeza – Malia sorriu, abraçando rapidamente Lauren, que segurou sua bolsa e saiu do carro.
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