Resenha "Democracia em Vertigem"

619 Palavras
EM QUEDA Quando Flávio Bolsonaro escreveu em um twitter que a Netflix estava fazendo uma série sobre o pai dele ninguém, nem mesmo a empresa de streaming, entendeu sobre o que o então deputado estava falando. Agora, Jair Bolsonaro aparece mostrando seu gabinete com fotos de presidentes da época do Regime Militar e se autodeclarando como herói da nação no documentário “Democracia em Vertigem”. Em uma época política tão difícil em que extremismo nas duas pontas ganha força, mostrar os fatos como eles são é um ato de coragem. A cineasta Petra Costa, resolveu expor sua opinião política assim como a sua história de vida nesse filme documental relatando desde a primeira candidatura de Dilma Rousseff até a de Jair Bolsonaro. Mostrando o processo de Impeachment, a Operação Lava Jato e a prisão de Lula. A diretora entrelaça sua história com a história do Brasil. Com uma voz melancólica e com um certo tom de tristeza, Petra começa sua a história a partir do passado militante de seus pais na época da Ditadura Militar mostrando a luta dos estudantes pela liberdade, e acabando com o resultado das eleições presidenciais de 2018, destacando os protestos dos paneleiros e as manifestações verde e amarela. Tendo um destaque também para a trama que mostra ascensão de Lula como líder sindical e a importância da chegada do político no cargo presidencial, a euforia dos eleitores naquele momento Por mais que seja visível o lado da cineasta, ela não deixa de criticar o governo o qual elegeu. Ela não se abstém de falar sobre o esquema do mensalão que baixou a popularidade do PT, explicar o fato do partido dos trabalhadores distanciar-se mais e mais do povo que era o seu principal alicerce dividindo as opiniões e perdendo força na sua base eleitoral. Ela mostra todo esse processo de ascensão do Partido dos Trabalhadores até a decadência que ele se encontra agora. Filmado praticamente nos corredores do Congresso e da Câmara, o documentário recolhe depoimentos importantes de parlamentares de vários partidos e suas visões quanto aos fatos que ocorrem. Petra mostra os já conhecidos áudios vazados da conversa de Dilma e Lula, de Romero Jucá, e de Joesley com Aécio relacionando-os com os acontecimentos na Câmara e no Congresso. Petra também faz uma importante relação com as empreiteiras que cresceram durante o Regime com os esquemas de corrupção recentes e durante todo o documentário mostra a mórbida realidade que é o sistema político brasileiro. Mostrando assim, que não é um caso recente que empresários ricos influenciam na política brasileira e que quase não há caminhos para se escapar disso. A cineasta mostra os bastidores de estratégias que mudaram o rumo da nossa história e como cada vez mais nossa política é complicada e principalmente retaliadora, onde interesses de uma minoria prevalecem aos direitos do povo. Considerado de viés esquerdista, o documentário foi muito criticado pelos que apoiam o atual governo no entanto, Petra não mostra apenas a sua visão política nem apenas suas memórias de família. E contra fatos, não há argumentos. Seria ingenuidade total tachar o documentário de comunista apenas por que relata fatos com o qual não batem com suas ideias ou por achar que de alguma forma, aquilo foi alterado ou é mentiroso. Além de ideias, mostra-se uma realidade inalterável, que independente de opinião continuará assim.   Petra constrói uma narrativa muito boa ligando passado e presente, sua história pessoal com a do Brasil. Ela não mostra nada de inédito, muita coisa já é conhecida por nós, outras desconfiamos. A coisa é que, ela nos mostra tudo isso um pouco mais de perto, podemos perceber um pouco mais dessa engrenagem e as causas que nos fizeram chegar até aqui.
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