Montreal fervilhava com a chegada das equipes da Fórmula 1. O Circuito Gilles Villeneuve já respirava velocidade antes mesmo dos motores serem ligados. Entre jornalistas, fotógrafos e fãs, todos os olhares estavam voltados para Enzo Mancini, o vencedor de Mônaco.
A sua chegada foi marcada por uma verdadeira batalha de flashes e microfones. O aeroporto parecia pequeno diante da multidão que aguardava. Repórteres disputavam espaço para captar qualquer palavra, enquanto fãs gritavam o seu nome, alguns segurando cartazes com frases em italiano: “Il Grande Fulmine, nostro campione!”
Enzo caminhava com a postura confiante de sempre, óculos escuros, jaqueta de couro, acompanhado de Marco, seu mecânico e melhor amigo. Atrás deles, parte da equipe carregava malas e equipamentos, todos uniformizados, transmitindo a imagem de uma máquina bem organizada.
— Enzo, como se sente após a vitória em Mônaco? — gritou um jornalista.
— Pronto para Montreal. — respondeu com um sorriso debochado, sem parar de andar.
As câmeras não perdiam um detalhe. Alguns tabloides já especulavam sobre sua vida pessoal, lembrando a foto com Leticia. Mas naquele momento, o foco era a corrida. Montreal era diferente: pista exigente, clima imprevisível, e a pressão de manter o título de “Rei da Pista” após Mônaco.
No paddock, a movimentação era intensa. Mecânicos ajustavam peças, engenheiros discutiam estratégias, e os patrocinadores circulavam atentos. Enzo, no centro de tudo, parecia absorver a energia ao redor. A sua presença dominava o ambiente, como se cada olhar confirmasse que ele era o homem a ser batido.
Marco, ao lado, murmurou:
— Todos estão esperando que você repita o espetáculo.
Enzo sorriu, ajustando os óculos.
— Então vamos dar a eles exatamente isso.
O saguão do Fairmont Le Reine Elizabeth, um dos hotéis mais famosos de Montreal, estava movimentado com a chegada das equipes da Fórmula 1. Jornalistas circulavam, hóspedes curiosos observavam, e o ambiente vibrava com a energia da corrida que se aproximava.
Enzo, acompanhado de Marco e parte da equipe, fazia o check-in com sua postura confiante de sempre. Óculos escuros, sorriso debochado, parecia dominar o espaço como se fosse dele. Mas, ao virar-se, foi surpreendido por uma voz familiar.
— Sofi! — disse, abrindo os braços.
Sua sobrinha, Sofia, correu até ele com entusiasmo.
— Zio! — gritou, chamando-o pelo apelido carinhoso. Ao vê-lo, lançou-se em seus braços, rindo.
Enzo a abraçou com força, o semblante endurecido pelo mundo das corridas suavizando-se diante daquela pequena e da sua irmã. Era uma cena mágica e fofa: o piloto temido e admirado, transformado em irmão e tio protetor.
— Isa, como você está? — perguntou, acariciando os cabelos dela.
— Bem, Enzo. — respondeu com um sorriso doce.
Ele riu, surpreso.
— Que surpresa boa ver vocês aqui. Aposto que mamãe pediu para você vir.
Sofia riu, cúmplice.
— Você sabe como ela é… não descansa enquanto não tem certeza de que você está bem.
Enzo balançou a cabeça, divertido.
— Sempre preocupada.
Isa então olhou para ele com seriedade.
— Estão preocupados também com a garota Vitale. Enzo, ela não é como as mulheres com quem você está acostumado.
Ele soltou uma risada baixa, debochada.
— Por que todo mundo insiste em dizer isso?
Mas, por dentro, sabia que havia verdade naquela fala. Leticia não era como as outras. Não era modelo, não era celebridade, não fazia parte do mundo luxuoso que sempre o cercava. E talvez fosse exatamente isso que o atraía.
Enzo manteve o pensamento apenas para si, mas dentro dele crescia uma sensação curiosa: estar com Leticia era como conquistar um grande prêmio. Não pela fama, não pelo espetáculo, mas pela raridade de algo genuíno.
Sofia o abraçou novamente, sorrindo.
— Só quero que você seja feliz, Enzo.
Ele retribuiu o gesto, escondendo atrás do sorriso sedutor a certeza de que aquela “jovem comum” já havia mexido com seu coração de uma forma que nenhuma outra conseguira.
Após se instalar no hotel, Enzo não perdeu tempo. Junto de Romano, seu engenheiro-chefe, seguiu direto para o box da equipe no Circuito Gilles Villeneuve. O ambiente era uma verdadeira sinfonia de trabalho: cada m****o da equipe sabia exatamente o que fazer, e a chegada do piloto apenas intensificava a energia.
Os mecânicos descarregavam as caixas com ferramentas e peças, organizando tudo em bancadas impecavelmente alinhadas. Pneus novos eram empilhados, prontos para os testes de pista. O carro, ainda coberto por uma lona preta, aguardava como uma fera prestes a ser despertada.
Romano caminhava ao lado de Enzo, explicando os ajustes necessários.
— O motor está respondendo bem, mas precisamos calibrar a suspensão para Montreal. Essa pista exige precisão nas curvas.
Enzo observava atentamente, mãos nos bolsos, enquanto os engenheiros conectavam laptops ao carro, analisando dados em tempo real. Cabos, sensores e gráficos surgiam nas telas, cada detalhe sendo monitorado.
O som metálico das ferramentas ecoava pelo box, misturado ao cheiro de combustível e borracha. Era um ambiente de concentração absoluta, mas também de expectativa. Todos sabiam que, após a vitória em Mônaco, os olhos do mundo estavam sobre eles.
Marco, o mecânico e amigo inseparável, ajustava uma das rodas com firmeza. Ao notar Enzo, sorriu.
— O “Rei da Pista” chegou. Agora é só dar espetáculo.
Enzo riu, aproximando-se do carro e passando a mão pela lataria brilhante.
— Esse é o verdadeiro trono. — disse, com ironia.
Romano assentiu, sério.
— E amanhã, todos vão ver quem manda aqui.
O box pulsava como um coração. Cada clique de ferramenta, cada gráfico na tela, cada olhar atento da equipe reforçava a certeza: Montreal seria palco de mais uma batalha, e Enzo Mancini estava pronto para defendê-la.