Quando entraram novamente na boate, a música pulsava forte. As pessoas ainda celebravam o pódio de Fabricio, mas muitos voltaram os olhos para Enzo, o verdadeiro vencedor da noite. Ele conduziu Leticia até a pista de dança, sem se importar com os olhares curiosos.
— Confie em mim — disse, aproximando-se.
Leticia deixou-se levar. O vestido verde acompanhava seus movimentos, e os cabelos dourados balançavam em ondas perfeitas. Enzo a guiava com firmeza, mas também com suavidade, como se cada passo fosse calculado para fazê-la esquecer a dor.
— Está vendo? — murmurou ao ouvido dela. — O mundo pode ser c***l, mas também pode ser generoso. Às vezes, basta uma dança para mudar tudo.
A música vibrava no salão da boate, luzes coloridas refletiam nos espelhos e o ritmo pulsava como se fosse o coração da cidade. Leticia ria e dançava com Enzo, sentindo-se leve, quase livre. O vestido verde acompanhava seus movimentos, e o calor da pista misturava-se ao frescor do drink suave que ela havia bebido. Não estava embriagada, mas o álcool lhe dava uma sensação de leveza, como se por algumas horas pudesse esquecer a dor que carregava.
Enzo, com sua postura confiante, a conduzia com firmeza.
— Sei bellissima quando sorridi… — murmurou em italiano, aproximando-se de seu ouvido.
Leticia riu, deixando-se levar pelo momento. Era como se o mundo inteiro tivesse desaparecido, restando apenas eles dois.
— Leti! — uma voz familiar a chamou. Sentiu alguém segurar seu braço. Era Giulia, a prima. — Estamos voltando para o hotel, vamos?
Leticia fez um biquinho infantil, ainda sorrindo.
— Ahhh, nãoooo… é cedo demais!
Giulia suspirou, tentando manter a calma.
— Papai quer sair cedo amanhã, lembra?
Leticia balançou a cabeça, insistente.
— Só mais um pouquinho… — disse, tentando falar com charme, como se fosse uma criança pedindo permissão.
Enzo interveio, com um sorriso seguro.
— Eu a levo de volta.
— Ele me leva, Giulia. — Leticia falou sorrindo.
Giulia o olhou desconfiada, os olhos azuis refletindo cautela.
— Não sei se é uma boa ideia Leti… afinal ele é o Enzo Mancini. E a fama dele não é das melhores. — Disse olhando para ele diretamente.
Leticia soltou uma risada leve, segurando a mão da prima.
— Giulinha, eu sei me cuidar. Sou bem grandinha, não precisa se preocupar. Amanhã às oito horas estarei no hall de entrada, pronta para ir.
Ela deu um beijo rápido na face da prima e voltou a dançar com Enzo, ignorando o olhar preocupado de Giulia.
Giulia respirou fundo, observando a cena. Por um instante, pensou em insistir, mas ao ver o sorriso genuíno da prima, decidiu recuar. Talvez Leticia precisasse dessa liberdade, dessa noite diferente.
Enquanto Giulia se afastava, Enzo inclinou-se novamente para Leticia.
— Sua prima é protetora… mas você parece saber o que quer.
Leticia ergueu os olhos verdes para ele, ainda brilhando sob as luzes da boate.
— Eu sei sim o que quero, Enzo. E hoje eu só quero esquecer.
Ele sorriu, puxando-a para mais perto.
— Então vamos esquecer juntos.
A música mudou para um ritmo mais lento, e Enzo a envolveu com firmeza. Leticia sentiu o coração acelerar, não apenas pelo álcool ou pela dança, mas pela intensidade daquele homem. Ele parecia carregar uma energia diferente, perigosa e irresistível.
— Você dança bem. — disse ela, tentando quebrar o silêncio.
— Eu corro melhor — respondeu ele, com um sorriso provocador. — Mas hoje, dançar com você é a minha vitória.
Leticia riu, sentindo-se mais leve do que em qualquer outro momento daquela noite. O peso da dor por Fabricio ainda estava lá, mas ao lado de Enzo, parecia distante, quase irrelevante.
Giulia, ao longe, observava. Sabia que Enzo Mancini tinha fama de sedutor, de homem que vivia intensamente e raramente se prendia a alguém. Mas também sabia que Leticia precisava respirar, precisava se sentir viva. Talvez aquela noite fosse apenas isso: uma fuga, um instante de liberdade.
Leticia, por sua vez, não pensava no amanhã. Pela primeira vez em muito tempo, estava rindo, dançando, sentindo-se desejada. E, no fundo, uma voz silenciosa lhe dizia que aquele encontro não era apenas uma coincidência.
Naquele salão luxuoso de Mônaco, entre risos, música e olhares, Leticia Vitale e Enzo Mancini davam o primeiro passo em uma história que mudaria suas vidas para sempre.