**Zara**
Acordo sentindo o meu travesseiro se sacudir. Aquilo era estranho, mas, de certa forma, trazia-me conforto, o que era mais estranho ainda. Abro os olhos devagar e vejo o meu companheiro de perfil. Ele tinha um largo sorriso no rosto. Estava explicado porque o meu travesseiro se mexia: na verdade, eu estava deitada no peito de Fenrir.
Aquilo deveria assustar-me, mas a sensação que invadia o meu peito era outra. Eu me sentia acolhida, em paz. Quando ele se vira para me olhar, vejo os seus lindos olhos verdes com um brilho diferente de antes.
— Te acordei? — pergunta ele suavemente, como se se desculpasse por ter interrompido o meu descanso. Aquilo era estranho para mim, ter alguém que se preocupava tanto com o meu bem-estar. Nunca tinha tido isso antes, e agora eu estava descobrindo quão bom era ter alguém que cuidasse de mim.
— Sim — digo, respondendo à sua pergunta. Vejo os olhos de Fenrir arregalarem-se, e não entendi o porquê.
— Perdoa-me, querida. Não foi minha intenção te incomodar — diz ele, abraçando-me, enquanto as suas mãos deslizavam pelo meu braço.
"Ele acha que fez algo errado" — quando a voz preguiçosa de Nala enche a minha mente, sento-me rapidamente, lágrimas descendo pelas minhas bochechas.
— Não chores, Zara. Não quis te perturbar — diz ele, tentando me acalmar. Não conseguia explicar a minha alegria: Nala estava bem, ela estava falando novamente comigo.
Sem conseguir me explicar, simplesmente abraço-o, derrubando-o novamente na cama. Podia sentir o seu corpo rígido com aquele contacto e, quando ia me levantar, sinto os seus braços me envolverem. No fundo da minha mente havia algo que me fazia querer fugir dali. Eu imaginava que as coisas más poderiam voltar e, a qualquer momento, Fenrir veria a companheira patética que tinha ao seu lado.
"Você não é patética, e ele sabe disso" — diz Nala, mais desperta. "Olha para ele, Nala. Alguém como ele jamais se interessaria por mim."
Sentia o meu peito a queimar. Eu desejava aquilo, mas temia o dia em que ele percebesse que eu não era boa para ele. Com esse pensamento, solto-me rapidamente dos seus braços, afastando-me para o canto da cama. Fazer aquilo parecia errado, como se o meu lugar no mundo fosse nos seus braços.
— Está tudo bem? — pergunta ele, com olhos preocupados. Não gostava de vê-lo daquela forma. Havia algo em mim que fazia com que quisesse vê-lo bem. O facto de ele estar triste me deixava triste também.
— A Nala voltou — digo, desviando os olhos dos seus. Não queria ver mais da sua expressão triste.
— Mas isso é maravilhoso! Estava preocupado que algo de mau pudesse acontecer, com a quantidade de acônito que tinha no teu organismo. — Droga, eu não queria ouvir aquilo, fazia-me querer me aproximar dele.
"Ele é tão fofo" — diz Nala, ronronando na minha cabeça.
— Eu não sabia que podia perdê-la — digo-lhe. Nala era a melhor coisa que me tinha acontecido, e apenas o pensamento de perdê-la era inconcebível para mim.
— Ei — diz ele, erguendo o meu rosto com a mão —, não a perdeu. Eu também estava preocupado que isso acontecesse, mas, ao que parece, a tua loba é mais forte do que aparenta.
Fenrir tinha um lindo sorriso no rosto ao dizer aquilo. Eu podia sentir a agitação de Nala na minha mente; ela gostava que o seu companheiro a achasse forte.
Fico apenas observando a expressão dele e, na minha cabeça, me perguntava como um alfa forte e de aparência feroz podia mudar de uma hora para a outra. Estava perdida nos meus pensamentos e, quando ele levanta o braço na minha direção, assusto-me e corro para o outro lado do quarto, encolhendo-me no chão.
Eu não conseguia me controlar. O medo ainda queimava forte no meu peito. Eram muitos anos de agressão para que, em apenas alguns dias, eu esquecesse. Sentia o meu coração a bater acelerado, como se pudesse saltar para fora do peito.
Tentava controlar a respiração. Sentia que um ataque de pânico estava a começar e não queria passar por aquilo novamente. Sinto quando a mão de Fenrir segura a minha e, quando tento puxá-la, ele não deixa.
— Não sabe o quanto me dói te ver assim. Eu queria, Zara, queria muito poder tirar isso de dentro de você — ouvia a sua voz suave ao meu lado. Podia ouvir a dor nela, e aquilo me confundia.
— Por favor, não me afaste, deixa-me cuidar de você — a súplica na sua voz doía-me profundamente. Não queria vê-lo sofrer. Embora ainda não confiasse totalmente em Fenrir, saber que ele estava sofrendo por minha causa fazia-me sentir muito m*l.
Ergo os olhos e encontro as suas orbes verdes me encararem com pesar. Ele aproxima-se de mim e, como se eu fosse uma criança, puxa-me para o seu colo.
Permito que o seu cheiro entre no meu sistema, enquanto enterrava a cabeça no seu peito largo. Fenrir acariciava as minhas costas e me confortava lentamente.
Deixo-me chorar nos seus braços. Não queria que ele visse aquilo, mas precisava pôr tudo para fora. Os soluços tomavam conta do meu corpo e sentia os braços de Fenrir a apertarem-se à minha volta.
A vontade de o afastar era enorme, e eu lutava com aquilo. Aos poucos, fui acalmando-me nos seus braços.
— Está melhor, querida? — pergunta ele, retirando um pouco do meu cabelo do rosto. Apenas assinto, com medo de a minha voz falhar.
— Então, anda. Vou te ajudar a tomar banho, e depois podemos descer para almoçar — diz ele, levantando-se comigo nos braços.
— Eu posso tomar banho sozinha — digo, tentando me soltar. Não queria que ele visse as cicatrizes que provavelmente tinha pelo corpo.
— Está fraca, Zara. Não quero que caia e se machuque — diz Fenrir, lutando comigo nos braços.
— Não! Não me toque! — grito, descendo dos seus braços e afastando-me.
— Porquê?