**Zara**
Sinto a mão de Fenrir deslizar pelas minhas costas, os seus dedos traçando com calma cada linha de cicatriz que eu devia ter. Eu sabia que estava muito feio, e por isso não desejava que ele visse aquilo; não queria que sentisse nojo de mim. Sabia que aquelas cicatrizes jamais sairiam da minha pele, pois os chicotes que Alfa James usava para me bater estavam cobertos de acônito, o que impedia a pele de cicatrizar corretamente.
Quando ia me levantar, sinto os lábios de Fenrir nas minhas costas; fico paralisada no meu lugar, a minha respiração ficando irregular. Eu sentia a respiração quente dele na minha pele antes dos seus lábios beijarem outra área onde havia mais cicatrizes.
— Eu não ligo para elas — diz ele em voz baixa, distribuindo mais beijos pelas minhas costas. — Jamais vou me importar. Sabe por quê, Zara?
Sentia a minha garganta se fechar, e lágrimas se formarem nos meus olhos com as suas palavras; Fenrir estava sendo tão doce que eu nem sabia como me portar ao seu lado.
— Não — respondo, ofegante. O contato dos lábios dele com a minha pele era tão gostoso que me fazia relaxar mais a cada segundo; eu desejava que ele continuasse, que me mostrasse o que tinha perdido durante aqueles longos anos.
Fenrir vira-se, ficando de frente para mim; eu olhava nos seus olhos verdes, vendo o mais puro amor estampado neles, era como se eu pudesse me afogar nos seus olhos.
— Porque eu te amo, Zara. Te amei desde a primeira vez que te vi naquele porão imundo, te amei quando estavas ferida, te amei quando estavas magra e desnutrida, te amei com desespero quando pensei que poderia te perder, e continuo te amando a cada dia que passa ao meu lado. Você é minha, e o meu amor é todo teu — diz ele, inclinando-se e dando um beijo na minha testa antes de se levantar.
Eu queria poder responder, queria poder dizer as palavras que ele queria ouvir, mas não podia; eu mesma não sabia o que sentia por Fenrir e não queria enganá-lo com uma mentira, então apenas permito que ele cuidasse de mim como desejava fazer. Alguns minutos depois, ele me levava para o quarto nos seus braços; os lençóis molhados tinham sido trocados, então ele me deita com cuidado na cama.
Fenrir vai até o armário e volta com uma camisa e uma calça de moletom, e, pelo sorriso que ele tinha no rosto, acho que gostava de me ver vestindo as suas roupas. Ele se vira, e eu me troco; depois do que a médica tinha dito, ele estava levando a sério o fato de não me deixar sozinha.
— O que acha de um filme? Posso pedir que entreguem o nosso jantar no quarto — diz ele.
— Tudo bem — digo, encolhendo-me debaixo das cobertas. Já não era mais tão assustador estar na mesma cama que Fenrir. É claro que o tamanho dele ainda me intimidava, mas aos poucos eu estava percebendo que ele não iria me machucar como eu imaginava.
— Vou tomar um banho rápido. Se sentires algo, basta me chamar — diz ele, dando um beijo na minha testa antes de se afastar.
Ele estava tornando aquilo um hábito, e eu não podia negar que gostava daquele contato com ele.
“Isso é porque sabe que ele é o nosso companheiro” — diz Nala na minha mente, para minha surpresa.
“Você voltou!” — digo, emocionada.
“Do que está falando, Zara? Só tirei uma soneca” — diz ela com a voz preguiçosa.
“Não, Nala, eu dormi e não conseguia acordar; quase morremos por causa disso” — digo, e sinto ela ficar preocupada na minha mente.
“Eu não entendo, me sentia cansada, então dormi um pouco” — diz ela, confusa.
“E desde quando lobos dormem na nossa mente, Nala?” — pergunto, querendo saber se a minha suspeita era verdadeira.
“Bem, às vezes. Não é sempre que isso acontece, apenas quando sentimos a nossa energia vital baixa” — diz ela.
“Exatamente. A doutora disse que o meu corpo está forçando a transformação, e, como passamos do dia, ele está consumindo a minha energia nessa tentativa” — explico a ela.
“Isso não é bom você não tem energia para isso, eu não tenho energia para isso” — diz ela, e sinto ela resmungar na minha mente.
“Não se preocupe, a doutora pediu para o Fenrir transferir parte da energia de Koda para você” — digo, e sinto ela ronronar.
“Não vejo a hora de conhecê-lo; aposto que ele é lindo” — diz, manhosa.
“Você é impressionante” — digo, balançando a cabeça.
“Confessa, Zara: o Fenrir é um ‘gostoso’ e o melhor é que é todo nosso” — diz, animada. Eu não resisto e caio na risada com as palavras dela.
— Posso saber qual é a graça? — pergunta Fenrir, entrando no quarto enquanto secava o cabelo com uma toalha.
A minha boca seca ao ver o seu peito exposto; ele tinha um peito largo e musculoso, os seus braços também eram enormes, e aquilo fazia-me sentir quente numa área do meu corpo que eu não esperava. Os meus olhos descem pelo seu peito, parando no seu abdómen e na forma como a calça de moletom apertava a sua cintura.
— Se quiser, posso tirar o resto para olhar melhor — diz ele, com um sorriso de canto, mas eu podia ver nos seus olhos um brilho perigoso.
“Eu realmente adoraria que ele fizesse isso” — diz Nala, animada.
Eu puxo a coberta e cubro a minha cabeça, envergonhada de encarar aqueles olhos verdes penetrantes que sabia estarem fixos em mim. Podia ouvir a risada de Fenrir ao longe; então o colchão cede ao meu lado, e sinto a sua mão puxando a coberta do meu rosto.
— Me diz do que estava rindo — pede ele, olhando-me nos olhos. Apenas n**o com a cabeça. — Amor, não faça isso; estou curioso.
“Droga, por que ele tem que fazer essa cara?” — digo, frustrada ao olhar seus olhos pidões.
“Conta, quero ver o que ele vai dizer” — diz Nala, eufórica.
— Não sou eu, é a Nala — digo, antes de continuar.
— E o que a sua loba disse que te fez rir?
— Ela disse que você é um gostoso — digo e puxo a coberta novamente sobre a minha cabeça; eu tinha certeza de que nunca mais poderia olhar nos olhos dele novamente depois daquilo.