**Fenrir**
Queria matar Ethan por ter me interrompido. Só de pensar que eu podia estar completando o meu acasalamento com Zara, eu rangia os dentes. Corremos o mais rápido que as nossas patas podiam; não arriscaríamos a segurança da matilha com um possível ataque. Quando estávamos quase chegando, encontramos os nossos guerreiros que patrulhavam a fronteira, já em posição.
"Quem são eles? Já descobriram?" — pergunto pelo elo mental.
"São lobos Belmonte, alfa" — responde Sam rapidamente.
"O que aquele m*ldito do alfa Lorcan está tramando agora!" — digo, frustrado.
Aceleramos o passo, sempre atentos a uma possível emboscada. Vindo dos Belmonte, eu não descartava nenhuma possibilidade. Quando chegamos à fronteira, encontro, como sempre, Roderick e os seus homens. Olho para ele com desgosto, volto à minha forma humana e caminho até estar próximo da fronteira.
— Querendo morrer hoje, Roderick? — digo de forma áspera; odiava o homem à minha frente com todas as minhas forças.
— E quem iria me matar? Você? — diz ele, debochando. Sinto as minhas garras crescerem e Koda incitar-me a pular na sua garganta.
— Quem mais seria? — digo, observando atentamente os outros lobos ao redor. — Acredite, Roderick, esse dia vai chegar, e quero ver se você vai me olhar da mesma maneira que agora.
"Mate-o" — diz Koda na minha mente.
"Ainda não é a hora, tenha paciência" — digo a ele e ouço-o bufar.
— Está muito convencido para alguém que tem uma companheira tão v***a quanto a sua — o sorriso no rosto dele me fazia querer dilacerar a sua garganta, e uma ofensa à minha Luna era uma ofensa feita diretamente a mim.
— Vai morrer por suas palavras — digo, deixando as minhas garras crescerem e caminhando na sua direção lentamente. — Ninguém ofende a minha Luna e vive para contar a história, seu m*ldito.
Quando estava quase passando a fronteira, Ethan pula na minha frente, impedindo-me. Ele olha firmemente nos meus olhos, e eu sabia o que ele queria dizer; se eu cruzasse a fronteira, isso seria considerado uma invasão, e a resposta a isso seria a guerra.
— O que foi? Mudou de ideia? — pergunta ele, rindo na minha cara.
Dou um passo à frente, esbarrando em Ethan no caminho. Vejo os meus guerreiros se aproximarem, acompanhando os meus movimentos, mas, para minha surpresa, vejo o alfa Lorcan aproximar-se de nós a passos lentos.
— O que pensa que está fazerndo! — grita ele, aproximando-se de Roderick. O homem trinca os dentes antes de se virar para seu alfa.
— Estávamos nos preparando para a luta, alfa. Ele pretendia invadir o nosso território — diz ele rapidamente. Olho, sem acreditar, na mentira que ele estava contando.
Vejo o alfa Lorcan aproximar-se dele com um sorriso no rosto; ele coloca uma mão no ombro de Roderick, e antes que ele pudesse fazer algo, desfere um soco no seu estômago, fazendo-o cair e contorcer-se de dor no chão. Olho para ele, sem acreditar no que estava fazendo.
— Acha que eu sou i****a, Roderick? Pensa que não ouvi o insulto que fez a ele? — diz, dando-lhe um chute nas costelas e lançando-o longe. — Acha que pode fazer algo sem que eu saiba, seu i****a?
Vejo quando mais lobos surgem atrás de Lorcan, e entre eles reconheço bem o antigo alfa, Corin. Lorcan vai até onde Roderick estava e o pega pelos cabelos, arrastando-o até onde eu estava; ele joga Roderick aos meus pés de forma brusca, fazendo-o gemer de dor.
— Peça desculpas pelos insultos à Luna! — diz ele de forma ríspida.
Eu não acreditava no que estava vendo; aquele não era o comportamento habitual de Lorcan, e eu não fazia ideia do que tinha acontecido para que ele agisse daquela forma.
— Nunca! Eles devem pagar por tudo o que fizeram! — diz Roderick com palavras ácidas.
— Eu te avisei, avisei a todos! — grita Lorcan, mirando os lobos que estavam com Roderick. — Deixei bem claro que ninguém deveria tocar na Luna de Presa Branca! Mas aqui estão vocês, passando por cima das ordens do seu alfa!
Aquilo me incomodava muito; não desejava que outra pessoa se referisse a Zara daquela forma, mas naquele momento estava grato por ela realmente não ser um alvo para eles, ou talvez fosse isso que ele queria que eu acreditasse.
— Vamos, seu i*****l! Peça desculpas! — diz ele, segurando o pescoço de Roderick. Eu podia ver a suas garras crescerem e perfurarem o pescoço dele.
— Me… desculpe — diz Roderick entre dentes, mas eu percebia que ele fazia isso apenas porque estava sendo pressionado.
— Quero que levem todos para as celas; cuidarei deles mais tarde — diz Lorcan, e vejo vários guerreiros levarem os lobos, forçando-os a voltar à forma humana e conduzindo-os com eles. Corin, o velho alfa, morde o ombro de Roderick e sai arrastando-o consigo.
Quando todos são levados, vejo Lorcan voltar-se para mim; os seus olhos estavam tranquilos, sem nenhum vestígio da fúria que tínhamos presenciado momentos antes.
— Lamento por isso. Já tinha ordenado que eles mantivessem distância do território de vocês, e principalmente da Luna Zara. — Era como se eu estivesse sonhando. O alfa Lorcan estava pedindo desculpas para mim? Ele? Tinha que ser alguma piada.
— Qual é o seu plano, Lorcan? Por que toda essa encenação? — pergunto, sem acreditar no que via. Ele bufa, olhando para mim.
— Não entenda errado, Fenrir, ainda desejo o seu pescoço, mas não vou envolver Zara nessa disputa; a sua Luna não tem nada a ver com os nossos desentendimentos. — Ver ele se referindo a ela daquela forma acendia a fúria em mim.
— Quem te deu permissão para chamá-la pelo nome? — pergunto, exalando a minha aura ameaçadora pelo lugar.
— Ela me deu, mas não se preocupe; não tenho interesse romântico em Zara. Não sou o tipo de homem que rouba a companheira de outro homem.
— Você…
— Essa discussão não nos levará a nada, Fenrir. Apenas saiba que o fato de eu respeitar a sua companheira não muda nada do que sinto por vocês. Deve-me algumas vidas, e eu pretendo cobrar — diz ele, virando-se e saindo. Vejo Lorcan partir, com os olhos brilhando de raiva.