Máscara Narrando Depois do anúncio, voltamos pro camarote. O som do baile batia forte lá embaixo, a comunidade em festa, e eu ainda tentando digerir o peso daquele momento. Apresentei a Angel para alguns aliados, gente grande, dono de outros morros, parceiros antigos do meu pai. Ela foi educada, firme, sem forçar simpatia. Do jeito dela. Fiquei ali sentado no canto, observando tudo. O Bomba falava alto, rindo com os outros donos de morro, mas minha cabeça estava em outro lugar. A Angel encostada na grade do camarote, com o olhar perdido no meio da multidão. Aquela mulher tem uma presença que impõe respeito, mesmo em silêncio. Eu nunca fui de conversa, e percebi que ela também não é. Os dois no mesmo ritmo, atentos, desconfiados, sempre observando mais do que falando. De vez em quando,

