CAPÍTULO — AMAR É DEIXAR VOAR Narrado por Dra. Lorena Mello Ele estava ali, parado na varanda, olhando o horizonte como quem já enxergava a guerra que se aproximava. O corpo mais forte, os ombros mais largos, o olhar mais escuro. Gustavo não era mais o homem ferido que puxei daquela maca fria. Era um sobrevivente. Não. Era algo além. Um homem que voltou do inferno com sede de justiça. E eu? Eu também estava aqui. Mas não era mais a mesma. Cuidar dele foi mais do que um ato médico. Foi alma. Foi coração. Lavei feridas que bisturi nenhum poderia curar. Ensinei o corpo dele a caminhar, mesmo quando ele mesmo duvidava. Fui presença quando o mundo inteiro o havia declarado morto. E agora, assisto o homem que reconstruí, pronto pra arrancar de volta tudo o que lhe roubaram. **

