Depois de muita insistência do Chanyeol fomos para casa de um amigo dele, eu fiquei feliz por um tempo, a casa era legal até.
Mas o Luhan, um cara que eu conheci em Mokpo, minha cidade natal, aparece do fundo do tártaro e diz que eu estou gravido.
Claro que isso não podia resultar em nada mais, nada menos, do que eu caído no chão.
Acordei meio zonzo, as luzes brancas do lugar não ajudavam a deixar minha visão em foco.
— Chan... – Minha voz saiu num sussurro, minha garganta estava seca.
— Hyung, como você está?
— Estou no hospital?
— Sim, te trouxemos depois que desmaiou. O médico tirou um pouco de sangue para fazer uns exames... Mas ele também acha que está grávido. – a última parte saiu como um sussurro, se ele não estivesse sentado a minha frente eu não seria capaz de ouvir.
— Chan... Isso... Isso... Não pode Chan, entende? Não pode! A gente nem tem lugar pra morar agora... Isso...
- E-eu sei... Mas o Sehun disse que ajuda a gente por um tempo, até você conseguir se estabilizar de novo, ele disse que tem um apartamento vago no prédio em frente a casa dele, ele pode falar com o síndico.
— Chan... Eu não quero ajuda de um Alfa, já basta você, eu não vou aceitar mais nenhum. Minha vida já tem problemas o bastante.
— Eu sou um problema?
— Não foi o que eu disse.
— Mas foi o que pareceu. – ele saiu do quarto.
Suspirei e tentei me sentar na cama, não acredito que ele ficou bravo dessa forma, eu... Eu não disse nada demais.
Mas ele tem que admitir que desde que nos conhecemos minha vida, que já era r**m, tem ficado cada vez pior.
Passar as mãos pela minha barriga e saber que tem alguém ali dentro é estranho.
Eu não estava esperando isso. Eu não estava esperando conhecer um moleque e acabar criando um laço como esse.
Eu sei que o dia que meu pequeno nascer nada vai ser mais importante que ele e isso me assusta, sempre me assustou.
— Vai ficar tudo bem.
— Luge, o que faz aqui?
— Estamos aqui desde noite passada. Viemos com o Channie e ainda não fomos embora. Bom, Sehun ligou para o síndico do prédio em frente. Eu sei que você vai ficar bravo, eu te conheço Byun, mas pensa que não está em condições de recusar, Okay?
— Eu não gosto disso Luge.
— Nem todos os alfas são como seu pai.
— Não é só por causa dele que sou assim... Os espinhos...
— Encontrou alguém que fosse pior que ele?
— De certa forma, sim.
— Eu sinto muito. – ele me abraçou e ficou comigo, aquilo me trouxe um conforto que não tinha há anos. Apesar de preferir o cheiro do Channie... O cheiro de Luhan me ajudou a dormir.
*****
— Senhor Byun, pode explicar por que ficou tantos dias fora da escola? Pediu licença de uma semana e passou bem mais.
Sentei-me na cadeira em frente a mesa da diretora, eu estava com medo de explicar tudo aqui, não queria perder meu emprego, o que eu mais amava era ser professor e seria muito difícil conseguir emprego em outra escola, ainda mais carregando um filho.
— É... No começo eu estava m*l, mas não queria ir ao médico, mas então me namorado me levou e bom, eu acabei descobrindo que...
— Está grávido, eu sei, sinto seu cheiro. E seu namorado... Encontrou-o a pouco, não? A marca em seu pescoço é recente.
— Sim, ele se mudou para meu prédio a pouco mais de um mês e nos... Apaixonamos.
— Entendo. Sabe que vai ser difícil conciliar a escola com um bebê, certo? Eu não sei se podemos ficar com um professor que não tem disponibilidade.
— Entendo. Mas eu creio que até os últimos meses de gravidez não haverá empecilho algum, eu posso cuidar dos meus alunos e minha gravidez.
— Posso perguntar quem é o pai?
— P-Park Chanyeol...
— Ele é um dos seus alunos, certo?
— Sim. Sinto muito, ele também é meu vizinho, não planejamos isso. - e nem tem como, nossa "raça" é atraída pelo cheiro "predestinado" a nós, seria assim de uma forma ou de outra.
— Mas isso é um grande problema, os pais não vou gostar de saber.
— Nós podemos esconder por mais um tempo, JiHee, eu não posso perder este emprego. Por favor...
— Tudo bem Byun, mas espero que seja discreto.
— Obrigado. – dei-lhe um parto de mão e segui para a sala onde eu lecionava.
Assim que entrei todos os alunos me olharam diferente.
Poderia ser pelo meu cheiro, pela marca, pela minha expressão cansada.
Eu não sei.
Mas sei... Que não será fácil.
Se achei que era um ser julgado pela minha aparência, agora vou descobrir as novas formas de preconceito que giram nas cabeças dessa sociedade.
E em meio a tudo isso eu descobri uma coisa sobre mim...
Eu não estou pronto para isso.