Alheios a todo o caos que envolvia a vida de Coringa, Higor e Micheli finalmente chegaram em casa. A porta se fechou atrás deles com um clique suave, selando-os dentro de um espaço onde não havia mais olhares curiosos, exigências externas ou desculpas para manter a distância que haviam construído entre si. O silêncio que se instalou foi quase ensurdecedor. Agora, sozinhos, o peso do que compartilhavam – ou do que evitavam compartilhar – se tornou impossível de ignorar. Não havia mais distrações, ninguém para interromper, nenhuma justificativa para seguir fingindo que tudo ainda era o mesmo. O ar estava carregado de tensão, uma energia palpável que fazia cada movimento parecer calculado, cada respiro mais fundo do que o normal. Higor passou uma mão pelos cabelos, tentando aliviar a tensão

