A noite na Rocinha estava relativamente tranquila, apesar da tensão que rondava o morro como uma sombra silenciosa. Na casa de Higor, no entanto, o verdadeiro turbilhão estava dentro dele. Ele estava sentado em seu escritório, as luzes fracas do cômodo criando sombras suaves nas paredes. A mesa à sua frente estava cheia de papéis, anotações sobre casos, estratégias e até algumas contas que precisavam ser pagas. Mas sua mente estava longe dali. Ele não conseguia parar de pensar nela. O beijo que trocara com Micheli não saía de sua cabeça. Ele podia ainda sentir o gosto dela em seus lábios, o calor do corpo dela contra o seu. A intensidade daquele momento o pegara de surpresa, mas o que mais o assustava era a sensação de que queria mais. E junto desse desejo, vinha a culpa. Fantasma.

