A missão

813 Palavras
Assim que entrou pelas portas do centro, Eduardo ficou pasmo ao ver, bem na sua frente, a figura dos dois homens de seu sonho enquanto vinha para São Paulo. Eram Alan e Luciano, os dois companheiros. Alan, pai de Amanda, a garota que foi atingida tragicamente naquele acidente de carro. O jovem estava tomando um verdadeiro terror por acidentes de carro.             Marcelo, o mentor do centro, foi ter com o pessoal, colocando-os a par de tudo.             Na verdade, o que o pessoal do centro espírita queria era uma forma de entrar no vale dos suicidas no umbral e resgatar aquela pobre alma que ali se encontrava: a jovem Amanda. Alan contou que, após um terrível acidente, a garota ficou tetraplégica e aos cuidados completos do pai. Alguns meses ela permaneceu naquela condição, até que um dia ela engoliu a própria língua e morreu. Diante daquela triste situação, os médiuns do centro não podiam negar esta ajuda.             Obviamente alguns já tentaram, entretanto sem obter qualquer êxito. Os médiuns que conseguiram se aproximar mais dela informaram que ela se negava a receber auxílio. A última tentativa foi até catastrófica, pois por alguma razão a garota desceu para camadas ainda mais profundas do abismo. O que as religiões sempre equiparam com o inferno.             Foi daí que Eduardo teve a audácia:              — Eu vou!             — Mas você não é um espírito de luz que pode ir onde quiser, tampouco um espírito denso o suficiente para suportar as adversidades daquela região! – respondeu Marcelo.             — Ah! Eu acabei de conhecer esse “locão” aqui de sobretudo e espada. Ele deve dar conta de descer até este lugar. Ainda mais... Ele me disse que eu possuo poderes mediúnicos. Que tal treinarmos um pouco de viagem astral?             — Vocês precisam é de uma equipe! Vocês já possuem um guerreiro, que é o espírito matador de demônios aí, do qual Eduardo não para de falar. Agora é necessário um curandeiro, um guia e um apoio tático. Acho que vocês deveriam me ensinar para que eu vá junto com vocês – intrometeu-se Nakata, empolgado com aquela situação.             As palavras do amigo japonês trouxeram um leve sorriso ao semblante de todos, ao que Marcelo complementou:             — Seu amigo não está de todo o errado. Vocês podem formar uma equipe para esta missão. Obviamente, Nakata, você não poderá ir desta vez, porém ficarei feliz em estar contigo aqui deste lado no “apoio tático”. Serão de muito auxílio nossas orações enquanto eles estiverem em regiões tão tenebrosas. Existe uma chance de vocês confrontarem algum senhor do abismo para tentar salvar a jovem. Esses seres são tão poderosos que até o Caçador pode não ser o suficiente.              — Uau! Então temos que encontrar esse cara também! Mesmo sabendo que não vai ser fácil. Abismo, Inferno... Regiões abaixo das ondas umbralinas, aí vamos nós. Isso sim será uma missão para o nosso grupo espiritual de elite. Bem... Primeiro, precisamos encontrar um! – finalizou o Caçador.             Agora era hora de reunir uma equipe de resgate. E teria que ser a equipe! Missão: resgatar uma alma no fundo do abismo. Enquanto a maior parte dos envolvidos se preocupava em escolher as pessoas certas para o time, Eduardo passou por um segundo nível de treinamento espiritual com seu mais novo amigo do além.             Durante o novo treinamento, o Caçador, como gostava de ser chamado, continuava sua história de como se transformou no que ele era atualmente, sempre que podia:             — Quando estava no Portal da Consciência, no outro plano, fiquei abismado, cheio de dúvidas. Não sei porquê, mas não conseguia me lembrar como deixei o mundo dos encarnados. Talvez ali eu pudesse obter respostas. Pensando bem... É pra lá mesmo que eu devo ir para ter a resposta para uma das coisas que precisamos. Espere aqui! Volto em um dia ou dois.             A grande vantagem de ser um espírito é o lance de teletransporte. Como que em um passe de mágica, o Caçador sumiu da vista de Eduardo, deixando-o ali à espera de algo. No centro espírita, Eduardo continuou seus estudos e treinamentos e Marcelo informou que no início era difícil, até seres desencarnados precisam treinar e estudar bem para fazer coisas como aquela que o Caçador fez. Entretanto, depois que se pega o jeito, você vai para qualquer lugar do universo, dependendo das suas capacidades e habilidades... É claro, desde que Deus permita isto.             A maioria dos espíritos terrestres só se arrisca na órbita terrestre e no máximo até uma estação lunar. Poucos possuem a coragem de visitar os outros mundos além da Terra. Ademais, esta não é uma vantagem que qualquer espírito possui. Existem dezenas de espíritos, que de tão densos e ligados à matéria, precisam andar como se fossem ainda seres encarnados. Todavia, com o tempo todo mundo sente a necessidade de evoluir para algo melhor e mais prático, mesmo que logisticamente falando.
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