Os repórteres terão muitas perguntas para fazer.

1375 Palavras
A confraternização com a equipe tinha sido bem agradável e amistosa, apesar dos pesares. Passei boa parte dela batendo papo com a Lauren e com o Lorenzo, que foram as pessoas que me receberam melhor e praticamente me esqueci do Tristán, já que ele passou todo o seu tempo do lado completamente oposto de onde eu estava, acho que em uma tentativa de me evitar. Não posso dizer que não gostei disso, porque essa foi a melhor parte da minha noite, saber que nós dois queríamos a mesma coisa. Porque se os dois estiverem dispostos a se manterem longe, os nossos momentos juntos serão quase inexistentes. - Preciso da atenção de vocês. – a voz do Thomas surge e todos se calam e olham para ele. – Amanhã teremos uma coletiva de imprensa, para apresentar melhor os nossos dois novos pilotos. – ele olha para mim e depois para o Tristán. – Quero que vocês estejam prontos para isso e bem descansados, então acho melhor encerrarmos a nossa noite por aqui. Ouço todo mundo resmungando, mas ninguém tem coragem de reclamar de fato. Já que o Thomas tinha razão, nós estávamos aqui há um bom tempo já e eu estava começando a sentir o cansaço da viajem me atingindo. - Se você precisar de ajuda para se preparar amanhã, é só falar comigo, tudo bem? – Lauren fala e eu concordo com a cabeça. Eu prefiro nem pensar no que vai rolar amanhã para não me estressar, porque esse tipo de evento sempre me deixa nervosa. Os repórteres gostam de arrancar polêmica da gente, a qualquer custo, por isso é importante que eu pense exatamente no que vou falar. - Tudo bem. - Eu ia precisar dela, sem sombra de dúvidas. - Esse é o meu número. – ela entrega um cartão para mim. Todos começam a se despedir e eu faço o mesmo querendo ir para casa de uma vez, depois de dar tchau para todos, eu me afasto. Nesse tempo em que fiquei com eles, o clima tinha esfriado bastante, ao ponto da minha jaqueta jeans não dar conta da ventania. Abraço o meu próprio corpo e caminho em direção ao estacionamento, ouvindo algumas pessoas conversando, atrás de mim. - Vejo vocês amanhã! – ouço o Tristán dizendo para alguém e em questão de segundos ele está do meu lado, o porquê eu não sei. Seus olhos estão em mim, enquanto nós andamos, mas eu não me dou o trabalho de virar o rosto em sua direção, agindo como se ele nem estivesse ao meu lado. - Você tem certeza de que quer entrar na Voxx? – pergunta do nada e eu suspiro. Que pergunta mais estúpida! Não tenho reação alguma a sua pergunta e não dou nenhum indício de que pretendo responder ela, já que eu não pretendia. – As pessoas sempre duvidaram da sua capacidade e estando em uma equipe maior, essa dúvida vai aumentar. Quase quero rir do que é dito por ele, já que a sua tentativa de me fazer repensar a assinatura desse contrato, é completamente burra. Tristán não pode tirar de mim algo que eu lutei para conquistar, mesmo que ele queira muito. Esse é o meu sonho e suas palavras não vão destrui-lo. - A minha presença é tão incomoda assim para você, Tristán? – pergunto baixo, já sentindo o sono invadir cada parte do meu corpo. Ele tem uma mania chata de arrumar discussões desnecessárias comigo, não seria muito surpreendente se no final das contas eu descobrisse que ele só gostava mesmo de implicar comigo. Tristán é tão infantil e me faz ser junto com ele, porque todas as vezes eu embarco nessas discussões idiotas. - Eu só estou te dando um toque. - Não preciso de um toque vindo de você e nós não somos amigos para isso. - Poxa, desse jeito você magoa os meus sentimentos. Reviro os olhos e sinto um vento forte batendo contra o meu corpo, o que faz eu me encolher. - Está com frio? - ele pergunta e eu suspiro. - Você tem mais alguma coisa para dizer, Tristán? - Não. - Que ótimo! Então me erra. - lanço uma piscadela para ele. - Se você puder agir como se eu não existisse, melhor ainda. - Ah, mas isso vai ser muito fácil. Ele ri baixo e eu acelero os meus passos, deixando ele para trás. Destravo o meu carro e entro nele rapidamente, ligando o motor. Tristán vai para o outro lado do estacionamento e aproveito essa deixa para sair dali, antes que ele tentasse me alcançar. O caminho até o apartamento é feito rapidamente, estaciono o carro na minha vaga e caminho até o elevador, me sentindo exausta. Entro nele e aperto o botão correspondente ao meu andar, pelo o que eu vi, Tristán ainda não tinha chego, já que o seu carro não estava na vaga ao meu lado. Assim que as portas se abrem eu saio rapidamente, caminhando em direção a porta do apartamento, a destrancando. Vou direto para o quarto e assim que piso nele, me jogo na cama. Meus olhos se fecham, mas antes que eu relaxe, o celular vibra no meu bolso, o pego na mesma hora. Joseph: É o seu primeiro dia ai e você já fez amizade com o inimigo? Me sento com tudo na cama, encarando a tela do meu celular sem entender. Do que ele está falando? Você: Do que você está falando? Joseph: A sua foto no i********: com o Tristán. Solto uma bufada alta e fecho a conversa na mesma hora, abrindo o meu i********:, vou até o perfil da Voxx e faço uma careta ao encarar a foto. Enquanto eu estava com um sorriso muito forçado, o Tristán estava sério. Claramente nenhum dos dois estava feliz por ter que tirar essa foto. Dou zoom na foto, bem na cara do Tristán e passo os meus olhos na foto com atenção. Até que ele não é tão feio... Espera, o que eu pensei? Bloqueio a tela do celular na mesma hora e me jogo no colchão novamente. Não quero nem ver o caos que vai ser essa coletiva de imprensa. O celular começa a tocar e eu atendo sem nem ver quem era. - Alô. - Vocês selaram um tratado de paz? – a voz divertida do Joseph alcança os meus ouvidos. Ele sabia que isso era impossível e só estava querendo me zoar. - É óbvio que não. Fui obrigada a tirar aquela foto. - Jura, Sophie? O seu sorriso nem está indicando isso. – fala irônico e eu solto uma risadinha. Babaca! - Estou com saudade. - Também estou. - ele solta um longo suspiro. - Como foi o seu primeiro dia ai? - Bom, por onde eu começo? – fico pensativa por alguns segundos. – Vamos começar pela parte que o Tristán é o meu vizinho, que o apartamento dele é do lado do meu. - O quê?! Você está de brincadeira! – Joseph tem uma crise de riso e eu solto um longo suspiro. - Para de rir, isso não é engraçado! – falo séria. - Desculpa, Sophie. Mas estou imaginando a sua cara quando descobriu isso e a cena foi muito engraçada. Acabo rindo também, porque realmente tinha sido, pelo menos um pouco. - Se você está rindo disso, não quero nem imaginar como vai reagir quando souber qual é o carro que o Ramon arrumou para mim. - Agora eu vou precisar de uma foto dele. - Amanhã eu te mando. - Você já conheceu a sua equipe? - Já sim. Todos são bem legais. Só os engenheiros que não fizeram muita questão de me conhecer. - Sempre tem um, não é? - Sim, sempre. Amanhã eu tenho uma coletiva de imprensa. - Algo me diz que isso vai ser muito interessante. - Joseph, para! - O quê? Você e o Tristán na mesma equipe, dando entrevistas depois daquela foto. Ah, os repórteres terão muitas perguntas para fazer. - Você acha mesmo? - Claro que sim. Vocês dois são os maiores nomes da Stock. - Espero que você esteja errado. O que eles podem perguntar sobre mim e o Tristán? Ah, não quero nem pensar nisso.
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