Capítulo 19 — Escolhas que Queimam

837 Palavras
Júlia não respondeu à mensagem. O celular ainda aberto. A tela acesa. Pedro: “Volta.” Simples. Direto. Ela travou por um segundo. E então… desligou a tela. — Você quer sair hoje? — Rafael perguntou novamente. A voz dele era calma. Sem pressão. Sem pressa. Totalmente diferente. Júlia respirou fundo. Porque, pela primeira vez… não era sobre impulso. Era sobre escolha. — Quero. A resposta veio firme. Rafael sorriu de leve. — Então me passa seu número. Ela hesitou por um segundo. Mas só por uma fração de segundos. Pegou o celular. Digitou. Ele fez o mesmo. — Pronto — ele disse — agora não tem desculpa pra sumir. Júlia quase sorriu. — Eu não sumi. — Sumiu um pouco. Silêncio. — Oito horas? — Oito. À noite, Júlia estava pronta antes do horário. E aquilo… já dizia muito. Rafael chegou pontualmente. Sem exagero. Sem esforço pra impressionar. Mas presente. — Você está bonita. Simples. Sem intenção escondida. Júlia sorriu. — Obrigada. O encontro foi no lugar pequeno. Nada sofisticado. Mas confortável. E, pela primeira vez em dias… Júlia não estava tensa. Conversaram. Sobre coisas simples. Vida. Trabalho. Histórias. Rafael escutava. De verdade. Sem interromper. Sem analisar. Sem medir cada reação. E aquilo… era novo. — Você parece mais leve hoje. Ele comentou. Júlia olhou pra ele. — Talvez eu esteja tentando. — Está funcionando. Ela sorriu. E, naquele momento… parecia suficiente. Depois do jantar, caminharam. Sem destino. Sem pressa. A rua estava mais silenciosa. O clima mais íntimo. Rafael parou. Virou levemente pra ela. — Posso segurar as suas mãos? A pergunta veio baixa. Diferente. Não era impulso. Era respeito. Júlia hesitou. Posso te dar um beijo? era mais difícil do que simplesmente ceder. Mas assentiu. Leve. O beijo começou devagar. Calmo. Sem urgência. Mas não ficou assim por muito tempo. Porque Júlia respondeu. De verdade. A mão dela subiu pela camisa dele. Segurando. Puxando mais perto. Sem perceber… ela aprofundou o beijo. Mais do que pretendia. Mais do que esperava. Rafael percebeu. E acompanhou. Mas sem dominar. Sem acelerar além do que ela dava. Quando se afastaram, a respiração dela estava irregular. — Eu achei que você fosse mais difícil. Ele disse com um sorriso leve. Júlia soltou um ar curto. — Eu também achei. Silêncio. E então… ela tomou a decisão. — Quer conhecer o meu apartamento? Rafael travou por um segundo. Surpreso. Mas não negou. — Quero. O percurso até a casa dela foi silencioso. Ela permaneceu imóvel só observando a rua. Ele focado em dirigir.. ocasionalmente olhava para ela. O apartamento estava silencioso. Fechado. Íntimo. Assim que a porta fechou… o clima mudou. Mais intenso. Mais próximo. Mais consciente. Júlia não esperou. Puxou ele pela camisa. E beijou. Mais forte dessa vez. Mais urgente. Como se algo nela estivesse tentando provar alguma coisa. Ou esquecer. Rafael respondeu. Mas ainda controlado. Ainda atento. As mãos dele subiram pela cintura dela. Segurando. Sem invadir. Sem ultrapassar. Mas o corpo dela já estava mais entregue. Mais impulsivo. Ela puxou ele para mais perto. Sem espaço. Sem pausa. O beijo ficou mais intenso. Mais profundo. Mais carregado. E, aos poucos… o ritmo mudou. Mais quente. Mais físico. Mais próximo do limite. Até que— Rafael parou. De repente. Sem afastar completamente. Mas segurando. Júlia abriu os olhos. Confusa. — O que foi? Ele respirou fundo. — Nada. Silêncio. — Então por que você parou? A pergunta saiu direta. Sem filtro. Rafael soltou um pequeno riso. Baixo. — Porque eu quero continuar. Aquilo confundiu ainda mais. — Então continua. Ele balançou levemente a cabeça. — Eu só vou além… Pausa. — se você realmente quiser. Silêncio. Pesado. Diferente de tudo que ela tinha vivido com Pedro. — Eu chamei você pra subir. — Eu sei. Ele segurou o olhar dela. — Mas isso não significa que você decidiu. Aquilo bateu. Forte. Porque, pela primeira vez… alguém não estava tomando a decisão por ela. Nem puxando. Nem dominando. Só… esperando. Júlia ficou em silêncio. E percebeu. Que com Rafael… ela não reagia. Ela escolhia. E isso… era mais difícil do que qualquer outra coisa. 🔥 CORTE PARA PEDRO (OBSESSÃO) Pedro não estava calmo. Nem perto disso. O celular na mão. A tela acesa. Sem resposta. Ele releu a mensagem. Mais uma vez. E então ligou. Chamou. Sem resposta. Aquilo não era normal. Nada daquilo era. Ele abriu o sistema. Procurou. E encontrou. Saída antecipada. Registro. E depois… imagem. Homem (Rafael) Com ela. O olhar de Pedro escureceu. Na hora. — Então é isso. A voz saiu baixa. Controlada. Mas carregada. Não era só ciúme. Era algo mais profundo. Mais fixo. Mais… perigoso. GANCHO FINAL Júlia ainda estava parada. Na frente de Rafael. O coração acelerado. Mas agora por outro motivo. Escolha. De verdade. O celular vibrou. Ela nem precisava olhar. Mas olhou. Pedro: “onde você está?” Silêncio. E então— “Isso não acabou.” Júlia engoliu seco. Porque agora… não era mais sobre o que estava acontecendo. Era sobre quem ela estava se tornando.
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