Uma das coisas mais linda em Paris é ver as luzes da torre Eiffel à noite, deixa um ar mágico no ar.
— Chega pra você, Ben. — Meus irmãos estão de briguinha como sempre.— Você nem devia estar bebendo, não tem idade para isso.
— Para de ser chato, Leopold.— Ben diz irritado.
Como irmão mais velho resolvo o problema colocando o resto de vinho na minha taça, assim terminando com a briga.
— Satisfeitos?
Os dois se olham e viram para mim.
— Muito satisfeito.— Leo diz.— Agora conta o que te deixou com a cabeça nas nuvens o dia todo.
— Onde está querendo chegar, Leopold?— Pergunto.
Leo não gostava de ser chamado de Leopold, costumamos usar isso para o irritar.
— Leo, será que esqueceu que a formatura e aniversário de certo alguém está chegando.— Ben o cutuca.
— Como ia esquecer... Athena.— Leo me dá um sorriso presunçoso.
— Vocês dois não estavam brigando à um segundo atrás.
— Quando vai se declarar, irmão?— Leo pergunta.
— Declarar? — Tento disfarçar.— De que bobagem está falando?
— Vai tentar essa pra cima de mim, Oliver... pra cima de mim.— Leo debocha.
— Chega aparecer anjinhos cantando quando você olha para ela, tipo naquela cenas bregas de comédia romântica.— Ben diz.
— Engraçado como os dois se acertam rapidinho para pegar no meu pé.
Eu não queria deixar escancarado meus sentimentos por Athena, por que sabia que não era algo recíproco. Só que era difícil esconder algo dos meus irmãos, por mais que Leo e Ben vivessem de implicância, nós éramos bem unidos.
— Nós já percebemos.— Leo diz.
— E a mamãe também.— Ben completa.
— Dona Emma sempre sabe das coisas. — Suspiro.
— Não que você disfarce m*l, nós que te conhecemos bem demais. — Leo brinca.
— Athena é minha melhor amiga, não é algo fácil assim... e ela não me vê desse jeito.
— Se o papai conquistou nossa mãe com ele entrando na terceira idade, você consegue. A mãe sempre diz que herdamos o charme do nosso pai.— Leo diz.
— Que o papai não escute você chamando ele de velho.— Tenho que rir.
— Mas o papai é velho.— Ben diz.— Um velho conservado, mesmo assim velho.
Nós três caímos na gargalhada.
— Tá querendo ser deserdado, Ben.
Nosso pai odiava ser chamado de velho, acho que pegou trauma, tia Betina me contou que nossa mãe inventava um jeito diferente todo dia de o chamar de velho. Hoje em dia tem pavor disso, ainda mais quando dizem como a mãe é jovem e bonita, afinal são vinte anos de diferença.
— Vou falar com a Athena na hora certa.— Digo.
— Como você vai ser Dom desse jeito, se tem medo de falar com a garota que gosta.— Leo fala.
Dou um longo suspiro, tinha medo da rejeição, que qualquer migalha era melhor do que não ter ela em minha vida.
— Quando você se apaixonar vai entender, as vezes o amor assusta.
— Tem medo dela não te querer como namorado e a perder como amiga?— Ben pergunta.
— Exatamente isso.
— Você não está pedindo ela em casamento.— Leo suspira.— Vão sair e começar a se conhecer melhor, não dificulte as coisas.
— Pelo contrário, Leo... eu amo de verdade a Athena, nunca consegui olhar para outra mulher.— Tomo um longo gole de vinho.— Prefiro assistir a felicidade da Athena ao seu lado como amigo, do que tentar algo e ela me afastar.
— Esqueci que você é quase um príncipe saído dos contos de fadas.— Leo debocha.
— Todos nós somos príncipes...— Ben gargalha.— Não é assim que nos chamam os príncipes de Paris... os maiores partidos das Máfias.
— Orgulho da senhora Emma Lynch.— Completo.
— Mas o príncipe mesmo é o Oli, o príncipe das sombras.— Leo debocha.
Fiquei conhecido como Príncipe das Sombras, por dois motivos, príncipe por ser educado e cortês demais para um mafioso, e a parte das sombras vem do meu pai. Bernard Lynch é conhecido por "Governante das Sombras", meu pai nunca foi muito adepto do uso da força, sempre usou a manipulação ao seu favor, ele controla praticamente a França toda das sombras, daí o apelido.
[...]
Estavamos no jatinho chegando na Itália, hoje é a formatura da Athena, ele fez questão que viesse, não somente eu, minha família toda. Uma pena que Damon e nem Anya estarão presentes, sinto falta de quando nos reunimos todos nós, mas não é uma boa ideia botar Damon e Reinier juntos no mesmo lugar.
Mal posso esperar para ver Athena, tenho certeza que ela estará linda, não tem como estar menos que deslumbrante.
Já dormi com outras mulheres, várias pra ser mais exato, muitas vezes na esperança de esquecer Athena. Pensava que me envolvendo com outras pessoas podia esquecer ela, me abrir para novos relacionamentos. Foi só eu me enganado, meu corpo podia aceitar outras mulheres, mas meu coração não aceitava ninguém além de Athena. Quando ainda não ficava com mulheres que me lembravam vagamente ela, todos dizem que prefiro loiras.
A cerimônia de formatura foi algo mais familiar, estou na casa dos D'Angelos para a festa, o primeiro a ver é Reinier.
— Como vai parceiro?— Ele aperta sua mão.
— Bem e você?
— Bem também... Athena está se trocando daqui a pouco desce.— Reinier pega dois copos de bebida me entregando um.— Como andam as coisa?
— Na França bem...— Sabia onde Reinier queria chegar.
— Em San Petesburgo?
— Olha... o Damon perguntou de você.— Tomo um gole da bebida.
— E a... a... Anya?
Reinier sempre me perguntava da Anya quando ia para a Rússia, minha irmã, a Mila, era casada com um tio da Anya.
— Nem tocou no seu nome.
Reinier suspira.
— Ela não quer mesmo saber de mim.
— Você quebrou o coração dela, mas que normal ela nem querer ouvir seu nome.— Digo.
— Nem pude me desculpar direito, e meus pais me proibiram de ir para a Rússia... mamma então arrancaria meu couro.
— Mesmo se teus pais não proibissem, era você colocar os pés em San Petesburgo que Damon e seus primos te faziam de comida de peixe.
— Será?
— Se você lembra bem como o Damon é, sabe que nem precisaria considerar a hipótese.
— Wallerius não são conhecidos por não serem calmos.— Reinier resmunga.
— Oli... — Athena me abraça por trás.— Para me incomodar meu amigo, a Anya não quer saber de ti.— Ela joga na cara.
— Para de querer monopolizar o Oliver.— Reinier repreende a irmã.
— O Oli é meu. — Athena mostra a língua para ele.
— Não sei como você aguenta ela.— Reinier suspira.
— Já me acostumei.— Athena se agarra mais em mim.
— Me dá um pouco.— Ela pega meu copo.
— Você não tem idade para beber.— Reinier pega no pé da irmã.
— Tenho quase dezoito.
Quando escuto isso um arrepio percorre meu corpo... Athena não podia lembrar daquela promessa estúpida.
Eu não saberia me controlar se algo acontecesse entre nós, nem sei se controlaria todo esse desejo que tenho escondido por ela. Passei toda a minha adolescência reprimindo minha fome dela... o que aconteceria depois de a provar?
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