Completo fracassado

1056 Palavras
Ramon On Quando Thamires me falou do nosso filho eu só fiquei pensando em como queria pegar meu moleque nos braços e dizer que sou seu pai e o amo. Mas já viu né, uma notícia boa sempre vem acompanhada de uma péssima. Tô aqui no pé do morro de Paraisopolis e espero sinceramente encontrar meu moleque vivo, senão faço esse morro pegar fogo. - Ceifador o menor informante disse que já localizou o pivete. Quando escuto isso sobe a adrenalina. - Beleza, então agora vamos entrar pelas laterais e nada de atirar em inocente. Mas quem tiver com arma na mão e pra descer o aço tem do. Dito e feito. O menor que estava nos ajudando era menor mesmo. Ele veio ao nosso encontro e caralhö nem acreditei. Menino deve ter uns 13 anos. Mau conseguia carregar o fuzil. Os cara aqui tá comediante mesmo. Ele já vem pro meu lado todo na miúda. - E aí beleza. Ce e o pai do menino lá né? Nossa menino tá alucinado. Você precisa correr. Espero que seus soldados seja bom. Ele olha pra todos e para olhando o grandão. - Valeu mulecote por nos ajudar. Ele abaixa o olhar ao escutar o grandão falando. - Quem dera alguém ter me salvo desse inferno aqui. Tenho 11 anos e já perdi a fé na vida. Tô aqui só esperando a morte chegar. Aquilo me partiu o coração. Seguimos rápido ao cativeiro e realmente o menino era bom na estratégia. Subimos o morro em uns 60 Homem e nem parecia que estávamos ali. Mas no cativeiro estava uma tropa na segurança. Realmente eles querem mesmo oque minha mulher pegou. Os tiros correndo a solta e o menino me puxa pra pegar meu filho. Foi ali diante daquela cena que meu mundo parou. Meu filho preso a correntes. Envolto de vomito e o fedor de merda está insuportável. Estava mole e sem cor. Meu maxilar travou e eu o soltei, segurei em meus braços. E ele começou a tremer. - Cara vamos, ele tá tendo uma overdose. Meus soldados foram de Escolta e o menino nos guiando e a todo momento preocupado com meu Maximiliano. Ali eu vi que teria mais uma responsabilidade. 💭Esse menino não fica mais um dia aqui. Ele me ajudou com meu filho e vou ajudar ele. Sinto algo arder minhas costas e essa pancada já conheço, foi um tiro. Ignoro qualquer dor, pois preciso salvar meu filho. Graças ao colete consigo prosseguir. Em poucos minutos estamos fora e um carro nos aguarda. Vejo ao longe meus soldados saindo da favela e entrarem nos carros. Parti do dali deixando a sombra de destruição pra trás. Um recado que ninguém meche com minha família. Olhava meu garoto ali entre a vida e a morte em meus braços. Cada segundo contava. Não me contive e chorei e falei com alguém que a tempos não falo. - Deus sei que não falo muito com o senhor. Mas hoje quero te pedir pela vida do meu filho e da minha Thamires. Cuida deles meu Deus. Não deixa eu perder as únicas coisas boas que tenho nessa vida. Olhei e o menor estava observando tudo pelo caminho. Seus olhos brilhando com admiração. Max fica mole em meus braços e eu me desespero. - ACELERAR. MEU FILHO Saímos cortando tudo e no avião minha irmã já estava com a equipe toda de prontidão. O carro para e o grandão pega meu filho e sai correndo. Diguinho vem ao meu encontro - Irmão ele vai ficar bem. Vamos ver esse ferimento. Olho o menor dentro do carro. - Ei menor. Vem, desce aí. Ele desce e olha tudo. O garoto destemido da favela agora deu espaço pra um garoto acanhado - Eu vou voltar pra favela irmão. Cuida do seu filho e se cuida. - De forma alguma. Qual seu nome ? Ele fica calado e pensa e responde. - Menor. Vapor. favelado. Ladrão. Pode escolher Olho pro Diguinho e ele entende que preciso que ele cuide da situação. Entro no avião e no mesmo instante me arrependo Eles estão tentando reanimar meu filho. Dou um grito - NAOOOOOOOOOOO Minha irmã vem e me abraça - Se acalme. Se acalme. O grandão chorava desesperado também. Os médicos continuam os procedimentos de reanimação e nada. Desci do avião e me ajoelhei olhando para o céu - Deus tenha misericórdia de mim. Sei que sou um pecador, mas meu filho não. Ele não meu Deus. Tenha misericórdia de mim meu Deus. Como vou viver pra contar isso a mãe dele que nesse momento também luta pela vida em algum lugar. Caio no chão e fico ali tentado entender oque estava acontecendo Jamais imaginei ser pai. Muito menos ver um filho morrer diante de meus olhos. - Deus cuida do meu filho. Me leve e deixe ele aqui meu Deus. A dor me consumia segundo após segundo. Ninguém dizia nada e eu não tinha forças pra sair dali. Era meu filho, era minha mulher. Só Deus por mim nesse momento Vejo o médico se aproxima junto a minha irmã. Antes deles dizer algo thamires me liga. Deus ela corria perigo e mesmo assim se preocupava conosco Mentir pra ela foi a coisa mais dolorosa que fiz. Quando ela me disse que me amava e que eu seria um ótimo pai eu queria morrer ali mesmo. Suas palavras não saem da minha mente "Oi amor. Só liguei pra dizer que te amo. Se caso eu não sair viva dessa merda eu vou morrer feliz, pois juntei meus dois amores e sei que você será um ótimo pai. Depois de você eu não tive ninguém, me guardei para um novo amor, mas não encontrei, pois você nunca vai deixar de ganhar meu amor. Só promete me amar para sempre e cuidar do fruto do nosso amor?" Não segurei as lágrimas e um choro contido saiu alto. Ela tenta me acalmar quando eu quem devia estar fazendo isso. Me sinto um completo fracassado. Como o temido ceifador não conseguir nem proteger quem amava. Como vou olhar nos olhos dela e dizer que menti é que vi nosso filho ali e não consegui fazer nada. Me desespero quando escuto tiros e a ligação fica muda Olho pra minha irmã parada diante de mim e apenas balanço a cabeça.
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