Vidigal

1105 Palavras
MORRO DO VIDIGAL Todos me chamam de Ceifador. Sou o chefe do vidigal. Claro que foram anos nessa vida pra conseguir ter esse vulgo e o respeito que tenho hoje. Aos meus 22 anos fui obrigado a assumir o comando, e claro não tive escolha. O comando manda e nós obedece. Não respeitar uma ordem direta do comando e considerado traição. Nem sempre morei no morro, sou formado em direito e administração, mais o destino tem dessas coisas. Sou moleque solto, depois de anos nessa vida decidi que o amor não é pra mim. Hoje o único amor que tenho é por minha irmã Camilla e por minha mãe Irene, que graças as loucuras do meu pai que o capeta lhe tenha no inferno, está internada numa clínica psiquiátrica. Dedico minha vida a elas, afinal são as únicas que me apoiou quando eu mais precisei e preciso. Minha irmã esta se graduando em direito criminal. Se liga nessa ideia, eu bandido e minha irmãzinha advogada. Camilla sempre foi uma menina esforçada, falo menina mais ele é apenas 2 anos mais nova que eu. Minha mãe tirou nos do morro, mais o morro não saiu de nós. Nosso querido pai fez questão de até na sua morte nos arrastar pra cá. Mesmo no comando do morro eu ainda estudei e me formei. Sou igual camaleão, vou me adaptando a tudo. Uso meu nome de advogado pra me infiltrar e colher informações. Os mesmo cara que tenta me derrubar, me passa as informações. Hoje em dia e mais tranquilo, mais isso aqui já foi um verdadeiro inferno. O sr. Morte, arrancava tudo do pessoal da comunidade, é eu hoje luto pra eles ter mais. Não sou o príncipe encantado e nem o Salvador. Sou o temido ceifador, o cara que hoje passa por cima de qualquer um pra proteger seu morro e quem ama. Mais agora preciso resolver umas coisas, já que todo dia na favela é uma bagulho doido. - Fala seus puto, como tá as coisas por aqui? Deve tá suave demais né não!? Tão até tricotando igual marica. Já cheguei no barracão colocando espanto. Diguinho e JP estavam lá no maior papo. Eles são meus companheiros desde o tempo do asfalto, largaram tudo conforto de playboy pra viver no morro. - Que isso chefe. Só estávamos conversando sobre o baile da futura advogada do morro. Satisfação ver a Camilinha pronta pra advogar. Mina esforçada, merece demais. - Hiiii ala Diguinho, tá de quatro pela patroinha. Tirei a arma da cintura e coloquei sobre a mesa, fazendo maior barulho. - Po ceifador, desse jeito tu mata nós do coração. - Calma JP isso aqui é só pra camarada folgado. Odeio esses gavião de olho na minha irmã. JP começou a rir da cara do Diguinho e eu me segurando pra não rir também. O clima já estava tranquilo quando o tsunami Camila entra. - Ceifador, preciso falar contigo. Pela cara lá vem bronca. Olhei e os meninos foram saindo. - Fala - Nossa que Grosso. - Vamos que tô sem tempo. - Irmão eu tô pensando em ir morar no asfalto. Meu apartamento ficou pronto, daqui uns dias me formo oficialmente e quero seguir minha vida. Já tenho 31 anos e está na hora de voar. Olhei pra ela e nem acreditei. - p***a, não dava pra esperar eu chegar em casa? Esse assunto me fazia m*l. Da última vez que ela saiu de perto de mim, os rival do SP fizeram ela refém e bateram demais nela. Me sinto culpado até hoje. E agora ela me mete essa. - Aqui é mais fácil, já que você nunca está em casa. Ou é aqui ou na casa de uma das suas c****a, sendo assim preferi vim aqui. Ela tem razão, eu nem fico mais em casa. Agora é só aqui na boca ou com alguma marmita. - Tá bom Camilla. Vamos fazer assim, tu pega seu escritório e vaza do morro. Ela nem me respondeu nada e saiu. Abri uma gaveta e aí foi carreira atrás de carreira. Adriele uma das marmita entrou toda cheia de si. Mina novinha cara, 19 aninhos e ama senta aqui pro bandido. Como não sou mane já coloquei pra conferi, meti sem do mesmo. Mina chorou no colo do pai. - Aiiii amor, vai devagar. Com carinho vida. Essas mina acha que vai ter carinho? Que nada. O modo bandido ativa na hora que elas chega de conversinha. Odeio esse mina querer tirar bandido de mane. - Que p***a de amor. Cala a boca e geme pro bandido. Estava quase acabando quando batem na porta. Nem liguei e continuei. Tava doido de tanto pó e whisky. Peguei pesado mesmo. Terminei e mandei vaza. - Amorzinho, preciso de dinheiro pra comprar roupa nova pro baile. Olhei e nem acreditei. Joguei umas notas na mesa e ela saiu rindo. Nem parece a vadi@ que estava chorando momentos atrás. Quando fui me vesti que percebi a merda que acabei de fazer. Nem deu tempo de pensar e Diguinho entrou. - Desculpe ceifador entrar assim. Mais o assunto e sério. Pegaram nossos caras e estão querendo mandar pra cadeia dos rivais. Se isso acontecer é guerra parceiro. Cadê aquele advogado de merda, ele é bem pago pra proteger os caras lá dentro. Nós cuida da segurança e ele das burocracia. Bati a mão na mesa puto de ódio. Se aquele dotorzinho acha que pode comigo, vou lhe mostra o caos. Sai dali e fui pra casa. Troquei de roupa e fui pro asfalto. Cheguei na porta do prédio e quando ia entrar alguém esbarrou em mim. Aquele olhar eu reconheço. Coração do bandido bateu maior forte. Balancei a cabeça e entrei no prédio sem ser anunciado. 💭 Devo estar doido ainda. Aquela não pode ser ela. Entrei na sala do dr. e me sentei esperando ele voltar. Velho chegou com uns negócios na mão e levou maior susto ao me ver. - Senhor Meireles, faz oque por aqui? Ele guardou as coisas no armário e se sentou. - Resolve essa merda de transferência hoje ou meu cliente vai destruir você e a mim. Eu só aceitei essa parceria entre nossos escritórios pois você é o maior do país. Resolva essa merda ou farei algumas ligações que acabaram com todo seu prestígio. Antes dele responder ela entrou. Sim, é ela. Sua voz não é mais tão doce, mais sim, é ela. Me mantive de costas, jamais teria coragem de a olhar nos olhos. Meu anjo, minha Angel. As vezes penso se foi amor ou só me apeguei a ideia de ter sido seu primeiro.
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