Século XIX
Na Catedral
-Giocondo, por que o padre nos chamou aqui, não vamos nos casar tão cedo?! - Pergunta Isabelle.
-Não faço ideia meu amor, talvez ele queira que antecipemos a data.
-Pode ser, -ela dá de ombros. —Sabe, sempre fico muito impressionada com esta arquitetura; veja, tudo aqui faz referência ao número 11. Muito interessante!
-Sim, a beleza desta catedral é de tirar o fôlego. Vamos nos casar aqui, será um grande evento!
O padre limpa a garganta para indicar que está se aproximando.
Desculpe-me, padre, estávamos tão encantados com o nave da Catedral que não notamos sua presença. -Isabelle fala.
-Por favor, venha comigo até o salão principal. Não quero que nos ouça.- após se acomodarem num banco, o padre começa:
—Vou direto ao ponto. Por que vocês não se casam logo? Eu não tenho boas notícias!
-Mas o que aconteceu?- Isabelle se espanta.
-Meus queridos. Não sei o que aconteceu com vocês. Mas recebi um confessionário, dizendo que os viu sozinhos em algumas ocasiões. Incluindo visitas da moça fora de hora na mansão; você sabe o que isso significa?
-Não é verdade. Nunca estivemos sozinhos em lugar algum. - diz Giocondo
-Meu namorado está falando a verdade padre, alguém está tentando nos separar!
—Meus filhos, eu sou um padre velho. Eu vi vocês crescerem. Mas sei que os namorados querem ficar sozinhos. Quem me avisou disse que era para o bem de vocês, não foi um segredo de confissão, mas conversamos lá pela privacidade. Se essa conversa chegar aos lábios da cidade, vocês estarão em apuros.
—Então essa pessoa mentiu dentro da casa de Deus. Se nos conhece, sabe que não mentimos.
—O fato é que sendo mentira o
verdade, ela já foi inserida na mente dessa pessoa. Não sei qual é sua intenção, mas tome cuidado.
Eu aconselharia a jovem Isabelle ficar fora da cidade por algum tempo. Ela poderia ir para um colégio interno e passar o período até seu aniversário de dezenove anos.
- Padre, seriam dois anos longe de minha família, longe do meu noivo. Sem contar que meus pais não têm condições de pagar no momento um colégio para internas, eu já cumprir o período normal (colegial).
-Mas então, casem-se logo!
-Não posso padre. Minha fábrica está em uma situação delicada e meu pai está doente. Não é o momento ideal.
—Mas então, por que você ficou noivo?
—Porque eu a amo. Quero garantir seu futuro, mas quero que aproveite sua juventude com seus pais.
-Há algo errado com você, meu jovem? Se lhe acontecer uma fatalidade, ninguém mais vai querer se casar com ela. Não vou discutir mais; os chamei aqui para avisá-los.- O padre é enfático—Já disse, Se isso se espalhar, até seus negócios estarão em risco. Você perderá a credibilidade.
-Obrigado padre por nos avisar, veremos o que podemos fazer.
Isabelle e Giocondo foram para casa. Eles seriam vistos mais tarde.
Na casa de Isabelle
-Mamãe, o padre teve uma conversa desagradável conosco. Parece que estão nos caluniando e tentando nos separar. O padre me disse para ir para um colégio interno até completar dezenove anos. Se eu fizer isso, temo que Giocondo rompa o noivado.
-Minha filha, não chore. O padre não está errado, tampouco está certo. Sabemos de nossas condições financeiras, não seria possível entrar em um colégio interno agora.
-Se Giocondo a ama, ele saberá entender o que pretendemos evitar.
—Não mamãe, prometo que vamos evitar conversas particulares. Só nos encontremos quando vocês estiverem juntos. -Hoje por exemplo, não deveriam ter ido à igreja sozinhos. Talvez, já estejam dizendo que algo aconteceu e foram pedir conselhos ao padre. Acho que há um interesse em que o casamento de vocês não ocorra.
-Oh, mamãe, não me diga isso! Eu vou morrer se não me casar com ele.
-Não diga bobagens. Você pode passar o inverno com sua prima Valeska na Itália. Não seria tão r**m. Ela apreciaria sua presença. Dessa forma, ficaria menos exposta por um tempo. Pense e diga-me para lhe enviar um mensageiro.- após um breve segundo, Isabelle decide.
-Sim, mamãe. Talvez seja bom para todos. Giocondo precisa estar na fábrica e cuidar de seu pai. Eu só iria atrapalhar. Mande o mensageiro.
-Decisão sábia!
Mas essa decisão, só abriu a porta para que o malvado Heringuer espalhasse a notícia de que Isabelle estaria fugindo das coisas ruins que haviam feito. O ordinário sócio do Giocondo, estava conversando com pessoas e pedindo segredo, sendo assim, elas sairiam aumentado o falatório na sua versão.elas contavam sua versão.
Naquela época, não era bom para as famílias se associarem a pessoas desonrosas. Isso só começaria afetar cada vez mais as finanças do pai da moça ao ponto de levá-lo à ruína completa. A coisa certa a fazer seria casar imediatamente os dois antes que tudo fosse levado pela correnteza do m*l.
[...]
A despedida de Isabelle
Isabelle se despede de seu noivo na presença de seus pais. Uma dama à acompanharia na viagem. Elas foram de trem. Suas lágrimas corriam como um rio triste e sombrio. Giocondo se sentiu impotente diante da situação e tentou preservar sua inocência. Ele tentaria descobrir quem havia iniciado essa conversa infame. Mas o pior ainda estava por vir... Heringer estava planejando desgraçar sua reputação enquanto Isabelle estava fora.
-Adeus, papai, adeus, mamãe. Serão longos dias, não sei se conseguirei suportar. Cuide do meu noivo, veja se ele precisa de alguma coisa. -Giocondo estava do lado de fora enquanto se despediam
-Minha filha, seu pai e eu ajudaremos no que pudermos seu noivo. Você sabe que ele não gosta de pedir ajuda. Tenha certeza de que estará de volta quando a poeira baixar. Até logo.
Isabelle se despediu de todos com um beijo e embarcou no trem para a Itália.
[...]
Na fábrica do Ruschel ....
—Veja Abgail quem finalmente veio visitar sua fábrica!
Bem-vindo, caro Giocondo. -Heringer fala em um tom sarcástico.
-Bom dia, Sr. Heringer. Sempre serei bem-vindo em minha fábrica. E não faz muito tempo que estive aqui, o colocamos nesta posição justamente para me substituir quando necessário.
-Mas é o olho do dono que engorda o gado. -Você conhece esse ditado?
-Vamos deixar o ditado de lado por enquanto. -Meu pai não está bem. Estou sozinho para cuidar dele.
Os empregados ajudam no que podem. Mas ele não aceita.
-Sinto muito por seu pai. Mas sua noiva não o ajuda?
-Minha noiva tem suas próprias ocupações, todos sabe que não podemos ficar sozinhos; as pessoas maldosas costumam deturpar tudo. Há línguas venenosas soltas sr. Heringer; além disso, Isabelle viajou.
-Eu entendo perfeitamente. As pessoas falam do que não vêem. Desejo o melhor para seu pai.
—Agradeço sua preocupação. Vamos ao que interessa?
Giocondo sentiu o veneno nas palavras do sócio. Ele não perdeu tempo em destilar. Heringer não podia perder tempo, queria apagar de uma vez por todas a presença do novo presidente. Então, de posse de um remédio obtido de um médico inescrupuloso, ele entregou a sua cúmplice Abgail para colocar na bebida. Heringer queria mostrar ao conselho que Giocondo, assim como seu pai, não conseguia mais cuidar dos negócios. Sem Isabelle por perto, tudo seria mais fácil. O plano desde o início fora premeditado.
-Giocondo, nada como um bom drinque para relaxar e nos fazer pensar melhor. Vou tomar uma dose,-diz Heringer.
-Acho que vou aceitar também, realmente preciso de algo para me relaxar.
- Vou pedir copos limpos para a Sra. Abigail. Volto já!- diz Heringer.
O maligno sócio sai levando no bolso uma cápsula contendo um remédio para dopar Giocondo.
-Aqui está. Vou lhe servir um Brand especial.- diz Heringer, entregando o copo com o medicamento.
Havia alguns papéis que precisavam ser assinados. Mas havia uma cláusula não especificada que daria plenos poderes à Heringer.
-Heringer, são esses os papéis que precisam ser assinados? -pergunta Giocondo
-Sim, mas não precisa ser agora. Vamos fazer um tour pela fábrica. Quero que você veja as novas peças que chegaram.
Eles caminharam entre os trabalhadores da fábrica. Giocondo parecia lento e disperso; os funcionários perceberam que algo estava errado. Ele começou a falar de forma diferente, como se estivesse bêbado. Heringer havia armado para que todos vissem que Giocondo estava cambaleando por estar bêbado na fábrica. Heringer o levou para assinar os papéis.
A dura batalha começaria...
...
[...]
A Chegada na Itália
Isabelle e sua dama de companhia fizerem uma boa viagem. Veneza parecia aos seus olhos. Lhe trouxera lembranças de sua amado ao ver casais desfrutando no passeio de gôndolas com suas promessas de amor.
Sua prima e tios a esperavam na estação de trem ansiosos.
Sua prima Waleska sorria feliz ao ver sua presença na janela do trem que apitava. Como ela não tinha irmã, apenas irmãos, a presença de Isabelle lhe traria muita diversão.
A mãe de Isabelle não havia contado à sua cunhada o verdadeiro motivo pelo qual enviara sua filha para longe de Soluthur; apenas disse numa carta que Isabelle precisava passear bastante antes do casamento, pois seu noivo, andava muito ocupado com assuntos de família.
-Isabelle, que alegria! Seja bem-vinda à nossa Veneza.- Seu tio Anastazio, irmão do seu pai fala enquanto pega suas malas.
-Estou muito feliz meus tios. Nunca havia estado aqui. Senti muito a falta de vocês quando decidiram deixar Soluthur. vejo que a Waleska cresceu muito!-risos
-Olhe para você prima, quem está bem maior aqui? -Walesca fala correndo para abraçá-la —Mas vamos para a carruagem, vocês devem estar exaustas!
-Sim, confesso que estamos cansadas.
Mas antes, deixe-lhes apresentar a Srta. Wanda. Ela cuidará de mim nesta temporada na Itália.
—Bem-vinda, Srta. Wanda. Espero que goste daqui. - Herma fala apertando suas duas mãos.
Manter Isabelle na Itália por um período longo seria muito dispendioso, ainda mais com uma dama de companhia; isso prejudicaria ainda mais os negócios de seu pai.
Elas seguiram a luxuosa mansão de seus tios nos arredores da cidade.
-Que bela propriedade vocês têm aqui meus tios.- Disse Isabelle, encantada.
— Sim, é uma propriedade muito antiga que comprei das mãos de um aristocrata falido.-Anastazio falava como se fora algo normal ver a desgraça de alguém.
—Apesar de ser um pouco distante da cidade, não encontrei nada por um preço tão em conta. - Seu tio completa enquanto olha para seu relógio de bolso.
—Isabelle querida, a Walesca tem amigos abastados por Veneza, precisa ver suas propriedades. Mas eles costumam vir aqui, preferem o burburinho da cidade. Geralmente se encontram nos saraus quando vamos para nossa outra residência na cidade. A Walesca aprecia muito a companhia de amigos.
-Eu imagino tia, viver afastada do centro deve ser tedioso.
— Mas agora com você aqui prima, estou me sentindo segura que a diversão será completa. Poderemos conversar, passear, fazer piqueniques, podemos dar até um baile!!- Walesca fala empolgada enquanto dança pela varanda.
-Claro, prima- Isabelle ri do seu entusiasmo.
Elas entram no salão principal admirando a mansão cercada eucaliptos desde a entrada. A bela arquitetura renascentista deixa o ambiente nostálgico. Dentro da mansão, os móveis eram ricamente ornados com flores encrustada na própria madeira, coisa de artesão profissional. Havia pinturas de artistas da época muito talentosos. Os objetos valiosos estavam espalhados pelo ambiente de luxo.
Isabelle e sua dama foram para seus quartos descansar. Mais tarde naquela noite, ela escreveria para seus pais e seu noivo para informá-los de que havia chegado em segurança.
A carta para Giocondo
Meu amado noivo,
Chegamos em segurança na bela Veneza. Não tive tempo ainda de ver nada pela cidade, chegamos tarde. Estava cansada demais da viagem, mas meus pensamentos estavam em Soluthur.
Estou com o coração partido por deixá-lo sozinho neste momento. Assim que puder, escreva-me informando sobre a saúde do meu futuro sogro. Cuide-se!
Você sempre estará comigo onde quer que eu esteja.
Com amor, Isabelle Marrie".
Isabelle e sua dama foram chamadas para jantar. Elas entram na sala, a mesa estava impecável. Enquanto comiam, falavam um pouco sobre tudo; as últimas notícias do Cantão de Solothur que seus tios haviam deixado alguns anos. Após o jantar foram ouvir Waleska tocar piano. Foi uma noite muito agradável para todos.
No dia seguinte...
Isabelle entrega as cartas ao mensageiro que as enviaria .
Ela se esforça aparentar felicidade desfrutando da companhia de sua família, mas no fundo está preocupada pela situação em casa e com seu noivo.
Isabelle vê a possibilidade de seu tio os ajudarem financeiramente, já que possue uma fortuna considerável. Assim que retornasse pediria ao pai que fosse até lá conversar com Anastazio.
Durante a madrugada, Isabelle saudades de casa. Ela sonha como será seu casamento com Giocondo. O dia nasce com os raios tímidos do sol entrando pela fresta da cortina, ela se dá conta que não dormiu a noite inteira,mas valeu a pena cada minuto mergulhada nos sonhos em estar nos braços do amado.