Capítulo 13 - Azul

1294 Palavras
pov. Eris Se ele estava pensando que eu iria ficar aqui nessa sala ele estava muito enganado. Esperei que se afastasse e sai da sala tentando o acompanhar sem ser pisoteada pelos alunos que corriam para se abrigar. Braços impediram que eu caísse e me suspenderam, fiquei assustada mas sair do meio da multidão foi um alívio. - Eris, está afim de morrer? Eles não enxergam! - era Gabriel visivelmente irritado, eu sabia que eles não me enxergariam nem se tentassem. - Desculpe. Mas disseram que houve uma invasão. - omiti quem havia me dito, ele estava preocupado. Estavamos contra a parede do lado de fora da academia longe o bastante dos alunos revoltos e da confusão nos muros. - Deveria estar se protegendo. Você pode se machucar seriamente. - fiz bico, odiava ser vista como fraca pelos outros. Cruzei os braços a frente do corpo. - Se não vai comigo, eu vou sozinha. - dei dois passos para fora e ele segurou em meu braço me fazendo parar. - Não seja teimosa, não vou deixar você ir. - segurou meu outro braço aproximando seu corpo enorme do meu, prendi a respiração. - Então tente. - tirei minhas forças para o empurrar e sai correndo em direção aos muros, é obvio que eu não fui muito longe, seus braços rodearam minha cintura um pouco mais distante do que eu pensei. Mesmo não tendo conseguido chegar onde queria notei que não precisava, a luta iria acontecer ali, um Telecto entre Victor e Ruan. O fogo de Victor dançava ao seu redor com uma certa majestosidade e delicadeza, o fogo que saia de Ruan era algo feral, bruto mostrava força e exigia temor. Meu corpo tremeu, Gabriel afrouxou o aperto e me colocou no chão me arrastando para um canto, correr agora tiraria a atenção dos soldados. - Que droga, estamos bem no meio do fogo cruzado Eris. - eu podia ver suas veias tomando colorações arroxeadas em sua pele clara. - Eu tenho que ir ajudar, não faça nenhuma loucura por todos os sols. Ele saiu me deixando sozinha encostada a uma parede descascada, os soldados apontavam as armas para o Telecto enquanto os dois dominadores do fogo tapavam suas prováveis rotas de fuga, Gabriel se aproximava com seu elemento serpenteando o corpo e se pos atrás de Victor como uma segunda parede. Alguma coisa estava errada, o Telecto não parecia apreensivo e muito menos encurralado, forcei minha mente de encontro a sua, sei que ele percebeu posis agora esta olhando para todos os lados. Uma barreira forte, descarto os números mais baixos e me concentro mais, um pouco mais fundo. Silenciador com habilidades extras. Eu sou louca, a partir do momento que fugi de Oncep eu sabia exatamente disso mas quando meu corpo começou a se mover sozinho entre os soldados constatei que além disso eu não tenho amor a minha própria vida. - Seu melhor soldado é uma criança? ! - ele gritou, senti os braços tentando me impedir e a voz de Victor, Gabriel, Ruan e Tavarres gritando para que eu me afastasse. Não fiz. - Eris? Belo nome, seus amigos sentiram saudades. Ele forçou seu poder em mim como um campo magnético que me atraia, era a telecinese. Sorri abaixando o capuz e o encarando, seus olhos espantados mostravam que ele sabia bem com o que estava lutando. Um campo de força foi formado em torno de nós, balas, elementos e vozes se chocavam contra ele enquanto nos encaravamos, ele não era muito alto mas tinha habilidades. Me posicionei para uma luta justa espalmando a mão minha frente em forma de defesa e mantendo o punho baixo próximo ao meu estômago, ele fez o mesmo. Uma luta entre Telectos. Vai morrer. Veremos... Ele avançou mirando o meu estômago que eu rapidamente defendi com a mão em punho, com a espalmada bati em sua nuca o deixando desconcentrado. Ele urrou, trocamos de lado. Os olhos brigando em uma luta mais sangrenta do que os nossos punhos. Ele avançou novamente vindo em direção ao meu rosto, desviei me abaixando e lhe passando uma rasteira. Eu de fato ganharia se a luta continuasse justa, mas não foi isso que aconteceu. Ele usou o silêncio para impedir que eu usasse minhas atribuições, usou a telecinese para intensificar seus ataques e a defesa. Fui atingida diversas vezes e acabei no chão, ele rindo ao meu lado e eu tentando me levantar como uma criança que caiu enquanto brincava de rodar no próprio eixo. - Fique ai. Seu lugar é ai, Zero. - a raiva me tomou com força, eu odiei ouvir essa frase pela segunda vez e ficar calada. Senti minhas veias ferverem como se o sangue estivesse agitado a ponto de queimar minha pele. Meu corpo levantou sem esforço, os olhos ardendo e as veias queimando. Eu pude desgustar o seu medo na ponta da língua, eu estava a beira da loucura. Ele fez um escudo em sua mente, usei da minha refração para o quebrar com um chute, sempre que ele usava a telecinese ou sua atribuição do silêncio em mim eu usava a refração para quebrar. Eu chutava e dava socos que estavam deixando seu corpo horrivelmente marcado, seu olhar de temor quando me aproximei e minha mente penetrou na sua quebrando as defesas e invadindo cada mísero espaço. Eu via seus comandantes, as ordens, os planos. Seus gritos de dor massageavam meu ego com doçura, era um tormento ter alguém em sua mente, uma dor indescritível até para os Intelectos. A barreira se quebrou como se fosse vidro, ninguém ousou se aproximar de nós dois, armas abaixadas, vozes silenciadas e elementos retraídos. Era apenas eu e ele ali, agora eu entendi o que Tavarres tinha dito sobre sua esposa, a loucura nos consumia até afogar a alma e acredite levar alguem consigo parecia perfeito mas eu não sou uma assassina. Me afastei desviando meus olhos dele, a quebra de contatato fez com que ele caisse inconsciente. - Eris, suas veias estão azuis. - era a voz de Victor, embora eu não pudesse ve-lo. Imaginei que estivesse atrás de mim. Senti todo o meu corpo despencar sobre um par de braços mas minha visão estava turva o suficiente para evitar que eu visse o dono. Você vai ficar bem, baixinha. [···] Acordei sobre uma maca, a mesma de quando eu cheguei aqui. Passei a mão em meus cabelos e me sentei sobre ela ouvindo alguns xingamentos que não sairam da minha boca. - Tampinha! Você quase me matou de susto! - Victor estava sentado em uma cadeira próximo a maca. - Teimosa, eu mandei ficar escondida. - era Gabriel que aparecia de algum canto escondido da sala. - Deixem ela, não viram como ela foi incrível? Parabéns, baixinha. - o Ruan estava encostado na porta. - Eu estava azul? - perguntei deixando os comentários de lado. - Estava, brilhando igual um Elemental. - Victor sorria fascinado, parecia ter encontrado água subterrânea. - Foi lindo. Quer dizer, o Ruan tem razão. Embora tenha sido uma idiotice você foi incrível. O Victor nos contou um pouco sobre você, explicou o motivo de acharmos que você era uma sem número. - Gabriel estava em pé ao meu lado e massageou minha mão que estava escondida entre a coberta branca. - Bom, acho que ela precisa descansar. - Ruan parecia incomodado com a presença do Victor e me lembrei que os dois não são melhores amigos. - Podem voltar as aulas,eu vou cuidar dela. - Victor sorriu convencido, Ruan acenou e Gabriel beijou minha testa sumindo pelas portas duplas da enfermaria. - Parece que temos uma integrante forte no GEC. - o olhar de Victor escondia alguma coisa triste, me forcei para ignorar.
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