CARLA NARRANDO CONTINUAÇÃO.. — Arruma essa merda aí — eu rosnei da porta, ainda com o dinheiro apertado na mão. — E não esquece que daqui a pouquinho você tem que trabalhar. A Jasmine ficou plantada no meio do quarto, com o rosto molhado, os olhos inchados, e aquele ar de santo que me irrita desde criança. Eu nem esperei resposta. Bati a porta com força e desci as escadas, sentindo as cédulas estalarem no meu punho. Quase seis mil. Dinheiro bom, dinheiro vivo. Sorri. Hoje eu ia pro cassino. Ia bater cabelo com vestido novo, unha feita, salto que canta no piso. Quem me tira, hein? Na cozinha, liguei a cafeteira velha. O cheiro de café subiu rápido, forte, me acordando mais do que esporro. Coloquei açúcar, mexi devagar, experimentei com a colher. Aquele amargo gostoso na língua. “Hoje

