— Chega! — Arfo. — Se der mais uma rebolada eu vou acabar me sujando aqui e não vai ser legal... — Ela sorri mostrando a fileira de dentes perfeitamente corretos. Não sei porque tenho a sensação que já vi esse sorriso... Me afasto, indo em direção ao bar. Precisava urgentemente de uma dose da coisa mais forte que eles tiverem. Agora eu sei porque os furacões tem nomes de mulher.
Cara, ela é um dos piores e devia ser classificada na categoria 5.
"Completamente devastadora".
Passamos praticamente uma hora dançando (lê-se: Ela me provocando, eu ficando duro e quase gozando no meio da pista). Sim, eu sai antes que isso acontecesse, estou todo de preto e com uma calça malditamente apertada e que não ajuda nenhum pouco a minha situação. Não sei onde Ricardo e Eduardo se meteram, espero que estejam melhor que eu.
Vamos lá, parceiro. Colabora e se acalma aí.
Estou conversando com meu p*u mesmo, e daí?
O barman coloca o copo no balcão e eu já o viro. Eu tenho que descobrir quem é ela. É questão de honra agora. Olho em volta e vejo ela ir para o lado de fora. Vai fugir de novo? Não acredito! Acho que eu tomei um copo d'água do dilúvio no lugar de Whisky. Só pode.
Rapidamente, sigo seus passos. A brisa do lado de fora bate calmamente em mim e eu relaxo um pouco. Seus cabelos estavam postos para frente, deixando sua nuca e parte de suas costas expostas. Isso é tortura, tudo nela pede uma mordida, um beijo...
— Pensou que eu tinha fugido novamente? — Sua voz rouca estava meio embargada. Me sentei na grama, ao seu lado. Os saltos pretos estavam em seu colo e seus pés cobertos pela meia 7/8. Ela soltou o ar e me encarou. Seus olhos negros me arrepiaram e ela sorriu sem mostrar os dentes. Controle-se, homem!
— Aquelas mulheres... — Isso, seu b***a! Troca de assunto como um adolescente nervoso. Novamente seu olhar cai em mim e ela funga, parecia gripada. Sua cabeça balança, afirmando.
— São minhas amigas. — Diz. — As duas, somos um trio. — Completa e volta a admirar a lua. Nem tinha reparado na lua, ela estava cheia e gigante. Fascinante como tantas coisas nessa noite. Como ela.
— Vocês andam por ai mascaradas, invadindo casas, prendendo os homens e dando orgasmos à eles? — A risada dela é sonora e alta. Os fios castanhos se mexem enquanto ela ri da minha cara. Ei! Ela estava rindo da minha cara! Mas, essa era a realidade. Ela invadiu a minha casa e me fez quase entrar no paraíso. Tudo bem que foi com aquela música irritante de fundo... Que está na minha cabeça até agora.
I juust can't stoooooop...
— Não, não. — Ela pensa um pouco antes de começar a falar. — Nós nos interessamos em vocês. Fomos treinadas para seduzir... — Suspirou e riu irônica. Acho que arregalei os olhos porque ela bufou e tornou a falar. — Antes que pergunte, não somos prostitutas. Eu me interessei por você e resolvi fazer aquilo. — Deu de ombros como se não importasse muito e eu lhe encarei boquiaberto.
Meu Deus, de onde essa garota saiu?
— Porque lavou a minha louça? — Pergunto e ela faz uma careta. Dessa vez sou eu que dou risada.
Ela passa a língua nos lábios e olha para o horizonte, sorrindo. Nem eu esperava perguntar isso...
— Você é bem bagunceiro, eu não tinha nada mais importante para fazer e aqueles pratos estavam gritando "me lave". — Rimos. Ela encarou novamente a lua e me fitou. — A lua é encantadora. Hora está gigante e brilhante, outra ela diminuí e seu brilho se torna completamente fosco. — Me aproximo dela, seu rosto vira e seu olhar encontra o meu. — Acho que vou riscar "Beijar o Zorro sob a luz da lua cheia" da minha lista. - Dou uma risada e colo nossos lábios.
O beijo começou suave, apenas lábios conhecendo um ao outro. Aos poucos, ela subiu em meu colo e eu me deitei na grama sintética. Seu cabelo caindo para o lado e seus lábios nos meus. Sua língua estava com gosto de vodka e doce... Algum drink que desconheço. Mordeu meu lábio inferior, puxando-o devagar. Essa maldita máscara que me impede de ver seu rosto... Levo calmamente minha mão até o laço dessa coisa que não me deixa saber quem ela é. E como um gato que leva um balde de água fria, ela pula do meu colo, se afastando o máximo que pode. Céus, ela fez ginástica acrobática?
Passou o pulso nos lábios borrados de batom, limpando.
Sorriu maldosa, balançando a cabeça negativamente.
— Porque você quer tanto saber quem eu sou? Não está satisfeito com o império de modelos que comanda e todas que já passaram por sua cama? — Seu tom é nocivo. Franzo meu cenho e cruzo os braços. Então ela sabe muito da minha vida...
— Como sabe que eu saio com modelos? — Ela se assusta, suas mãos correm para a mini bolsa que carrega a tira-colo. —Vai fazer oque? Pegar uma arma? Sou mais forte e vou acabar arrancando sua máscara. — Dou risada, fingindo tremer. Ela ergue um spray, lendo rapidamente e afirmando com a cabeça. Isso é hora de passar laquê?. Solta o ar, parecendo arrependida.
— Pensei que seria fácil, que iríamos poder aproveitar a noite, conversar... — A cada palavra ela se aproximava mais. Eu não conseguia ir embora, era como se ela estivesse me prendendo. Seu sorriso, seu cheiro, o gosto de seus lábios agora em minha boca. Tudo. — Porque tem que ser um garoto tão m*l, Samuel? — A pronúncia do meu nome de forma tão erótica faz meu amiguinho de baixo despertar. Fecho os olhos, tentando me controlar ao máximo. Estamos á um passo de distância.
— O que vai fazer? — Eu sei que é doentio, mas eu estava e******o com a ideia de ser punido por ela. O seu sorriso aumenta. Ela é a personificação da luxúria. Suas unhas passeiam por meu rosto, acariciam levemente.
— Te punir por ser tão delicioso. — Ah, sério. Isso de novo? Ela põe o braço no nariz, tampando-o e aperta o spray. Ao mesmo tempo eu respiro e tudo fica escuro, a última coisa que vejo são aqueles olhos negros cobertos por sua máscara.
Minha cabeça gira e dói ao mesmo tempo. A última lembrança que tenho é daquele bendito spray na minha cara. Ela não se cansa de fazer isso? Alguém tem que avisá-la que ver estrelas desse modo não é nenhum pouco legal.
Lentamente, abro meus olhos. A iluminação estava muito forte comparada a da última vez, oque incomodou minha vista, me fazendo levantar a mão e querer coçar o olhos... Que obviamente está presa... Coço meus olhos e bocejo.
Espera. Eu coçei meus olhos... Encaro minhas mãos soltas e dou risada.
Eu estou solto!
Olho ao redor. É o meu quarto de hotel, minha cama, eu estou solto e deitadinho... De roupa. Oque aconteceu? Ela não me puniu? Sem dança? Nem umas palmadinhas a lá Christian Grey versão femme fatale?
Bufo, forçando minha memória. Eu tenho que lembrar daquela Afrodite, tenho de recordar cada detalhe do que aconteceu. Minha máscara de Zorro estava no chão, juntamente com a minha camiseta e braceletes. Minhas calças e cueca estavam no lugar e para a minha infelicidade: limpas. Não me vem nada a mente, parece que tudo que houve depois de ficar desacordado, simplesmente desapareceu.
Vou tomar um banho, esfriar a cabeça, procurar os caras... Levanto da cama com a maior lentidão, estou com uma p**a ressaca. Parece que uma manada de filhotes-elefantes brincaram de pula-pula em cima de mim. Um papel em um tom vermelho-claro chama minha atenção. Rapidamente, tomo ele em minhas mãos, como uma criança ansiosa em noite de natal.
Abro-o e já sorrio. A letra dela era fascinante, como a própria.
Bom dia, Sam.
Irei te chamar assim e pronto. Creio que não lembra de muita coisa sobre ontem, mas, se assegure que a nossa noite foi ótima. Isso significa que você estava acordado e sim, estava completamente solto, n********a não é minha praia. Essa foi a nossa primeira e última noite, guardarei cada detalhe comigo, cada toque, cada palavra. Não lhe perturbarei mais, não te amarrarei ou irei invadir alguma propriedade sua. É uma promessa. Mesmo a contra-gosto te deixarei em paz, por mais que minha vontade seja de rasgar esse papel agora, acordar você e te fazer revirar os olhos em súplicas prazerosas novamente.
Foi um prazer te conhecer, Cetim.
Fechos os olhos, tentando absorver cada palavra. Essa mulher vai me enlouquecer. Vou parar em um sanatório, preso á uma camisa de forças, dopado e falando coisas desconexas como "máscara, linda, Afrodite". Sim, era para eu estar feliz, pulando de alegria por aí. Porém, sinto um vazio inexplicável. É como se ela tivesse arrancado parte de mim. Caio sentado na cama. É doloroso. Solto o ar e olho novamente para o pedaço de papel em minha mão. Porque sinto como se estivesse quebrado?
Não posso ter me apaixonado por alguém que m*l sei como é o rosto. Ajeito-me na cama, batendo em algo. Um som começa e eu vejo que acabei sentando em cima do controle do sistema de som. Ao lado do controle, outro pequeno bilhete escrito:
Escute-me com atenção.
Jogo o peso do meu corpo na cama, tento relaxar e refletir ao som da música que ela escolheu.
Porque é feitiço
Que feitiço malvado
E embora eu sei que é estritamente tabu
Quando você desperta a necessidade em mim
Meu coração diz sim, com certeza, em mim
Prossiga com o que você está me fazendo
É um papo tão antigo
Mas um que eu nunca iria mudar
Porque não há melhor bruxa do que você
Witchcraft do Frank Sinatra soa nas pequenas caixas de som espalhadas pelo quarto. Minha risada é alta e espontânea. Reclamei com ela sobre seu gosto musical e aquela maluca põe uma música que descreve tudo tão bem. Minhas pálpebras pesam, é uma das provas de que eu realmente estava acordado de madrugada. Bocejo e quando estou pronto para hibernar como um urso pardo no inverno, gordo e bem alimentado, uma batida na porta me faz bufar alto. Quem é? Eu preciso dormir!
Minha cara feia se desfaz quando abro a porta e encontro Ricardo e Eduardo. Ricardo tinha mordidas e arranhões espalhados pelo corpo, olheiras pesadas e uma cara nada boa. Já Edu, estava um trapo. Os fios claros que sempre andam bem alinhados, bagunçados. Os lábios machucados e o corpo também, bem judiado. O chapéu de cowboy, pendurado no cós da cueca boxer e um semblante sério e ao mesmo tempo, desesperado. Entraram no meu quarto como um furacão, quase me derrubando na entrada.
— Cara, você precisa nos ajudar. — Eles dizem em uníssono, me fazendo olhá-los erguendo uma sobrancelha. — Acho que fomos vítimas das amigas da sua "mascarada misteriosa". — Ricardo diz e eu começo a rir loucamente e não pretendo parar por um bom tempo.