O telefone de Elliot não parava.
Três acionistas já haviam lhe enviado a matéria por mensagem. Dois jornalistas o procuraram querendo “um comentário oficial”. A assessoria de imprensa da empresa ligava em loop, tentando entender se aquela bomba era real — e, se fosse, como apagá-la.
Mas o que mais doía era ver Camila encolhida no sofá da sala, com Ivy no colo, tentando sorrir para a bebê enquanto o celular dela vibrava com notificações agressivas.
— “O CEO perdeu o juízo.”
— “Imagina a mãe dela, deve ter ensinado direitinho.”
— “Claro que essa latina quer o dinheiro. Igual todas.”
— “Agora entendi por que ela queria ser babá...”
Camila jogou o celular de lado, os olhos marejados.
— Isso vai me destruir, Elliot. Eu sabia. Eu devia ter saído quando tive chance...
Ele se ajoelhou à frente dela.
— Ei. Olha pra mim. — Pegou seu rosto entre as mãos. — Você não vai a lugar nenhum. Eles não conhecem você. Eu conheço. Eu vi a forma como você cuida da Ivy. Como me olha. Como tenta esconder que tá morrendo de medo... mas fica.
— Porque eu não tenho pra onde ir — ela sussurrou.
— Tem sim. Tem pra mim. E se você deixar, tem pra nós.
A voz dele era firme. E verdadeira.
Mas antes que pudessem dizer mais, a campainha tocou.
E, do lado de fora da porta, flashes começaram a iluminar as janelas.
A imprensa havia chegado.
— Droga — Elliot murmurou, afastando-se da janela. — Eles não perderam tempo.
Camila se levantou rápido, o coração disparado.
— Vão tirar fotos da Ivy. Vão falar dela...
— Não vão. — Ele pegou Ivy no colo e a levou até o andar de cima. Voltou minutos depois, mais sério do que nunca.
— Já falei com o meu assessor. Vamos emitir um comunicado. Oficial. Quero encerrar isso antes que tome proporções maiores.
— Vai dizer o quê?
Elliot respirou fundo.
— Que estamos juntos. Que nossa relação começou depois que você foi contratada, que não há qualquer quebra de conduta, e que todas as acusações são infundadas.
Camila arregalou os olhos.
— Vai... assumir isso publicamente?
— Sim.
Ela piscou, surpresa.
— Mas... e sua imagem? Seus negócios?
— Prefiro perder contratos do que perder você.
Camila sentiu a garganta fechar. As lágrimas vieram antes que pudesse segurar.
— Elliot...
— Shh. — Ele se aproximou, a voz baixa. — Eu não vou te deixar sozinha nisso.
E então a abraçou com força.
Mas, do lado de fora, as câmeras continuavam a registrar. E do outro lado da cidade, Chelsea assistia tudo de seu apartamento com um sorriso nos lábios... e mais um trunfo na manga.
Porque o escândalo estava longe de terminar.