Episódio 2

638 Palavras
Arte — Eu a deixei. ​​Confessei, colocando o copo de uísque na mesa de mármore. Papai levantou os olhos da cadeira de couro e fechou o livro que fingia ler desde que cheguei. Ele havia se aposentado dos negócios anos atrás, deixando todos os empreendimentos para mim. Sempre que eu tinha um problema, eu sempre recorria aos seus conselhos, mesmo que o brilho nos seus olhos me condenasse como um julgamento. — A Laura? Ele perguntou com uma voz profunda. Eu tinha certeza de que a minha confissão pareceria uma completa estu*pidez para ele. Eu assenti. Passei a mão na nuca, tenso e exausto. Como se o peso daquela decisão estivesse me quebrando por dentro, mesmo que eu tentasse parecer firme. — Faltam poucos dias para o casamento. Com o casamento mais coberto pela mídia do ano. Com a mulher que você escolheu? Ele apoiou os cotovelos nos joelhos, olhando para mim como se eu fosse uma criança que tivesse acabado de quebrar algo insubstituível. — Posso perguntar por que dia*bos você fez isso? Levantei-me. Andei pela sala. Eu não entendia o motivo, mas o meu coração estava em turbulência. — Porque Camila voltou. Papai não disse nada. Ele apenas estreitou os olhos, como se não conseguisse entender se eu estava falando sério ou se ele tinha me perdido completamente. O meu romance com Camila naquela época era muito problemático, e o meu pai sempre preferiu Laura entre todas as minhas parceiras. — Camila? — Sim. Ela. O meu primeiro amor. A mulher que Laura tirou de mim com as suas mentiras anos atrás. Parei em frente à janela, olhando para as luzes da cidade como se ali eu pudesse encontrar respostas que não tenho. — Você não pode fazer isso com a Laira. — Pai… Laura destruiu tudo o que eu sentia por Camila. Ela me manipulou. Ela encheu a minha cabeça com dúvidas, com mentiras. Pensei que Camila tivesse me deixado, mas não foi o caso. — E você percebeu isso agora, pouco antes de se casar? Virei-me, incomodada com o seu tom. Mas, no fundo, eu sabia que ele estava certo. — Descobri há algumas semanas. Camila está doente. Não tenho tempo para pensar no que é certo ou conveniente. Não posso deixá-la novamente. Desta vez devo ficar ao lado dela e torná-la a minha esposa. Papai recostou-se na poltrona. Observei ele respirar fundo, como se tentasse encontrar as palavras certas para lidar com os problemas do filho mais velho. — Você tem certeza? Ele me perguntou. — Sim. Eu menti. Ou talvez não. Eu não sabia mais o que era certeza e o que era culpa disfarçada de amor. — Sinto muito, você e Laura pareciam tão apaixonados. Fiquei triste ao ouvir isso. Porque, sim, nós éramos. Ou algo assim. Porque, sim, eu ia me casar com ela, e sim, houve momentos em que pensei que isso era o suficiente. Até Camila retornar. Até que vi os seus olhos novamente. Até que percebi tudo nunca superei. — Não somos mais. Respondi friamente. — Ela mentiu para mim. Ela me manipulou e não posso me casar com alguém que construiu o nosso relacionamento com base na traição. — Só espero que você não se arrependa. Disse o meu pai, tomando um gole de uísque sem tirar os olhos de mim. — Porque se você faz isso por nostalgia, culpa ou querendo salvar alguém que não pode mais ser salvo, você vai perder mais do que imagina. Não respondi, porque parte de mim tinha medo de que ele estivesse certo. Camila não mentiria para mim. A mentirosa era Laura. Não havia como voltar atrás, eu já tinha escolhido. Eu já tinha destruído tudo com a minha ex-noiva. Agora, tudo o que restava era caminhar pelos escombros e rezar para não acabar soterrado por eles.
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