Arte Recebi alta no terceiro dia. Os médicos repetiam que tinha sido um milagre: sem fraturas, sem hematomas internos, apenas ferimentos superficiais, desidratação e uma contusão grave na cabeça. Tive sorte. Foi o que disseram. Mas eu não acreditava em sorte. Eu acreditava em Laura. Na força do seu amor e das suas orações. O carro seguiu pela rodovia e eu observei as árvores passarem em flashes verdes. Minha mãe sentou-se ao meu lado, com as mãos entrelaçadas no colo e a expressão serena. O meu pai dirigia em silêncio, mas o seu olhar se fixou no retrovisor mais de uma vez para se certificar de que eu estava bem. — Tem certeza de que está confortável? Perguntou a minha mãe. — Estou bem. Só quero ir para casa. Ela assentiu gentilmente e olhou pela janela. A viagem não foi longa, mas t

