Julie
Fiquei bastante surpresa com a visita de Neal, não sei como ele descobriu que entendo de música mas com certeza eu não iria negar isso ao chefe da minha mãe, sem contar que ele deve pagar muito bem e esse dinheiro irá me ajudar muito e pensando bem, talvez eu consiga entender o que foi que aconteceu naquele telhado.
Telefone toca
J - Alô
L – Oi Julie
J – Oi Luna, tudo bem?
L – Tudo sim, eu queria saber se posso passar ai na sua casa mais tarde pra gente fazer alguma coisa juntas sei lá
J – Ah hoje não vai dá Luna, arrumei uma aula extra pra hoje a noite mas a gente pode marcar pra amanhã se ainda quiser
L – Aula extra? A noite? Com quem?
J - Você não conhece, tenho que ir amanhã a gente se fala, tchau
Desligo o telefone e vou me arrumar, vou até o banheiro tomar um banho relaxante e lavar meus cabelos preto e compridos, em seguida saio do banho enrolada na toalha e vou até o quarto, pego um vestido básico caidinho com as alças caídas azul claro com umas florzinhas brancas, ponho uma sandália baixa nos pés e seco o meu cabelo depois prendo em um coque. Depois de pronta vou até a cozinha preparar um sanduiche e um copo de suco, tomo o lanche e vou escovar os dentes, antes de sair deixo um bilhete pra Dona Rosana não se preocupar atoa.
Dona Rosana, você vive me dizendo pra agarrar todas oportunidades e foi o que eu fiz, surgiu um aluno novo e eu fui dar aula para ele, não se preocupe já já estarei em casa. beijo
Me dirijo até a casa de Neal que não era bem uma casa e sim um apartamento em um prédio enorme por sinal, chego na portaria me identifico e o porteiro me deixa subir mas antes avisa Neal que já estava no prédio.
P – Ele está a sua espera, pode subir senhorita
J – Muito obrigada senhor
Vou até o elevador e subo até o décimo sexto andar, o meu medo de altura me fez ficar ainda mais nervosa dentro daquele elevador sentindo ele ir pra cima cada vez mais. Depois de 15 andares finalmente o elevador ia parar, já me sentia livre quando as portas se abriram, sai do elevador e fui andando até o apartamento 160, fiquei parada na porta na tentativa de recuperar o fôlego mas logo vejo ela se abrindo.
N – Vai ficar parada aí ou vai entrar?
J – Desculpe, eu estava tentando não parecer nervosa mas é vamos lá
N – Me mostre o que você sabe e eu te mostrarei o que escondo ha ha
J – Olha, estou ansiosa ... não acredito, você tem um piano (digo em tom de surpresa)
N – Sim, era do meu pai foi com ele que eu aprendi a tocar mas desde que ele morreu eu não toquei mais no piano até descobrir que você dava aula de música
J – Fico feliz que esteja querendo voltar a tocar só acho que não desaprendeu só precisa de um pouco de prática e modéstia parte acho que sou a pessoa certa para te ajudar
N – Não tenho dúvidas, com essa voz encantadora que tens (diz sussurando)
J – O que disse?
N – Aceita alguma coisa pra beber? Água? Suco?
J – Um copo de água antes da aula seria bom
N – Ok, só um minuto que já volto
1 MINUTO DEPOIS
N – Aqui está, tá bem gelada espero que não tenha problema
J - Não, tudo bem. Podemos começar, me mostra o que você lembra
N – Ok, só não vale rir de mim em
J – Claro que não, aqui vou ser bem profissional pode confiar em mim
N – Esta bem, estou pronto
Assim que Neal começa a tocar percebo que ele sabe muito bem o que está fazendo mesmo estando um pouco perdido e fora do tempo certo.
Neal
Logo que o seu Severino avisa que Julie está lá embaixo sinto meu corpo ficando tenso e minhas mãos começando a suar de nervoso, tento me controlar ao máximo para que a mesma não note o quanto a presença dela me deixa sem jeito. Autorizo a entrada dela e vou logo para a porta esperar a campainha tocar mas assim que ouço passos percebo que a mesma deu uma travada então vou abrindo a porta antes que ela pense em desistir e vai embora.
Convido-a para entrar e começarmos a tal aula logo mas o que eu queria mesmo era ouvir aquela voz doce e delicada novamente. Depois de tanto bate papo finalmente começo a tocar mas a reação dela me deixa confuso, será que ela está me achando ridículo ou até que não está r**m.
N – Pela sua cara seus ouvidos estão implorando para mim parar
J – Na verdade você até que leva jeito mas está um pouquinho fora do ritmo, nada que eu não possa consertar com o tempo
N - Então o que estamos esperando, mãos á obra
Julie se senta ao meu lado e sua mão se encontra com a minha, logo sua voz estava aos meus ouvidos o que pra mim era como um remédio natural.
N – Mas e então Julie, como foi que você soube que era apaixonada por música?
J – Na verdade isso é bem engraçado por que eu não sei bem quando foi, só sei que eu adorava cantar e desde então resolvi aprender mais e mais sobre música até virar professora particular e dar aulas pra alguns amigos meus, principalmente a Luna
N – Foi lá que conheceu o tal Thomaz, certo?
J - É foi sim, conheci ele e Luna no ateliê e desde então não nos desgrudamos mais mesmo eu descobrindo que Luna é minha meia irmã
N – Essa parece uma história bem longa, gostaria de ouvir se não se importasse, conhecer a garota que está me dando aulas em meu apartamento não me parece uma má ideia já que ela é a única mulher que eu trouxe aqui
J - Você nunca trouxe uma mulher aqui? Porque?
N – Eu sou muito reservado, gosto do meu espaço e acredito que trazer algumas pessoas pra cá sem um propósito seria apenas perca de tempo
J – Nossa estou impressionada mas acho melhor focarmos na aula e depois conversamos, acredito que isso possa o distrair
N – Na verdade eu sou bem focado mas já que você é quem manda aqui eu vou obedecer
J – Ah que isso, não quis me mostrar insensível
N - Não se preocupe, gosto do teu jeito de pensar és focada e sabe o que está fazendo
J – Interessante seu modo de ver as coisas, não entendo porque minha mãe nunca fala do senhor
N – Ah que isso, senhor não pode me chamar de Neal ou você e eu também não sei o motivo mas tenho certeza que sua mãe deve achar melhor não misturar trabalho e vida pessoal né
J – Sim é exatamente assim, acho que ela prefere que eu fale da minha vida pessoal mas eu odeio esse assunto
N – Porque? Não gosta de falar de sentimentos ou algo do tipo?
J - É bem isso, prefiro deixar isso como uma parte pessoal minha que não precisa ser discutida
N – Acredito que ela só esteja preocupada, uma menina linda e inteligente como você não deveria estar sozinha
J – Me relacionar com alguém não é mais uma prioridade, quero muito
Focar na música e crescer nesse meio
N – Interessante seu ponto de vista, acho que tem grande chances de você ser uma música renomada
J – Seria mesmo um grande sonho a se realizar
N – E o que falta pra entrar numa escola de música que vai poder focar somente em você e no seu sonho?
J – Bom, você não deve saber mas essas escolas são bem caras e no momento eu não posso mesmo sempre dando minhas aulas não é o suficiente sabe
N – Eles devem ter um programa com uma bolsa não é?
J - É eles tem sim mas só uma vaga e a desse ano já está preenchida
N – Bom, quem sabe com a minha ajuda você não consiga se inscrever nessa escola em
J - Não, não posso aceitar sua ajuda só porque tem muito dinheiro
N – Na verdade eu estava falando do pagamento pelas minhas aulas, você não está fazendo nenhum favor muito pelo contrário, está fazendo seu trabalho e eu irei pagar por ele, justo não é?
J – Ah do jeito que você toca logo logo não irá mais precisar de mim e das aulas de música
N - Então fique aqui e me ensine algo novo, vou adorar aprender qualquer coisa com você
J – Bom e o que você gostaria de aprender então?
N – Essa é difícil acho que violão seria interessante e diferente
J – Escolha ousada mas eu gostei, vai ser bem longa essas aulas
N - É tudo o que eu quero
J – O que? Aprender a tocar violão?
N - Não, passar mais tempo com você
J – Ah ... eu
N – Calma, é que sua voz é como morfina ela tira todas minhas dores e me faz ficar calmo
J – Estou sem palavras
N – Eu imagino, não é algo que se escute assim de um estranho mas saiba que sua voz é realmente bela, fiquei impressionado quando ouvi da primeira vez
J – Muito obrigada, fico sem jeito até
N – Me desculpe, não queria lhe deixar envergonhada
J – Na verdade é que ninguém nunca me elogiou tanto assim, por isso fiquei sem reação mas agradeço mesmo, acho que eu já vou indo
N – Ah tem certeza? É que está tarde já e eu não posso deixar você ir embora sozinha a essa hora da noite é perigoso e seria irresponsável da minha parte
J – Eu estou de carro, acho que não tem perigo
N - Aí é que você se engana, infelizmente por aqui está tendo muita onda de assalto por ser uma bairro nobre, a segurança tem deixado a desejar então é melhor evitar sair agora ainda mais sendo uma menina frágil como você
J – Entendi
N – Vamos fazer o seguinte a gente fica aqui conversando e daí quando pegar no sono você pode descansar no quarto de hóspedes e amanhã cedo sai sem correr riscos e quando tiver claro, se você se sentir confortável
J – Ah, tudo bem eu acho melhor escutar você né já que mora aqui e sabe das coisas
N – Que tal você tocar um pouco pra mim?
J – Claro, por que não
Julie começa a tocar piano e a cantar uma música baixinha, sua voz era realmente encantadora e pelo visto meu plano deu certo já me sinto cada vez mais sonolento.