CAPÍTULO 10: MINGAU DE MILHO

1547 Palavras
CAIO MONTENEGRO Eu não esperava que ela me procurasse quando o mundo dela desabasse, Mas vê-la nesse estado outra vez me deixa tão irritado, o que á deixou nesse estado?, se foi alguém eu vou garantir, que ele ou ela nunca mais abra os olhos ou a boca ou qualquer um dos seus orifícios sujos pra deixar a minha mulher nesse estado. — Você realmente está precisando de dinheiro né? Aquele som percorreu meu corpo como choque elétrico que trouxe meus sentidos de volta à vida. Helena abriu os olhos, aquelas orbes castanhas nubladas pela confusão e pelo sedativo, mas ainda assim... era ela. — O que pensou? Por que não pediu ao Lucas pra te levar ao hospital para ver seu pai ? Se seus seguranças não tivessem me avisado eu estaria com a cidade inteira atrás de você — eu disse, minha mão instintivamente prendendo a dela na cama, um gesto de posse que eu não conseguia controlar. — Não se preocupe, vou pagar seu dinheiro... — ela tentou se levantar, mas eu a pressionei suavemente contra o travesseiro me inclinando sobre ela, sentindo o cheiro de hospital misturado com o perfume natural daquela pele lisa, algo que estava me viciando. — É bom que pague, eu não sou tão bonzinho quanto pareço. — alguém mentiu bem pra você, você não parece nada bonzinho – ela respondeu sarcástica, mas fraca e claramente irritada. Sorri de lado, tentado deixa-la mais leve — Eu gosto desse sarcasmo, ele te deixa tão linda. — senhor Montenegro, estou um pouco cansada agora, podemos conversar uma outra hora ?. Não se preocupe, não vou fugir daqui eu não conseguiria nesse estado, e não desse hospital. Suspirei pesadamente, imaginando o que ouve pra ela estar nesse estado. — Helena – falei me sentando — Eu sinto muito, por tudo. Eu não sei o que está acontecendo agora com você, mas posso ficar aqui até tudo isso passar, posso ficar calado, posso ficar quieto, ou posso dançar pra você, eu quero que fique bem. Eu gosto de você e a essa altura você já sabe disso.Nada vai tocar você outra vez, qualquer coisa que tentar vai quebrar no meio do caminho. Eu esperava choque, talvez gratidão, ou até um tapa. Mas o rosto dela ficou pálido, uma máscara de terror que eu não soube interpretar. — Você está me assustando... — ela sussurrou, desviando o olhar. — Eu... eu não sinto o mesmo, Caio. Eu m*l te conheço. — Você terá todo o tempo do mundo — respondi, minha voz saindo mais rouca e feroz do que eu pretendia. — Mas terá esse tempo sob os meus olhos. O meu celular vibrou no bolso. Gudan. Um problema crítico na Holding, algo que envolvia os sócios minoritários e uma possível fraude. Eu não queria sair. Queria ficar ali, guardando o sono dela como um dragão guarda seu tesouro. — Eu preciso resolver uma coisa — avisei, beijando a testa dela com uma possessividade que fez seus ombros encolherem. — Não saia daqui. Há segurança na porta. Você é a pessoa mais importante deste hospital agora, Helena. Não esqueça disso. Saí em transe, minha mente dividida entre os milhões da Holding e o calor da mão dela. Resolvi os problemas por telefone e em reuniões rápidas no lobby do hospital, mas algo estava errado. Um pressentimento frio começou a subir pela minha nuca. Quarenta minutos depois, ignorei o elevador e subi as escadas correndo. Quando abri a porta do quarto, o meu mundo desabou. A cama estava vazia. Os lençóis, ainda quentes, eram o único rastro de que ela estivera ali. O soro estava desconectado, com uma gota de sangue manchando o lençol branco. — Helena? — chamei, minha voz saindo estrangulada. O silêncio me respondeu. O pânico, um monstro que eu pensei ter enterrado no dia do funeral de Heitor, cravou as garras no meu peito. Senti o ar faltar, as paredes de mármore do hospital pareciam estar se fechando sobre mim, enquanto meu coração martelava tão forte que eu sentia o pulso nas têmporas. — ONDE ELA ESTÁ?! — gritei para o corredor, fazendo os enfermeiros pararem, e os seguranças me correrem até mim . Eu estava à beira de uma crise de pânico e a sensação de perda era insuportável, era um vazio n***o que ameaçava me engolir. Eu tinha resolvido tudo, por que ela fugiu? — Encontrem-na! — rugi no celular, minha voz falhando pelo desespero. — Eu quero cada câmera dessa cidade revisada. Eu quero cada beco vasculhado. Se ela sumir... se algo acontecer com ela, eu juro que vou queimar este hospital com todos vocês dentro! Eu saí do hospital como um homem possuído. Ela achava que podia fugir? Ela não entendia que, no meu mundo, ninguém escapa de Caio Montenegro. Mas enquanto eu entrava no carro, o medo era maior que a raiva. O que ela não sabia era que, fora da minha gaiola, os lobos eram muito mais cruéis que eu. — senhor, ela está voltando pro apartamento – o segurança falou tentando me olhar do banco da frente. É claro que ela está voltando pro apartamento, é o único lugar seguro que ela conhece, pelo menos o único que ela sente que é dela. — vou buscá-la eu mesmo – falei discando o número no celular — Gudan, preciso de uma equipe médica competente pra ajudá-la com isso, psicólogo, psiquiatra tudo, tudo necessário. Desliguei o celular imaginando o que estava acontecendo na cabeça daquela pobretona geniosa. Por que no meio disso tudo, eu só queria que ela ficasse bem. A porta do apartamento estava fechada, mesmo com a tranca quebrada algo estava escorado na porta como se ela tivesse feito uma barreira no mundo dela. —Helena– falei empurrando a porta e o que estava atrás dela — vai embora – ela gritou irritada — eu não assinei nenhum contrato com você, então não temos nada além de uma dívida ainda. Franzi o cenho sentindo o cheiro de algo gostoso no ar, eu estava preocupado com ela e ela estava cozinhando? Entrei pela sala ouvindo o som da música clássica baixa que vinha da televisão, sentindo o cheiro de algo doce invadir ainda mais meu nariz. — está fazendo o quê? – perguntei me sentando na bancada. — não é da sua conta, vai embora – ela nem se virou pra responder — tem um pouco pra mim ? – tentei insistir, enquanto mandava uma mensagem para Gundan, precisava do contrato pra termos mais que uma dívida. — O que está fazendo aqui ? Eu já disse que vou pagar, e já disse que não sinto o mesmo por você, quero ficar sozinha agora por favor. Levantei-me da bancada suspirando pesado tentando não reagir ao que ela disse. — eu só quero ficar perto de você e... — isso é crime sabia ? A forma como me persegue e como me vigia, não pode me obrigar a gostar de você, mesmo que eu te deva muito isso não me obriga a nada, imagina se eu tivesse que me apaixonar por todos que devo !... Segurei-a pela cintura, puxando a contra mim, sentindo o calor do corpo dela queimar minhas mãos. Ela se virou, mas não pra tentar me abraçar, ela só encostou a cabeça em meu peito soluçando enquanto apertava meus terno. — Está doendo ? – perguntei sentindo a raiva invadir meu peito ao vê-la daquele jeito. — sim – ela respondeu com um miado quase inaudível — Vamos ao hospital? Perguntei afagando o cabelo dela com carinho. — não, eu não quero. Estou com fome, quero comer Finalmente sorri, sentindo meu corpo relaxar — o que quer ? Eu posso fazer pra você — estou fazendo mingau de milho, minha mãe fazia pra mim quando eu estava m*l , mas agora ela morreu, e eu sei fazer isso, e ela não era minha mãe e mentiu pra mim – as lágrimas dela molhavam minha camisa e meu peito apertava a ponto de quase explodir. — eu sei fazer isso– quebrei o silêncio enxugando as lágrimas dela — não sabia que ricos comiam mingau de milho – ela falou ainda me abraçando — Bem , eu não sei se eles comem, mas meu paladar tem bom gosto e eu prefiro mingau de milho verde a comer caracol Eu senti o sorriso dela se abrir e me senti o Batman por ser o causador de tal feito. — sente-se, vou fazer e podemos conversar — não tem nada melhor a fazer ? – ela perguntou ainda me segurando, enquanto eu aproveitava o toque dela — Não, agora vou cuidar de você. Tem um avental? Ela finalmente me olhou com os olhos vermelhos e eu me apaixonei ainda mais por aqueles olhos que eram um furacão. — tem sim, pode ficar com o meu. O sorriso dela era a coisa mais linda que eu já havia visto. Ela estava tão quebrada, cheia de problemas e preocupações e ainda sim era tão humilde e corajosa. — Tudo bem, pode se sentar – falei soltando os braços dela e desamarrando o avental dela — vou fazer o seu mingau , e depois vamos voltar a mansão. Ela não protestou, parecia finalmente ter sido vencida pelo cansaço.
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