GIULIA's POINT OF VIEW
MANSÃO DA FAMÍLIA RIZZO, CHICAGO,
01:34 AM
05 ANOS ATRÁS
─── Até que horas você vai ficar acordada olhando para isso aí, babe? ─── Dois braços envolvem minha cintura com carinho. Sentindo um rosto no meu pescoço, rio baixinho, tirando os olhos do quadro à minha frente para me virar de frente ao meu namorado. ─── Vou viajar em alguns dias e minha noiva m*l me dá atenção.
─── Se alguém que não te conhece te vê carente desse jeito não acredita.─── beijo seus lábios, sentindo eles descendo para o meu pescoço e suspiro. ─── Tenho uma semana para pensar em uma solução para esse caso. Fui massacrada na última audiência e tive todos os meus argumentos refutados pelo juiz.
Pisco lentamente, sentindo-me triste. Obviamente eu não devia me cobrar tanto pelo meu primeiro caso, mas aquele eu tinha certeza que poderia ganhar. Tinha provas em documentos, áudios, embora a única testemunha tivesse voltado atrás no seu depoimento.
─── Como assim?
Separo-me de Alessio. Puxo o inquérito policial mais uma vez, tentando ver se havia realmente deixado passar alguma informação importante mas estava tudo lá, grifado e anotado.
─── Tive todos os pedidos de protestos negados, além de ter sido interrompida várias vezes na minha hora de falar porque ou estava levando para o lado pessoal, ou aquilo não dizia respeito ao que estava sendo julgado. ─── Rio sem humor algum. Encaro o quadro mais uma vez, vendo a ligação das fotos, algumas anotações importantes. ─── Há dois dias a minha testemunha mais forte voltou atrás e disse que não iria mais depor. Ontem ele foi morto.... ─── Ouço Alessio suspirar, sentando-se na cadeira. ─── Com certeza foi queima de arquivo. Já é o terceiro desde assumi o caso.
─── Acha que Paolo foi quem mandou isso? E que assim como matou esses três, pode ter comprado o juiz para favorecer o seu lado?
─── É o mais provável. ─── Maneio a cabeça. ─── Se a gente parar para pensar bem ele não aceitou nenhum acordo, por mais favorável que fosse. Ele falou com tanta certeza que a empresa e todos os envolvidos no acidente seriam absolvidos que... parece que tudo já estava certo.
Esfrego o rosto, pegando o apagador para limpar uma parte do quadro e sentir como se estivesse prestes a perder tudo.
─── Vem aqui.
Não reluto. Caminho em passos lentos até meu noivo, com seus dedos se fechando em meus pulsos para me puxar mais para perto e então caio sentada no seu colo em questão de segundos. Logo seus dedos estão entrelaçando aos meus, com o polegar passando carinhosamente pela minha aliança.
─── Eu vou perder. ─── escapa, num murmúrio. ─── Eu já devia saber isso. É óbvio. O advogado deles é conhecido no meio por ser um dos mais podres do país, por isso tem tantos casos ganhos dentro desses 20 anos de carreira. Eu não posso contra isso...
Alessio ri. Olho-o brava, não entendo o que parecia ser tão engraçado na minha frustração.
─── Então é só você ser igual. ─── diz, explicando-se. ─── Não dá para lutar contra uma justiça corrupta e submissa só com provas concretas e o simples desejo de uma justiça justa. Amor, você sabe que não é assim que funciona.
─── Você quer dizer que...
─── Que está na hora de você parar de pensar como a Giulia, uma simples advogada iniciante e começar a pensar como a Giulia Rizzo, a advogada que estudou para ajudar família Rizzo. Inteligente, destemida, língua afiada e... futura esposa do chefe. ─── seu sussurro me faz rir. ─── Então pensa. Você sabe que não dá para esperar uma justiça justa em casos onde há tanto poder, porém você tem tanto quanto eles. O que a nossa Giulia faria em uma ocasião como essa?
─── Ela buscaria um por um e faria acontecer de qualquer jeito, independente da forma. ─── digo.
Sua mão direita aperta minha cintura, então me ajeito no seu colo, sentando de lado para poder encarar seu rosto direito. Os olhos castanhos brilhando me encaram com vigor e tudo que eu paro e penso é no quanto eu amava aquele garoto que mesmo a força tinha se tornado um homem cedo demais. Um dia ele já foi cheio de sonhos, vontades de seguir para longe dessa vida, porém não havia outra forma. Eu admirava demais como ele ainda assim não mudava nem um pouco comigo.
─── Você me deixa louco falando assim. ─── rio, mordendo seu lábio.
─── Você tem uma fetiches estranhos.─── comento, antes de me afastar um pouco.
Sua mão sobe pelo meu pescoço, segurando meu queixo com força quase me obrigado a encarar sua feição séria sem poder desviar. Existia em Alessio uma aura que emanava poder e frieza, que às vezes não condizia com suas atitudes reais. Ele só era um pouquinho fechado para quem não conhecia, mas todos que faziam parte da família (ainda que não fosse se sangue) sabia quem ele era de verdade. Ele podia não ser a melhor pessoa do mundo, a mais pura ou Santa, porém ainda sim não ia contra tudo que lhe havia sido ensinado e acreditava.
A família Rizzo podia ter todos os defeitos, mas nunca passavam por cima das virtudes. Existia um lema que me fazia muito prezar por fazer parte e que, de certa forma, me admirava. Aqui éramos todos por todos, independente da circunstância.
Respeito, fidelidade e união. Era o que dizia o brasão feito há mais de cem anos.
─── O que você vai fazer agora?
─── Ainda não tenho certeza, mas vou buscar a solução até amanhã de manhã. Vou convocar uma reunião mais tarde para dizer o quê pensei.
─── Vai precisar da nossa ajuda? ─── concordo, sorrindo de lado. ─── Ótimo, estaremos prontos para fazer o que a senhora mandar.
─── Senhora é?
─── Uhum, a futura senhora Rizzo. ─── beija meus lábios, sorrindo caloroso. ─── Não vejo a hora de oficializar no papel, porque fora dele já está certo.
─── Hum.. será? Vai que do nada aparece outra no meu lugar, não é?
Rio. Ele volta a tocar minha aliança, deixando um beijo no meu dedo anelar.
─── Respeito, fidelidade e união. ─── repete o lema, seriamente. ─── Somos fiéis em tudo que fazemos e acreditamos, inclusive no amor. Se não for você, não vai ser mais ninguém.
─── Acho bom mesmo viu, senhor Rizzo? ─── sorrio. ─── Porque eu sigo essa mesma sentença
(...)
NO DIA seguinte acordamos cedo. Marco uma reunião com Lucca e alguns soldaos às quatro, sabendo que eu só precisava deles para que pudesse fazer dar certo. O plano era muito simples e como eu tinha menos de uma semana, seria obrigada a agir o quanto antes.
Era óbvio que Paolo tinha comprado o juiz e, de alguma forma, o júri. Ainda não sabia dizer até que ponto a promotoria também poderia estar envolvida, mas por via dos fatos, minha única certeza era que eu deveria derrubar todos que estavam naquela banca, afim de conseguir mais tempo quando um novo julgamento fosse agendado.
─── Você ainda pretende fazer um acordo de indenização? ─── Lucca pergunta, assim que explico o que faríamos e como.
Contenho a respiração, sorrindo de lado quando encaro pela última vez as fotos da vítimas coladas no quadro. Antes esse caso não era tão pessoal como agora é.
─── Não, isso era quando eu queria jogar limpo. ─── murmuro, deitando a cabeça para o lado direito. ─── Mas ele quis jogar sujo, então não vou mais aliviar.
─── Você é completamente maluca.
Arqueio uma sobrancelha, rindo de canto.
─── Não é nada do que vocês já não tenham feito. Bem, espero que tenham entendido. Encontro vocês em 48 horas.
.
Dois dias depois, estou pousando dentro de uma das propriedades da família Rizzo. Ajeito os óculos de sol, sorrindo em agradecimento quando um dos seguranças estica a mão para me ajudar a descer as escadas do jato particular.
Puxo o ar para os pulmões, olhando as árvores que acompanhavam a pista de pouco mais longe e finalmente relaxo. Era bom estar em um lugar como esse.
─── A senhora deseja ir para casa?
─── Não. ─── confiro as horas no celular, verificando se não havia mensagem pendente de Alessio. ─── Todos chegaram?
─── Desde ontem, senhora.
─── Certo, vou direto para onde eles estão, então. Não pretendo enrolar muito.
Caminho em direção ao carro que já me esperava, abrindo a porta do fundo para poder me jogar ali enquanto seguiamos caminho até o lugar combinado.
Essa propriedade era a que eu menos visitava de todas. Teoricamente era quase que uma espécie de reserva natural, porém em nome da família do meu noivo que há anos se responsabilizava em "cuidar" da área para que não fosse desmatada ou invadida por caçadores de algumas espécies de animais. Também tinha alguns penhascos com vista retirar o fôlego. Lembro das poucas vezes que havia vindo Alessio me mostrando algumas delas.
A casa principal ficava praticamente no meio da reserva e era a mais rústica de todas. Embora nos últimos anos algumas mudanças tivessem sido feitas, ela continuava com a mesma elegância e essência de sempre.
Passamos um bom tempo no carro, porém em questão de bons minutos estamos próximo ao local combinado. Desço o automóvel, recusando a ajuda para caminhar pelo chão de terra, ainda que tivesse de saltos e sorrio quando vejo Lucca ali parado. Há uma pessoa ajoelhada ao seu lado, pulsos amarrados que me faz sorrir mais ainda quando reconheço a gravata afrouxada. Era fim de tarde, o sol estava caindo porém ainda pegava uma parte ali.
─── Demorou!
─── Já experimentou pegar um voo de última hora?
─── Não tem voo de última hora pra quem é rico e vem de jatinho particular, Giulia. ─── rio para o meu melhor amigo, rolando os olhos. ─── Eu e minha companhia estávamos cansados já.
─── Então vamos acabar logo com isso. Estou cansada e preciso urgentemente de um banho.
Aponto com a cabeça em direção ao homem, pedindo para que tirasse a venda dos seus olhos. Encosto-me no parapeito de madeira.
─── Olá, Meretíssimo. Está lembrado de mim?
Encaro o homem aos meus pés, deitando a cabeça para o lado ao vê-lo me arregalar os olhos e me observar de baixo para cima.
─── É ótimo de reencontrar aqui.
─── O-o que você está fazendo? Como ousa seque-
─── Oh, não não. Não é um sequestro, apenas te peguei emprestado por algumas horinhas. ─── balanço a cabeça em negação. ─── Espero que não tenha sido muito rude da minha parte. Eu costumo ser mais educada que isso em outras ocasiões. Acho que você entende, certo?
─── O quê você quer? Não tenho nada! Sabe o perigo que você está correndo comigo aqui? Eu sou um juiz conhecido, a essa hora todos já devem estar procurando por mi-
─── Não é isso que a sua mensagem diz. ─── busco o celular dele em meus bolsos, abrindo o aplicativo. ─── Aqui diz que você teve que se ausentar do trabalho por motivos pessoais e a sua esposa acha que nesse momento você deve estar em algum lugar a trabalho.
Balanço a tela na sua frente.
─── Aliás, você tem uma bela família.
─── O quê-... Como você sabe disso? Como conseguiu meu celular e por que estou aqui? Você vai me matar? Você não pode fazer isso.
Aquilo me faz rir. Agacho até ficar a altura dos teus olhos, não sentindo um pingo de dó ao ver algumas poucas lágrimas brotando por ali. No fundo, havia mais raiva do que medo.
─── Na verdade eu posso. ─── murmuro. ─── Mas não quero.... Ainda. Isso vai depender do quão esforçado você se mostrar em me ajudar. Sou uma mulher flexível, sabe? Gosto de negociar.
─── Fala o que você quer!
─── Recentemente nós tivemos aquele encontro desastroso no tribunal sobre o caso da empresa de transporte e os assassinatos cometidos por ela que, agora, está sendo acobertado por você, o juiz, e pelo júri também. ─── suspiro. ─── Eu estava tentando jogar limpo até então. Reuni evidências, provas, testemunhas. Fiz tudo direitinho para quando chegar no dia... bum!
─── E-eu...
Levanto a mão para impedir ele de dizer alguma coisa. Sinto seu celular vibrando no meu bolso e puxo para confere quem poderia ser. O nome da sua esposa aparece na tela, fazendo-me sorrir maldosa.
─── Eu deveria atender? ─── pergunto, em dúvida. ─── O que você acha que ela pensaria se eu fizesse isso?
─── N-nao faz isso, por favor. E-eu... eu não queria, não queria mesmo, mas o Paolo ele..
─── Te ofereceu boa grana e prometeu usar a influência para te conseguir algumas futuras promoções, eu sei... ─── Ele pisca repetidas vezes, parecendo atordoado. ─── O quê eu quero é simples. Quero que você peça afastamento do caso e denuncie Paolo por suborno. Preciso de toda a bancada do júri fora também.
─── M-mas se eu fizer isso minha carreira vai para o saco. P-por favor, eu não posso ir contra ele. ─── suplica.─── É impossível eu fazer uma denúncia sem cair junto!
Suspiro, levantando-me. Volto a encarar a vista, sinalizando para que Lucca o colocasse de pé também. Passo bons minutos em silêncio, gostando do vento frio que batia em meu rosto.
─── Eu gosto desse lugar embora não tenha vindo tantas vezes. É uma bela vista, não acha? ─── Batuco com as unhas na madeira, debruçando-me um pouco para tentar visualizar o chão lá em baixo. ─── É também dos pontos mais altos da reserva. Soube que tem cerca de cem metros em queda livre. O que me faz pensar que... Desconsiderando a resistência do ar, uma pessoa com a sua massa corporal deve cair por cerca de 20 segundos até encontrar o chão, certo? ─── Seu corpo é prensado contra o mesmo encosto que o meu, porém um pouco mais à beira do corrimão de madeira. ─── Parece pouco tempo, mas dizem que nos nossos últimos sete segundos de vida costumamos ver ela inteira passando diante dos olhos... em vinte, então, você poderá vê-la quase três vezes e quem sabe assim em qualquer milésimo desse, se arrepender da decisão que tomou. Você pode fazer a certa agora, é a sua chance.
─── E se eu n-não fizer?
─── Você morre. ─── dou de ombros. ─── Essa é uma propriedade particular. Não é difícil te derrubar daqui e fazer seu corpo sumir ou, menos ainda, fazer parecer uma cena de suicídio.
─── Você acha que ninguém vai descobrir? Se você fizer isso praticamente assinou sua sentença de morte. ─── ele ri. Encosto-me mais perto, empurrando seu corpo em direção ao parapeito. ─── VOCÊ POR ACASO SABE QUEM EU SOU?
Seu grito desesperado me faz sorrir de canto. Forço seu rosto para frente, afim de fazê-lo encarar (ou tentar) o chão distante.
─── Não, acho que você não entendeu. A pergunta é: você sabe quem eu sou?
(...)
GIULIA'S POINT OF VIEW
ATUALMENTE, 01:45
O vento que penicava meu rosto quando a noite de sexta caiu dando espaço para a de sábado não me incomodou. Diferente disso, na realidade, eu até estava gostando de senti-la, porque isso me fazia pensar.
Encaro o lago há alguns metros, gostando da visão que a varanda do segundo andar da casa proporcionava. Em minha cabeça apenas rodava dezenas de pensamentos, repetidas vezes. Eu tentava pensar em uma solução concreta, porém nada fazia sentido porque independente de todas elas, teria que pensar em Elena antes de tudo.
─── Ainda acordada?
Não viro para ver Alessio se aproximar. Em dois segundos ele está ao meu lado, puxando um maço de cigarros que me faz torcer o nariz.
─── Não consigo dormir quando penso demais.
─── Então hoje é uma noite peculiar.
Rio baixinho, mesmo sem querer. Encaro rapidamente o homem ao meu lado, vendo-o levar o objeto branco até os lábios, antes de acendê-lo com um isqueiro. Eu não tinha o visto após o café da manhã e não esperava por isso, na verdade. Alessio costumava ser ocupado demais às vezes.
─── Quer?
─── Não fumo mais. ─── suspiro. ─── É impossível fazer algumas coisas com uma criança em casa, principalmente quando ela tem asma e rinite.
─── Ela tem?
Assinto, ouvindo-o rir seco, encarando o nada.
─── O quão estranho é eu ter uma filha de quase quatro anos e não saber absolutamente nada sobre ela? ─── encolho-me no meu lugar, deixando o olhar cair. ─── Estava pensando sobre isso hoje. Logo eu que sou acostumado a saber de tudo, estar ciente de tudo, não faço ideia do que minha filha gosta de fazer ou comer. Não faço ideia quais são suas manias, os motivos pelos quais ela chora ou se quer sei se ela sabe da minha existência como eu sei dela agora.
Deixo um silêncio preencher o ambiente, ao tempo que o via jogar o cigarro que tinha acabado de acender no chão e pisava afim de apaga-lo. Observo a cena pelo canto do olho, não sabendo se queria rir ou chorar por aquilo.
─── Ela gosta de sair para brincar ao ar livre ou apenas se juntar com seus brinquedos e inventar qualquer coisa. Todos os lugares verdes dos quais visita automaticamente ela reconhece como "paquinho". ─── rio, tentando segurar a lágrima teimosa. ─── Ela ama comer doce, seja qualquer um exceto os de banana. Sempre que eu vou ao mercado me pede para trazer uma porção de iogurte também, porque é completamente apaixonada. Elena não gosta de comer verdura, mas as come porque eu a fiz acreditar que isso faria com que ela crescesse rápido.
Alessio ri.
─── Ela só tem três anos, mas é extremamente inteligente e curiosa. Ela pergunta sobre tudo que não conhece e lembra de tudo que você diz, então cuidado com o que fala porque... ele aprende fácil também. Desde quando começou a falar eu a ensinei italiano, então não foi um problema para ela aprender isso. ─── dou de ombros.─── Ela tem mania de enrolar os dedinhos no cabelo quando está nervosa e fica extremamente manhosa e carente quando está triste ou doente. Ela chora quando se frusta e sente sempre a necessidade de ser independente porque acha que pode fazer tudo sozinha.
─── Igual a você.
─── Elena tem muito de você também.─── franzo os lábios. ─── A marra, embora seja a criança mais doce do mundo. O fato de sempre pensar em tudo ou ser cuidadosa com quem ama. Ela é uma criancinha esperta, sabe dobrar qualquer um com uma conversa. É decidida também e um pouco teimosa as vezes.
─── Tá me chamando de teimoso?
─── Por quê? É alguma mentira?
Descanso o pescoço, sentindo um cansaço fora do normal no corpo, ainda que fosse impossível conseguir dormir.
─── Ela... ─── hesita. ─── Já perguntou alguma vez sobre... mim?
─── Já. ─── sussurro. ─── Várias vezes, na verdade.
─── E você pretende contar?
Olho-o. A postura recuada, o olhar caído em direção ao lago indica que aquilo tudo era muito novo para ele, ao ponto de não saber o que fazer.
─── Não sei. Você quer conta-la?