Capítulo 7

1956 Palavras
Lorenzo Ferraz Três anos depois... Estudei como um louco, devorei cursos, e reconstruí cada pedaço do que fui. Hoje sou o presidente das lojas da família, um título que conquistei com suor e determinação. Meu pai passou o bastão, e agora a responsabilidade é toda minha. E exerço minha função com perfeição. Mas não se engane. Não há glória nisso, apenas propósito. Mergulhei no trabalho e nos estudos para fugir do caos dentro de mim. Porque pensar demais seria fatal. Pensar demais significaria planejar, em detalhes, como destruir os desgraçados que ousaram me transformar nisso. Heitor, meu único amigo, insiste em perguntar por que trabalho até a exaustão. Ele não entende. O trabalho não é um refúgio. É uma forja. Cada segundo dedicado é uma lâmina que estou afiando. Por muito tempo, a dor era tão insuportável que pensei em desistir de tudo. Achei que a morte seria a única forma de silenciar o que Celina fez comigo. A traição dela não foi apenas uma facada nas costas; foi uma execução pública. Eu assisti ao vídeo repetidas vezes, me afundando no horror, transformando o amor que sentia em ódio puro. Celina... O nome dela queima na minha boca. O amor que eu tinha se transformou em uma obsessão sombria. Ela era meu mundo, e me destruiu com um sorriso no rosto. Passei noites sem dormir, dias em febre, achando que a morte seria misericórdia. Mas a morte é fácil demais para mim... e para ela. Agora, só penso em vingança. Não é apenas desejo; é propósito. Quero fazer Celina sentir o peso da dor que eu carreguei. Quero destruir cada pedaço do mundo dela. Quero vê-la ajoelhar e implorar, sentir a mesma agonia que me transformou em algo que eu nunca quis ser. Eu me lembro de cada detalhe do que passei. Os olhares de pena, os cochichos pelas costas. A humilhação pública. Ela roubou minha dignidade e expôs minha vulnerabilidade. Foi c***l. E o pior de tudo: ela sabia o que estava fazendo. Cada palavra dela, cada gesto, foi meticulosamente calculado para me destruir. Aquele homem doce que ela conheceu morreu. Celina matou ele. E no lugar dele, nasceu algo muito mais sombrio. Hoje, olho para as mulheres ao meu redor, admirando-as, flertando. Mas nada é real. Nada além da sombra de Celina em minha mente. Quando estou com elas, não é desejo verdadeiro; é vingança disfarçada. Uma lembrança do que me foi tirado. Coloquei detetives para rastrear a traidora. Até agora, nenhum sinal. Mas eu sou paciente. Não importa o quanto ela fuja, um dia vou encontrá-la. E quando isso acontecer, ela pagará por cada lágrima, cada noite sem dormir, cada pedaço de mim que ela destruiu. Às vezes, penso em como será o reencontro. Será que ela ousará sorrir para mim? Será que reconhecerá o homem que a enfrenta? Duvido. Porque o Lorenzo que ela conheceu se foi, e no lugar dele, existe apenas ódio. Eu me tornei o que ela me fez ser: frio, implacável, movido por ódio. Não sou mais um homem, sou uma tempestade que carrega destruição para quem ousar cruzar meu caminho. E Celina... Se você estiver viva, reze. Reze para que eu nunca a encontre. Porque quando eu o fizer, você conhecerá o verdadeiro significado da dor. Que ela apodreça no inferno. Malditos. Heitor, meu único amigo, trabalha comigo e insiste em questionar por que eu escolho me matar de tanto trabalhar. Ele nunca entenderia. Não é só trabalho, é um campo de batalha. Cada tarefa, cada meta cumprida é mais um tijolo na muralha que construo para esconder a dor que me consome. Já pensei muito em morrer. Achei que seria a única forma de calar o inferno que queimava dentro de mim. Foram dias, meses, anos arrastados pelo horror. Aquele maldito vídeo... Revê-lo era como jogar sal em uma ferida aberta. Mas eu não conseguia parar. O ódio crescia, corroía, me tornava algo que eu nem reconhecia. Celina. Esse nome é uma maldição que ainda ecoa em minha mente. Ela era tudo para mim. Minha paz, minha razão, meu futuro. E ela destruiu tudo de forma nojenta, vil, como se eu nunca tivesse significado nada. Passei noites sem dormir, febril, imaginando o porquê. Não encontrava respostas. Só dor. Quis morrer. Quis sumir. Quis fugir. Mas percebi que morrer seria fácil demais. E Celina não merece a minha ausência. Não, ela merece minha presença, minha vingança, meu ódio. Quero vê-la sofrer. Quero fazê-la sentir a destruição que ela me causou, mas multiplicada. O homem que eu fui morreu. Ela matou ele. Enterrou junto com a nossa história. Agora, só restou uma casca vazia. Sem amor, sem empatia, sem nada. Apenas ódio. E esse ódio me alimenta, me guia, me mantém vivo. No meio de tudo isso, tem algo que me distrai. O desfile de vendedoras bonitas no trabalho, especialmente as negras lindas que passam por aqui. Elas são um alívio momentâneo, uma lembrança de que ainda existe algo que me move além da raiva. Por um tempo, tentei me envolver com outras mulheres. Achei que, talvez, o desejo pudesse me resgatar. Mas era inútil. Minha mente, meu corpo, tudo ainda estava preso à maldita Celina. Então, decidi usar isso a meu favor. Passei a t*****r pensando nela, com a fúria de quem quer dominar o passado. É sujo, mas funciona. Coloquei detetives para caçá-la. Até agora, nada. Parece que a desgraçada evaporou de Santa Catarina. Mas ela não pode fugir para sempre. Quando eu a encontrar, não haverá misericórdia. Quero acabar com a p*****a traidora, destruí-la sem piedade. Ela roubou algo que nunca poderei recuperar: minha capacidade de amar. Transformou o homem doce e romântico que eu era em um ser amargo, frio, vazio. Eu não queria ser assim. Não escolhi me tornar esse homem. Mas o ódio é uma força implacável, um veneno que te consome até o último resquício de humanidade. À noite, quando fecho os olhos, vejo o sorriso cínico dela. Ouço suas mentiras como se ela estivesse ao meu lado. Isso me alimenta, me consome. Meu único propósito é encontrar Celina e devolver a ela o inferno que me causou. E Celina... onde quer que esteja, saiba que meu ódio é imortal. Ele cresce, se fortalece, e um dia vai te encontrar. Nesse dia, você vai implorar pelo alívio que eu nunca tive. Porque eu não sou mais um homem. Sou um instrumento de vingança. E você será o alvo final. ÓDIO. Esse é o único combustível que me mantém vivo. O vídeo, a traição, o sorriso falso de Celina... Tudo isso só aumenta a minha vontade de acabar com tudo. E por tanto tempo, o “tudo” incluía a minha própria vida. Celina era o centro do meu mundo. A razão pela qual eu acordava todos os dias. Nunca vou entender como ela foi capaz de me apunhalar pelas costas de maneira tão nojenta. Por meses, chorei como um desgraçado. Fiquei à beira da morte, queimando em febre, desejando que minha existência simplesmente terminasse. Mas não acabou. Eu sobrevivi. Não por força, mas por pura teimosia. E agora, não há espaço para sentimentos além de ódio. Não penso mais nela como uma lembrança doce; ela é apenas um alvo. Minha vingança será tão amarga quanto o veneno que ela plantou em mim. Foi difícil sair do estado miserável em que me encontrava. Meus pais, Heitor, até as empregadas da casa estavam preocupados comigo. Chegaram a cogitar que eu estava com depressão. Não estavam errados. Mas o que eles não entendem é que minha "cura" não veio de terapia ou apoio emocional. Minha "cura" veio da decisão de destruir a desgraçada que destruiu minha vida. Celina vai pagar. Cada lágrima que derramei será devolvida em dor. Quero vê-la implorar, quero que ela sinta o mesmo desespero que senti. Não importa quanto tempo leve, vou encontrá-la. Por enquanto, sigo vivendo, ou pelo menos tentando. Trabalho como um louco para manter a mente ocupada. No meio disso, tem as mulheres. Muitas delas. As vendedoras gostosas, especialmente as negras lindas que passam por aqui, são um alívio momentâneo. Mas é vazio. Todas elas são. Nenhuma consegue apagar a maldita sombra de Celina. Eu tentei. Tentei me envolver, sentir algo. Mas nada funciona. Meu corpo só responde quando imagino que é ela. Meu ódio é tão profundo que se infiltrou até nos meus instintos mais básicos. Coloquei detetives para procurá-la. Até agora, nada. Parece que a v***a evaporou. Ou talvez ela seja boa demais em se esconder. Mas não importa. Um dia, ela vai tropeçar. E quando isso acontecer, serei a última coisa que ela verá. Meu pai ainda insiste que eu case com Gabrielle, a amiga de infância que ele tanto ama. Não sei o que é pior: ele achar que um casamento arranjado vai resolver meus problemas ou ele acreditar que Gabrielle seria capaz de me curar. Ele não entende. Ninguém entende. O Lorenzo de antes morreu. Hoje, vou sair. Já liguei para Heitor, mas ele me irritou com suas lições de moral. Vou sozinho. Preciso de uma noite de sexo, álcool e esquecimento. O Uber chega rápido. Entro no carro com uma única certeza: esta noite, alguém vai pagar pela raiva que corre nas minhas veias. E Celina... Quando for a sua vez, espero que esteja pronta. Porque o inferno que eu vivi será pouco comparado ao que vou fazer você enfrentar. Maldição. A dor me consumiu por inteiro. Fiquei tão doente que tive febres que pareciam incendiar minha alma. Passei dias desejando morrer, acreditando que seria o único alívio para tanto sofrimento. Celina era tudo para mim. Não consigo entender como alguém que dizia me amar foi capaz de me trair de forma tão nojenta e c***l. Meses se passaram, e meu estado deplorável preocupava todos ao meu redor. Não sabia como viver sem ela. A ideia de acabar com tudo me assombrava a cada minuto. Mas sobrevivi, não por força, e sim por pura obstinação. O amor que eu sentia por Celina foi enterrado junto com o homem que eu era. No lugar, nasceu algo novo: um ódio avassalador. Hoje, não penso mais nela como uma lembrança amarga. Penso nela como um alvo. Minha vida se resume a trabalho, mulheres e bebida. É o que me mantém funcionando. Contratei detetives para encontrá-la, mas a maldita desapareceu, como se tivesse evaporado. Tentei seguir em frente, ficar com outras mulheres, mas foi inútil. Nenhuma delas conseguiu apagar a sombra dela. Nem mesmo o sexo é como antes. Preciso fechar os olhos e imaginar que é ela para conseguir me conectar. Isso é um inferno. Meu pai, como se não bastasse o caos que já vivo, insiste que eu me case com Gabrielle, uma amiga de infância. Ele acha que isso vai me "consertar". m*l sabe ele que o homem que eu era está morto. Hoje, sou uma casca vazia, movida por ódio e vingança. Na noite passada, depois de mais uma tentativa frustrada com uma mulher que parecia perfeita, percebi que estou amaldiçoado. Não sinto prazer. Não sinto t***o. Tudo o que resta é raiva, uma raiva que consome cada fibra do meu ser. Hoje, no trabalho, abri meu notebook e encontrei um e-mail da filial do Rio de Janeiro. Problemas urgentes exigem minha presença. O Rio nunca fez parte dos meus planos. Na verdade, nem sei por que meu pai decidiu abrir uma loja naquele lugar. Parece que até o universo quer testar meus limites. Mas talvez essa viagem seja uma distração. Talvez o caos do Rio me ajude a tirar essa mulher maldita da cabeça, nem que seja por alguns dias. Uma semana. É o tempo que pretendo passar lá. Mas, no fundo, sinto que algo nessa viagem vai mudar tudo.
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