As portas da grande sala de reuniões se abriram, e todos os olhares se voltaram para ele. Havia pelo menos vinte pessoas na longa mesa de carvalho: acionistas de terno engomado, advogados, consultores, todos com pastas abertas, óculos na ponta do nariz e a respiração suspensa diante daquela aparição. De pé, no centro, Rafael já esperava. O tom debochado surgiu antes mesmo que Lúcios se acomodasse. — Aí está ele. — Rafael abriu os braços com teatralidade, o sorriso carregado de veneno. — Nosso tão dedicado presidente. Vejam só, se importa tanto com a empresa que nem faz questão de chegar no horário. Alguns acionistas se entreolharam. Outros franziram o cenho. O comentário foi calculado para provocar, e todos sabiam disso. Mas Lúcios não reagiu. Nenhuma palavra. Nenhum olhar de reprovação

