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1222 Palavras
Millie's POV Eu não acredito que eu quase beijei a Olivia ontem a noite. Tudo que aconteceu ficou passando pela minha cabeça como uma p***a de filme. O beijo no pescoço na casa do Johnny, aquela p***a de momento que tivemos, a ligação do Josh... – Senhorita Millie, poderia responder o que foi solicitado? – Arregalei os olhos. Eu simplesmente esqueci que estava na aula de matemática. Por sorte, era a última do dia. – Desculpa, professora, eu não prestei atenção. – Falei. Alguns alunos deram aquela risadinha debochada mas eu não me importo. O sinal tocou me livrando do constrangimento de não saber responder as perguntas da professora de matemática. Ela é uma das minhas professoras favoritas, mas eu não estava com cabeça pra estudar hoje. Sai da sala de aula em silêncio e pensando em tudo. Mas fui interrompida pela voz da Liv que se aproximou de mim. – E ai, Mill. – Ela abriu um sorriso. – O que vai fazer hoje a tarde? – Na verdade eu tô pensando em dar uma volta no centro. Almoçar fora e colocar a cabeça no lugar. – Ela concordou. – A garota que você gosta tá te dando trabalho? – Soltei uma risada ao ouvir o que ela disse. – Tanto quanto você me dá com esse seu ex pé no saco. – Nós duas rimos. – Millie, me conta quem é. Eu tô morrendo de curiosidade. – Ela disse e tirou o gloss da bolsa. – Olha, se você não me falar, eu vou te agarrar e beijar sua cara todinha com gloss. Eu sei que você detesta. – Ah, fala sério, Liv. Gloss não. – Eu soltei uma risada e ela passou o gloss nos lábios. – Você tem 30 segundos. – Ela disse, soltando uma risada divertida enquanto saíamos da escola. – Liv, é só uma garota da escola. Se eu não falo sobre isso é porque eu tenho motivo. Sério, não vai dar certo, é só isso. E ela é hétero. Então eu vou esquecer e deixar pra lá. – Falei. – Mill... – Ela guardou o gloss. – Cadê sua autoconfiança? Você é a garota que diz que "não existe mulher hétero" pra você. Você pegou a Lizzie, a líder de torcida mais cobiçada da escola... – Eu coloquei as mãos nos meus bolsos ao ouvir o que ela disse. – Ela não é como a Lizzie. Nem como ninguém daqui desse finde mundo, Olivia. Ela é a garota mais sensacional de todas e eu tenho medo de... – Eu respirei fundo. – Eu tenho medo de levar um fora. É isso. – Você, com medo de levar um fora? Ela deve ser realmente incrível. – Liv soltou uma risada, tirando uma barrinha de cereal da bolsa. – Quer um pedaço, Mill? – Não, obrigada. E o Josh, falou com você hoje? – Nenhuma palavra sequer. Só ficou me olhando de um jeito esquisito. – Ela girou os olhos. – Acredita que ouvi as meninas falando no banheiro que ele chamou a Sabrina pra sair ontem? Depois de toda a palhaçada que fez de madrugada na minha casa? – Nossa, esse cara é um palhaço. – Falei. Continuamos tendo conversas triviais até chegarmos no restaurante central da cidade. Almoçamos, depois saímos para tomar um sorvete. Ela pediu de morango, e eu pedi de leite de soja com cacau. – Experimenta o meu. Vamos, é vegano também. É só morango e gelo. – O sorvete dela era de palito, e o meu era de casquinha. Trocamos os sorvetes e ela provou o meu enquanto eu provava o dela. – Não gosto muito de sorvete de morango, mas esse é legal. – Falei. Ela sorriu. – Pois eu comeria um pote do seu. – Ela sorriu. O passeio com Olivia foi realmente bom, mas eu precisava pensar. Pensar no que fazer em relação a ela, e ela estando por perto torna tudo mais difícil. – Acho melhor eu ir pra casa. – Falei. – Vamos, eu te levo depois vou pra casa se quiser. – Tá, pode ser. – Ela disse. – Ei! Olivia! – Ouvi uma voz masculina gritar. Quando olhei para trás, junto com ela, vimos o i*****l do Josh. – Olivia, escuta. – Ele se aproximou dela e segurou-a pelo braço. – Sai de perto dessa garota, Olivia. Ela vai estragar a sua vida e te manipular, como fez pra você terminar comigo... – Me poupe, Josh! Você fez isso sozinho, eu não precisei falar nada. – Resmunguei. – Solta o braço dela, fazendo favor. Olivia puxou o braço pra baixo, tirando o braço da mão de Josh. – Não encosta mais em mim. – Ela disse, brava. – E deixa minha amiga em paz. Vem, Millie. Começamos a andar para longe dele, e eu virei rapidamente e lancei-lhe meu dedo do meio. Me virei de volta para acompanhar Olivia e ela estava rindo. – Tá rindo porque mostrei o dedo do meio pra ele? – Ela concordou com a cabeça. – Sim. Ele merece. Caminhamos até a casa de Olivia e ela parou na minha frente, antes de chegar na porta. – Queria que você ficasse. – Ela disse e começou a brincar com um dos meus colares. Ela tava perigosamente perto. – O que você quer de mim, gatinha? – Falei. Ela olhou pra baixo e depois me encarou com seus olhos castanhos. Malditos olhos castanhos. – Ah, eu meio que queria aquilo lá que conversamos ontem... E aí infelizmente o Josh apareceu... E atrapalhou tudo. Eu ainda tô carente, sabe? – Ela soltou uma risada divertida. Levei as minhas duas mãos até a cintura dela e desviei meu olhar para os lábios já não tão cheios de gloss como antes. – Você fica me provocando, mas se eu te pegar de verdade você não aguenta, e eu não quero te forçar e... – Ela soltou uma risada. – Eu acho que você tem medo de me beijar e acabar se apaixonando mais do que pela garota misteriosa. – Era realmente cômico. A garota misteriosa é a p***a da Olivia e ela não faz ideia. – Pode ser. É que você é muito bonita e cheirosa, me deixa um pouco nervosa, sabe? – Falei em tom de brincadeira. – Tchau então, amiga. – Ela se inclinou até minha bochecha e deu um beijo demorado. Eu a impedi de sair de perto de mim, passando meus braços ao redor dela. – Não pode me provocar desse jeito e achar que vai ficar assim, Liv. – Ela riu e me abraçou, passando os braços ao redor do meu pescoço. – Não foi bem uma provocação. Foi um pedido bem simples pra minha melhor amiga, e já que ela ainda não atendeu, eu preciso... Provocar, talvez. – Tem alguém na sua casa? – Ela negou com a cabeça. Eu a soltei e fiz sinal para que ela abrisse a porta. Assim que ela entrou pela porta, eu a fechei e a puxei pelo braço com delicadeza para mais perto de mim. Coloquei as duas mãos no rosto dela e acariciei suas bochechas com o polegar. – O que a gente tá fazendo, Olivia? – Ela deu os ombros. – Eu não me importo. Se ela não se importa com as consequências, quem sou eu pra negar?
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