12 - Seu alfa

1556 Palavras
Lina correu como uma loba, rápida e veloz, cortando o vento e fazendo o chão tremer com a intensidade de sua corrida. Sob a lua cheia, sua pelagem reluzia, refletindo a prata da noite. As patas tocavam o solo com determinação, enquanto o som ritmado de suas pegadas ecoava pela floresta. A liberdade que a corrida proporcionava era palpável, uma fuga momentânea das amarras da vida cotidiana. A lua cheia iluminava o caminho de Lina, revelando a intensidade de suas emoções. Ela corria não apenas como uma loba, mas como um ser em busca de algo mais, algo que transcendia os limites da forma humana. Ao se movimentar sobre quatro patas, Lina podia sentir a textura da terra sob suas garras, compreendendo a frustração que a perda de Mary havia causado. A cada passada, ela relembrava o tratamento injusto que recebera e as oportunidades perdidas ao longo do caminho. A floresta testemunhava a jornada da loba em busca de uma identidade, de um lugar que fosse verdadeiramente seu. Lina era uma loba em amadurecimento, guiada por instintos ancestrais e pela força de sua própria determinação. Sob o manto da lua cheia, ela experimentava a plenitude de sua natureza selvagem, conectando-se com as raízes profundas que a ligavam à essência lupina. O vento sussurrava segredos antigos, enquanto as folhas das árvores testemunhavam a busca de Lina por significado e propósito. O animal dentro dela reconhecia a busca, a fome por descobrir seu lugar no mundo. Cada passo, cada batida do coração, ecoava com a energia vital da floresta, uma sinfonia de vida e renovação. Lina não corria apenas fisicamente; ela corria em direção à sua própria jornada de autodescoberta. A lua cheia lançava sombras e luz sobre sua pelagem, revelando a dualidade de sua existência. Ela não apenas escapava da sociedade humana, mas mergulhava na essência da matilha, buscando compreender sua posição dentro do intricado tecido da vida selvagem. A noite estava viva com os sons da natureza, e Lina se misturava a eles, um espírito livre sob a luz prateada da lua. Seu percurso era mais do que uma simples corrida; era uma declaração de independência, uma busca por aceitação e entendimento. Enquanto Lina continuava a correr, o vulto de sua figura se fundia com as sombras da floresta, simbolizando a transição de uma loba em busca de seu lugar no mundo. Bem perto dela, dois lobos rangeram os dentes ao sentir a energia da loba branca que corria. Lina percebeu a presença próxima, mas a energia que emanava não se limitava aos lobos ao seu redor. Era noite de lua cheia, e mais lobos se uniam à corrente de energia que pulsava pela floresta. Lina se sentia conectada a todos ao seu redor, uma união sob a influência prateada da lua cheia. Contudo, uma energia específica chamou sua atenção, fazendo-a parar de correr. Seus olhos brilhantes se ergueram para o céu, e como numa mágica, um uivo alto e forte ecoou pela floresta. Aquele era Wolfgang. Ele também estava por perto, sua presença reverberando através dos uivos que ecoavam pela noite. Lina sentiu o chamado do líder da matilha, e seu coração acelerou dentro do peito. Sem perder tempo, ela retomou a corrida, movendo-se tão velozmente que nem percebeu estar sendo acompanhada por outros lobos. Eles se juntavam à corrida pela liberdade, apenas buscando compartilhar o êxtase da lua cheia. Entretanto, a alegria da corrida foi interrompida por algo inesperado. Uma voz ressoou dentro da mente de Lina, pedindo-lhe para parar. Assustada, ela ergueu o olhar e teve coragem de uivar para a lua, desafiando a ordem que vinha de dentro da matilha. O som agudo ecoou como um aviso para Wolfgang, indicando que ela não esperaria por ninguém. No meio da matilha, uma loba desafiou a autoridade do alfa, e o uivo que ressoou fez Lina sentir uma sensação de domínio em seu corpo. A força da lua cheia e a conexão com os lobos ao seu redor a envolveram, revelando um poder interior que ela m*l compreendia. A noite continuava cheia de mistérios e desafios, mas Lina estava determinada a seguir o chamado da lua e a reivindicar sua própria liberdade dentro da floresta selvagem. Ela não queria perder mais aquilo. Por isso ela correu. Naquele momento, apenas dois lobos acompanharam Lina em sua corrida veloz, os músculos tensos e as patas tocando o solo em um ritmo frenético. A intensidade da lua cheia parecia ecoar através da floresta, impulsionando a loba branca em sua jornada noturna. No entanto, a harmonia momentânea foi quebrada pelo uivo do alfa, uma ordem para que todos se afastassem dela. Wolfgang, o imponente alfa, corria lado a lado com Jason, seu fiel braço direito. Os dois lobos trocavam informações através de uma conexão única entre eles, uma comunicação que transcendia as palavras. Jason, de pelagem marrom, era grande e astuto, enquanto o alfa exibia uma pelagem escura que fazia os galhos se quebrarem e as árvores evitarem cruzar seu caminho. "Ela está indo para o sul", comunicaram entre si, antecipando os movimentos da loba branca. "Pegue-a", ordenou Wolfgang, determinado a caçar a escolhida daquela lua cheia. Sua mente estava tomada por uma obsessão, mesmo sem conhecer nada sobre ela além de sua notável velocidade. A loba tinha habilidades que deixavam o alfa intrigado, e ele se perguntava como ela havia se tornado tão rápida em tão pouco tempo. Lobos jovens normalmente herdavam habilidades de suas famílias, indicando que ela provavelmente vinha de uma linhagem respeitável. Contudo, sua identidade permanecia envolta em mistério, e Wolfgang não tinha sequer o conhecimento de seu nome. A falta de informações só aumentava a determinação do alfa em encontrá-la. Ele sentiu a agitação entre seus lobos, a vontade de acompanhá-la, mas Wolfgang os afastou. Podia sentir o medo e a ansiedade que emanavam dela, uma aura de rebeldia e resistência à sua matilha. Enquanto ela corria, Wolfgang se divertia como se aquilo fosse um jogo. O cheiro dela impregnava o ar, revelando que ela havia pisado no mesmo solo que ele. Uma sensação de desafio o envolveu, alimentando ainda mais sua obsessão. "Agora é com você, Wolfgang", disse Jason, permitindo que apenas o alfa continuasse a perseguição. Com sua habilidade única de sentir a energia, Jason percebia a aflição da loba branca. Ela estava assustada, e sua presença nas sombras da matilha indicava que ela havia mantido seu verdadeiro eu oculto por um tempo considerável. Ninguém na matilha sabia sobre ela, e essa aura de mistério apenas aumentava a determinação de Wolfgang. Ele estava decidido a encontrar a loba rebelde que desafiava as convenções da matilha, uma caçada que o levaria a descobertas inesperadas sobre o passado e o destino de ambos. A floresta, sob o domínio da lua cheia, se tornava o palco de uma busca implacável pela loba que ousava desafiar as fronteiras estabelecidas. Wolfgang correu com uma velocidade impressionante, superando Lina em sua investida pela floresta. Utilizando suas habilidades, ele se antecipou a ela antes que pudesse atravessar o riacho que cortava o bosque. Num movimento ágil e feroz, o grande lobo escuro, de olhos vermelhos intensos, saltou sobre a loba branca, arremessando-a para baixo. O confronto entre os dois se desenrolou nas águas rasas do riacho. O pelo de Lina ficou encharcado, mas havia mais do que água a envolvê-la. Enquanto erguia o olhar, deparou-se com a visão intimidadora de seu alfa. Olhos também rubros, peito inflado, emanando uma aura de tamanho e força invencíveis. Wolfgang parecia um predador observando atentamente sua presa, a intensidade de seu olhar revelando a determinação em dominar aquela que desafiava as normas estabelecidas pela matilha. O riacho testemunhava o embate entre o alfa e a loba rebelde, cada movimento ressoando a tensão que pairava na floresta sob o brilho prateado da lua cheia. Wolfgang repetiu o mesmo gesto que antes, em uma fração de segundos. Seu uivo ecoou pela floresta, preenchendo o ar com uma intensidade que denotava sua frustração. Quando abaixou o olhar para a loba branca, um rosnado escapou de seus dentes, expressando sua irritação diante da fuga dela. Imobilizada pela força do alfa, Lina não teve como resistir. Em um instante, foi retirada de dentro da pele de lobo, voltando à sua forma humana sob o olhar implacável do líder da matilha. O encontro sob a lua cheia havia se transformado em uma confrontação entre o alfa e a loba rebelde, culminando na sua captura e na revelação de sua verdadeira identidade perante o todo-poderoso Wolfgang. "O que você quer de mim?" questionou Lina, nua e com o corpo molhado e sujo, enquanto Wolfgang se abaixava diante dela. Dando espaço pra ela subir sobre as costas dele. Seus olhos intensos pareciam transmitir uma mensagem silenciosa, como se estivesse pedindo para que ela confiasse nele e se erguesse. Em meio ao silêncio, Wolfgang não proferiu uma única palavra. Não precisou. Lina, vulnerável e temerosa, compreendeu o apelo não verbal do alfa. Desnuda e com medo, ela cedeu não por ele, mas por ela própria, atendendo ao chamado urgente de seu próprio instinto animal, que ansiava desesperadamente para acompanhá-lo e obedecê-lo. Nesse momento de silêncio tenso, um entendimento silencioso se estabeleceu entre eles. Ela subiu sobre as costas dele. Wolfgang uivou. Ele estava com aquela que havia uma energia genuína. Ele iria saber quem ela era. Seria apenas ele e ela.
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