São Pietro era um monstro barulhento. Uma cidade de luzes e ilusões, onde só havia sucesso para quem já nascia em berço de ouro. Ou com uma força inabalável e uma sorte de mil trevos de quatro folhas. Assim ele pensava. Do interior climatizado do seu Aston Martin, Enrique Romani observava a cidade passar, um borrão de concreto, vidro e pressa. Ele guiou o carro lentamente pelos Jardins, o epicentro do luxo pietrano. O mesmo circo, apenas com um sotaque diferente. Herdeiras entediadas saindo de lojas de grife, empresários de terno falando alto em celulares caros. Ele não estava impressionado; estava catalogando. Sua primeira parada não foi um restaurante, mas um ponto de observação do outro lado da rua. Ele estacionou e observou por um tempo a fachada da Boreal. Uma torre de vidro e aç

