A noite na mansão Mendonça era de uma ansiedade contida. Na vasta sala de estar, Helena arrumava as almofadas do sofá pela terceira vez, uma agitação nervosa que contrastava com a calma do seu marido, Cesar, que observava tudo da sua poltrona, um copo de conhaque intocado ao seu lado. Murmurando alguma música. Alessandra, no entanto, não conseguia ficar parada. Andava de um lado para o outro, a mão instintivamente sobre a barriga, o coração batendo com a expectativa. Ela precisava da aprovação daquela mulher. Finalmente, Borges anunciou pelo interfone: "A Sra. Cruz chegou." Quando a porta principal se abriu, a mulher que entrou não parecia intimidada pelo mármore, pela arte ou pela grandiosidade do lugar. Maria José Cruz trazia consigo a poeira de uma longa viagem e a força de uma vida

