Capítulo 1 - Sem Revisão

2380 Palavras
Valentina Ao cair ainda pude me virar e ver o olhar desespero de Gabriel tentando ir ao meu encontro, mas foi impedido pelos outros. Nunca pulei de paraquedas, na verdade, eu odiava voar, mas agora em plena queda livre sem paraquedas e nada mais, não odiava mais, simplesmente nunca mais colocaria os pés num avião se escapasse desta. Austin gritava a plenos pulmões enquanto caímos no nada. Senti o meu corpo queimar enquanto tentava segurar Austin junto a mim o mais forte que eu podia. Me concentrei na única coisa que poderia salvar a ambos, o anel da minha mãe. _ Funciona d***a! - gritei. Comecei a visualizar o que tinha abaixo de nós, uma imensa mancha rosa margenta, só esperava que fosse água. Na velocidade que estavam mesmo sendo água não sobreviveriam ao impacto. _ Funciona. - ordenei num grito. Espantada pude ver o anel brilhar e uma imensa bolha branca nós revestir a poucos metros da mancha. A bolha não diminuiu todo o impacto, mas amorteceu o suficiente para não morrermos. A água nós acolheu como um abraço de avó ou como uma cama confortável depois de um dia de trabalho forçado. O meu corpo flutuava enquanto a minha consciência lutava para que eu despertasse daquele tupor. Meu corpo doía todo! Alguém me segurou pela mochila e puxou-me, tirando-me da água e tirando a mochila. Lábio frios tomaram os meus empurrando ar para meus pulmões enquanto mãos comprimiam o meu peito. _ Valentina. - ouvi a voz de Austin longe. Respirei fundo abrindo os olhos e começando a tossir, expelindo toda a água que engoli. _ Valentina. - Austin colocou as mãos sobre as minhas costas preocupado - Você esta bem? Fiz um sinal de positivo e continuei a tossir, tentando respirar fundo. _ Esta realmente bem? - insistiu Austin. _ Sim. - o olhei, me sentando - E você? _ Estou bem. - Austin olhava para o alto molhado e apático - Mas não consigo entender como conseguimos nós livrarmos desta, devíamos ter virado pizza agora. _ Longa e estranha história. - me levantei e olhei ao redor. Haviam caído numa imensa lagoa de águas rosa margenta, ao seu redor se erguia uma floresta de árvores tão altas como grandes arranha-céus e de mata densa. Podíamos ouvir o barulho de pássaros e animais. _ Temos que achar os outros. - disse preocupada com Gabriel. Ele devia estar surtando agora! _ Sim. Mas onde estamos? - lhe perguntou Austin olhando pálido para o céu - Olhe... - apontou para o céu - ...temos três luas. Segui o seu olhar e vi o céu que agora estava manchado de tons rosas, e realmente elas estavam lá, três formosas e brilhantes luas. Lindas e majestosas luas! Uma grande me lembrando Saturno, outra menor e vermelha como sangue e uma pequena branca, mas que brilhava sem parar. As três estavam, no seu ponto de vista, juntas convivendo em harmonia. _ Onde estamos? - Austin me olhou alarmado - Não estamos mais na Terra né!? E agora, o que responder?, pensei confusa. _ Verdade. Não estamos mais na Terra. - respirei fundo novamente - Tenho que te contar algumas coisas, mas primeiro temos que achar abrigo. Poderíamos subir numa árvore para nós localizar e nós manter seguros. _ Sabe onde estamos? - Austin me olhou preocupado. _ Não. Mas precisamos nós localizar. - o vi ir até à mochila e mexer dentro. _ Sim. - Austin pegou uma garrafinha de água e tomou - Precisamos achar água potável e comida. _ Vamos. - chamei indo em direção a mata. A floresta era linda e densa! Por onde passávamos ouvíamos sons de animais, muito diferente. O tronco das árvores era de vários tons mesclados é o cheiro que subia as suas narinas era tão doce e suave que lhe enchia os sentidos. As folhas de vários tons de verdes brilhantes a fazendo lembrar de esmeraldas colombianas que viu uma vez, graças a Marcelo. Flores gigantescas estavam desabrochadas na frente deles, com suas formas diferentes e cores extravagantes. Austin parecia tão encantado quanto eu. Tocávamos cada uma delas e admiravámos suas formas e texturas diferentes. Umas balançavam quando a tocávamos, parecendo sentir cócegas. Outras cheiravam como doces de tão atraente! Por onde passávamos tínhamos a leve sensação que estávamos sendo vigiados. Também que as plantas se afastavam para nos dar passagem, como se temessem que pisássemos na sua folhagem. Por quase duas horas andamos até encontrarmos uma nascente onde pegamos água e trocamos as nossas roupas molhadas. Sorte a que as nossas mochilas eram impermeáveis. _ Acho que está aqui é a principal. - disse a Austin avaliando a árvore enquanto ele admirava algumas flores vermelhas. _ Não são magníficas!? - lhe perguntou mostrando as flores. _ Austin... - o chamei sorrindo. _ Quem vai subir? Eu ou você? - se aproximou colando a mochila que trazia no chão. _ Nós dois. Está escurecendo rápido. E os galhos desta árvore parecem largos o suficiente para passarmos a noite. _ Como assim? - Austin olhava para cima avaliando os galhos. _ Não sabemos onde estamos e que animais caçam aqui a noite. É mais seguro lá em cima. _ Verdade. - concordou com ela - Mas espere... - se afastou um pouco e voltou com que parecia cipós - Precisamos nos amarrar para não cair. _ Boa idéia! Tentamos por vinte minutos subir na árvore que escolhemos e nas demais, mas pareciam que elas estavam vivas e desviavam os seus galhos do nosso alcance e deixaram os seus troncos lisos. _ Se não fosse loucura eu diria que estas árvores não estão permitindo que subamos nelas. - comentou Austin cansado e frustrado. Olhei a nossa volta e percebi que onde estávamos antes cheio de plantas e flores agora havia uma pequena clareira a nossa volta, como se todas elas se afastassem de nós. _ Acho que você não está louco. Olhe... - mostrei a clareira ao nosso redor - ...elas se afastaram de nós. _ Os troncos antes coloridos e cheios de rachaduras nas cascas, agora estão lisos e marrons. Veja... - passou a mão nós troncos lisos iguais a superfícies de concreto polido. _ Verdade. Está árvore... - alisou o tronco da árvore - ...é a maior de todas. _ Deve ser a principal. _ Sim. - me concentrei na árvore, colocando a minha testa sobre o seu tronco e respirei fundo - Peço, por favor, que nós ajude. Estamos perdidos e não sabemos onde. Queremos subir nos seus galhos em busca de localização e de segurança. Não queremos prejudica-lá. Amanhã iremos embora, mas precisamos da sua ajuda. - pedi quase numa oração. _ Você está falando... com uma árvore? - Austin me olhava incrédulo. _ Sim. - respondi confiante. Por minutos intermináveis nada aconteceu até escutarmos o barulho das folhas e os galhos da árvore se movimentando como uma grande engrenagem. Fascinados vimos os grandes galhos formando uma escada segura para nós subirmos. Como num passe de mágica as plantas voltaram para seus lugares e os troncos das árvores voltarão a ficar coloridas e brilhantes. _ Às vezes é melhor pedir por favor. - sorri para Austin e comecei a subir. Austin ficou-me olhando indeciso por alguns minutos antes de subir atrás de mim desconfiado. A escada improvisada nos levou a um galho que me lembrava um tronco de uma árvore adulta, mas ela era quase plana em cima. De onde estavam tinham uma visão privilegiada da floresta. Assim como foi formada a escada foi dissolvida. _ Vou subir mais um pouco. - avisei, colocando a minha mochila no chão - Vê o que temos para comer entre outras coisas para a viagem. _ Cuidado. - me pediu Austin me vendo subir. A árvore me permitiu chegar quase ao topo, mas da onde estava tinha uma excelente visão de onde estavam. Havia uma cadeira de montanhas ao nosso redor, fazendo que a floresta e consequente nós, estivéssemos num tipo de bacia. Mas o que me deixou surpreendida e apreensiva foi uma longa mancha escura ao sul. Era como uma nuvem n***a de mau presságio com direito a raios e trovões. Achei melhor ir para o norte então. Já estava anoitecendo e ainda tínhamos que resolver algumas coisas para a viagem de amanhã. Segurei o medalhão que Gabriel me deu de aniversário e orei para que ele ficasse calmo e nós encontrarmos logo. Coloquei as mãos no tronco da árvore novamente e concentrei-me. _ Queria pedir a sua ajuda novamente. - comecei a dizer para a árvore - Necessitamos de alimentos, mas não sabemos o que podemos comer. Também necessitamos que nós guie em segurança para o norte. Preciso alcançar algum reino. Não sabemos em quem confiar. Precisamos de p******o também. Tem como nós ajudar, por favor? Ouvi apenas um farfalhar de folhas, me fazendo sorrir. _Obrigada. - desci. Austin estava arrumando os nossos sacos de dormir quando desci. _ Temos um problema. Só temos dois pacotes de biscoitos... - começou a tirar os itens de dentro da mochila - ...duas barrinhas de cereais, duas barras de chocolate e uma maçã. _ Estamos melhor do que pensei. - disse-me sentando, apoiando as minhas costas no tronco. _ Também temos uma bússola que está doida e uma lanterna. Fora isto, temos documentos e roupas secas, que não serve nada por aqui. Se não fosse por nossos sacos de dormir estavam perdidos. _ Não estávamos preparados para... - fiz um gesto amplo para tudo - ...isto. _ Verdade. - Austin suspirou fundo pensativo olhando a sua volta - Sabe, pensei que por tudo que passamos juntos naquela caverna fosse algum tipo de alucinação coletiva. Sorri diante da ingenuidade dele. _ Posso garantir que foi bem real. _ Eu sei. - sorriu - Contudo ainda não entendo. _ Como já disse, é uma loooooooonga... história. _ Acho que temos tempo suficiente. _ Sim. - concordei olhando para o horizonte totalmente escurecido - Olhe. - apontei para a floresta. Apesar de estar escuro a luminosidade que a árvore fornecia era muito boa. Era como se as suas folhas fossem micro-lâmpadas que nós permitia ter uma excelente visão de tudo. Olhando a nossa volta tínhamos uma nítida sensação que estavam num show pirotécnico de luzes de néon. As multicores dos troncos antes vibrantes, dançavam agora a nossa frente como luzes de pisca-pisca de natal, lembrava-me o filme Avatar. As flores brilhavam como diamantes em cores vivas. Austin gritou surpreso ao ver vagalumes do tamanho de bolas de beisebol apareceram voando tranquilamente. Borboletas que pareciam verdadeiros passarinhos com as suas asas coloridas voavam livremente. Sons de animais que nunca vimos surgiram entre as árvores. _ Belo espetáculo! - exclamei encantada. _ Parece que estamos num estúdio com canhões de néon, só que bem melhor. - disse Austin. Viram pássaros surgirem de cores e formas que nunca pensamos existirem. _ Olhe... - Austin apontou para o céu. Uma ave gigantesca surgiu cantando. Ela era linda, uma mistura perfeita de pavão e cacatua, com uma calda extensa que parecia soltar fragmentos de cristal. O canto solitário e nostálgico lembrava-lhe um lamento de amor. A imagem dela no céu escuro dava-lhe uma vista esplêndida. _ Parece que os animais aqui são maiores dos que conhecemos. - comentou Austin ainda encantado. _ Nem todos. Fico pensando no que mais é grande por aqui. - me lembrei dos cães de Aragon e estremeci. Permaneceram em silêncio admirando o local e pensando no que havia acontecido. Gabriel não saia do seu pensamento, estava preocupada de como ele estava se sentindo sem saber seu paradeiro, onde procura-la. Ele devia estar enlouquecendo! _ Quer a maçã? - Austin lhe perguntou, lhe tirando do transe. _ Uma barrinha de cereal, por favor. - pedi. Estava sem fome, cansada e preocupada. Comemos em silêncio, ainda contemplando o show da natureza. Por mais estranho que parecia eu sentia-me em paz ali, mesmo ao relento e ainda sem me lembrar de como era minha vida anteriormente, estava em paz. Olhando as estrelas lá em cima junto a três luas sentia-me emocionalmente estranha. _ Temos que dormir. - lhe disse olhando o horizonte - Fico de vigia nas primeiras horas, depois te acordo para você vigiar. Antes que Austin respondesse uma ave gigante os sobrevoa antes de pousar a frente deles. _ Isto é uma... coruja? - me perguntou Austin se levantando. A ave na nossa frente tinha grandes olhos negros circulares com uma plumagem clara ou branca ao redor deles, bico pequeno, plumagem densa em cores vermelha, amarela e preto... Sem dúvida era uma linda e gloriosa coruja de quase três metros de altura. _ Acho que esta é a nossa guardiã. - me levantei, sorrindo indo até ela - Calma, eu não vou te machucar. Só quero toca-lá. - falei a coruja. Como se a entendesse, a coruja piou e abaixou a cabeça, como se estivesse fazendo uma reverência, permitindo que eu a tocasse. _ Como assim guardiã? - quis saber Austin. _ Pedi ajuda a árvore. p******o. Acho que a nossa amiga aqui vai vigiar a noite para nós. Não é linda? - como se ela entendesse piou, passei a mão na plumagem macia - Você é maravilhosa! - sorri de puro deleite - Quer tocar? _ Claro que quero. Ambos tocamos o animal que parecia se divertir com a nossa exploração. _ Muito obrigada! - agradeci passando a última vez a mão no animal antes de me afastar - Temos que dormir Austin. Hoje podemos dormir tranquilos. _ Talvez poderíamos pegar uma carona. - sugeriu Austin indo para seu saco de dormir. _ Na coruja? - ele balançou a cabeça afirmando - Acho que não. - sorri - Ela não suportaria o nosso peso. Além disto não saberíamos para onde ir. - ponderei, me acomodando no saco de dormir. _ Verdade. - sorriu se acomodando também no saco de dormir - Boa noite. _ Boa noite. Olhei para o alto dos céus e contemplei as estrelas e a lua novamente achando um dos espetáculos mais lindos que já viu. Talvez naquele momento Gabriel também estivesse olhando. Só esperava que ele estivesse bem. ****************************** Início da nossa nova jornada. Espero poder contar com a companhia de vocês. Beijocasssssssss ????... P.S. Será um capítulo por semana meninas. São muitos detalhes.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR