- Acha melhor assim? - Levanto da cadeira. - Melhor como?
Jones abre a boca, fecha, e abre de novo.
- Eu sou a melhor violinista desse grupo! - Jogo a cadeira para o lado. - Vou em cada evento e nunca. NUNCA PERCO A MALDITA HORA!
- Talvez Emma, você não seja tão boa assim! - Jones berra.
Minha raiva é tanta por ter sido demitida, que acerto um soco na boca dele, minha mão pega em cheio nos dentes grandes e tortos daquela boca f**a.
Um par de mãos me puxam para trás, as cegas agarro meu violino. Do lado de fora outro segurança me agarra.
- Emma. - Um deles me conhece . - Emma, vou te levar para a delegacia agora.
Ainda me lembro quando entrei em uma, era estranha e apagada, depois disso jurei nunca precisar entrar e ter que dormir, ou nem para visitas. O segurança é amigo da minha mãe. Não sei bem o nome dele, prefiro chamá - lo de tio. Fica bem mais fácil.
Observo o carro dar partida, virar a rua e pegar a principal, ele para em um sinal fechado.
- Abre a porta e sai do carro. - Ele olha pelo retrovisor.
- mas ...
- Olha garota. Sei o que você significa para a sua mãe e para o Long. E Jones não apanhou nem um terço do que merece. Então tira a sua b***a magra do meu carro agora mesmo.
Agarro meu violino ainda pasma com a situação e abro a porta.
- A gente vai se ver ainda. Ah, limpa esse sangue na sua mão - Ele arranca com o carro.
O sol alto e a caminhada de quase uma hora a pé me deixa furiosa. Meu carro ficou lá, velho, mas ainda assim seria usado com muito prazer. Agarro meu violino e encaro a vida.
- Pelo menos ainda estou viva. - Tomo impulso e atravesso a rua.
Talvez. Só talvez. Fosse melhor eu sair de Londres, procurar um lugar pequeno, com gente comum, ao invés de querer estar sempre no meio de gente grande, tentando ser o que no fundo não sou. Importante.
Conto mentalmente as pessoas que passam por mim, o número de carros da mesma cor, as lojas que vendem praticamente a mesma coisa, até que um desses carros faz a volta e aparece na minha frente, freia e abre o vidro.
- Que susto garota. - Bato no carro.
- Não faz meu tipo perseguir garotas por aí. - Eloise tira o óculos de sol. - Entra. Vou te levar em casa. Vai logo.
Eloise sabe que canta tão m*l quanto eu. Mas ela insiste em me mostrar o quanto pode enlouquecer alguém todos os dias. Ela canta, canta mais alto e tira a cabeça para fora do carro.
- Muito obrigado.- Desço do carro.
- Espera. Emma.
- Elo. É muito ruim...
- Vamos entrar. - Ela passa na minha frente. - Vamos limpar essa mão.
Observo minha melhor amiga rica estacionar o carro e entrar na minha humilde casa caindo aos pedaços. Entramos em silencio e quando bato a porta ela me encara.
- Eu ainda tenho vergonha de te trazer aqui. - Deposito meu violino no sofá.
- Eu não. Gosto das coisas aqui. São praticas. Você tem o que precisa e pronto. Na minha casa tem gente andando o tempo todo. Ninguém para conversar e é sempre fria.
- Seu pai...
- Não pode sair ainda. Um dia vai entender Emma. - Eloise senta no sofá. - E aí?
- Fui demitida. - Mordo o lábio. - Jones disse que uma tal de Marinna estava se saindo melhor e pronto.
- Não...- Eloise fica alerta. - Quando vai contar tudo para a sua mãe?
- É muito delicado Elo. Fiz o Long guardar segredo e prometi levar para o túmulo.
- Não é justo levar tudo sozinha Emma. Você tem uma mãe. Olha só para você. Ainda somos jovens. Quero dizer... Você deveria estar visitando o mundo, não eles..
Vou até a pia e começo a lavar a mão, parte do sangue não é meu, oque me dá nojo, Só tive arranhões leves, daqueles dentes tortos e amarelos.
- Vou sair da cidade. - Corto o discurso dela.
- Para onde? Sair por aí sem rumo? - Ela começa a ficar apavorada.
- Ainda não sei. Tenho um dinheiro guardado, dá para comprar um lugar pequeno, e me manter até arranjar um emprego.
- Eu pedi as contas. - Ela desata a rir.
- Porque está rindo?
- Ora porque? Porque estamos livres Emma. Semana que vem tenho que voltar para a minha família. Meu tio vai dar uma festa. Na verdade foi a esposa dele.
- Em homenagem á?
- Meu avô. Ele dava um baile todo ano. Tivemos parados por causa da reforma, mas esse ano retomamos. - Eloise pula na minha frente. - É a sua chance de viajar. Diz que sim, diz que sim.
- Vou pensar Elo. Vou pensar.
********
Hospital Central de alguma Cidade de Londres...
As exatas dez horas da noite um homem dá entrada no hospital de Londres. Tem uma facada no peito e outras duas na barriga. Alguém o deixara ali, provavelmente achou que estava morto ou quase.
Os médicos percebem um papel na mão dele, com nomes, datas e instrumentos na frente. Alguém tentou o m***r por algum motivo.
- Ela. - Ele diz coisas desconexas.
- Ela quem? - o médico se aproxima.
- Ela queria....
O médico enterra a mão no bolso da blusa do homem, tira a carteira e lê em voz alta;
- Jones.. Jones Willber. Ela quem, queria o quê?
- Ela queria... Brava... Eu...
E então ele perde a consciência.
- Preparem a mesa de cirurgia! - O médico grita. - Informem a policia que temos uma tentativa de homicídio. Vamos!
*******
- Você é bailarina Eloise. A mais talentosa que já conheci. - Sento no sofá e jogo uma coberta para ela.
- Ainda vou conhecer meu ruivo querida amiga. - Ela fecha os olhos.
- Ed Sheeran. Acha mesmo que ainda vai bater com ele por aí? - Tomo um gole do meu chocolate quente.
- Já ouviu falar em destino? - Ela abre os olhos de uma vez. - Eu sempre soube que....
O Notebook dela começa a tocar, e lá no canto superior aparece uma cabeça. Pulo do sofá com o coração a mil e me escondo na parte escura da sala.
- Eloise onde estava? - A voz dele é um tanto macia.
- Estou na casa da minha amiga, tomando chocolate quente, e Você? - Ela mostra a caneca.
- Em casa, preparando a festa. -Ele responde. - Tenho uma noticia.
- O que?
- Alex vai. - Ele passa a falar baixo. - Na verdade já esta aqui e quer falar com você.
- Então deixe que fale. Só não sei se vou ser tão legal com ele.
Os dois continuam falando, mas uma coisa me tira a total percepção. Ele sorriu para ela, e isso me deixa de alguma forma, estranha. Sim, é como se o sorriso fosse para mim, tão aberto e...
- Lindo. - Falo alto de mais.
- Emma? - Eloise vira, fechando o computador. - O que disse?
- Eu? Hã. Nada... o baile sabe.... Deve ser lindo de morrer. - Deixo a caneca cair, por sorte já esta vazia.
- Confirmei sua presença. Por favor, meu ex vai estar lá.– Ela pula na minha frente. — Diz que sim. – Além de pular ainda prolonga o sim, afinando a voz.
- Tudo bem Elo. Conte comigo...
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Adivinha quem voltou???????
Estavam com saudades de Willisburgo??? Eu também.
Quem gostou dá um joinha aí e comenta também. É muito importante para nós escritores..
Beijokkas....