Diz mesmo o que você pensa- l

1243 Palavras
Nick Santos observou sua imperturbável assistente administrativa e arqueou uma sobrancelha. Essa definitivamente não era a reação que ele esperaria de qualquer mulher ao chegar em casa e encontrar uma cena daquelas. "Tem uma visão diferente agora?" Ele perguntou, mordendo o interior da bochecha para não rir. "Sim. Espero que todas se vinguem desses desgraçados traidores." "É isso que você quer fazer? Vingança?" Ele a estudou enquanto ela puxava os lençóis, tomando cuidado para não tocar onde, obviamente, sua ex-amiga havia sido fodida, e então amassava o cobertor no chão. "Eu não sei. Essa não é minha primeira vez lidando com namorados traidores, mas eu não esperava isso dela. Eu faço tudo por ela. Considerava ela uma segunda irmã." Ela olhou para a cama e soltou um suspiro alto. "Isso não tem conserto, tem?" "Você vai ficar bem?" "Sim. Ela não tomou meu vinho, então vou terminar a garrafa e dormir no quarto de hóspedes. Amanhã vou comprar um colchão e roupas de cama novas, mas droga, eu gostava muito desse conjunto. É o meu de tema natalino." Ela deu um chute na pilha antes de começar a tirar as fronhas dos travesseiros e jogá-las por cima. "Comprei em uma lojinha fofa na minha cidade natal." "Sua cidade natal?" "Coldreach, Colorado." "É para lá que você vai passar o Natal? Você sai na terça-feira, certo?" Ele ainda estava irritado por ela estar tirando todos os dias de folga. Na família dele, férias, especialmente nessa época do ano, nunca estavam nos planos. Mas nos últimos cinco anos, ela sempre saía uma semana antes do Natal e só voltava no primeiro dia útil depois do Ano-Novo. Esse ano, estava tirando dezesseis dias inteiros porque o RH a obrigou a usar o resto das férias, já que ele mesmo cancelou duas viagens dela ao longo do ano. "Sim." Ela soltou um som nada delicado de desgosto. "E pensar que minha mãe estava implorando para eu levar o Arlo comigo. Primeiro cara que eu namoro sério em anos, e ela estava tão animada para conhecê-lo, mesmo eu dizendo um milhão de vezes que ainda não era o momento. Levei seis meses para relaxar o suficiente perto dele para dormir com ele, e cinco dias depois chego em casa e encontro isso. Eu devia ter confiado no meu instinto. Espero que o p*u dele esteja realmente quebrado. Será que é errado desejar uma vida inteira de dor peniana para um homem?" Ela se sentou na beira da cama e olhou para a taça de vinho que havia deixado no criado-mudo. "Talvez eu espere até chegar em casa e veja se alguma das senhoras do grupo de patchwork da minha mãe tem uma capa de Natal que fizeram e ainda não venderam. Eu realmente gostava desse edredom!" "Você parece mais chateada com a perda do edredom do que com a do namorado." Ele realmente achava a reação dela confusa. Não deveria estar chorando, gritando e jogando coisas? Ele sabia com certeza que, se fosse uma de suas irmãs passando por isso, haveria objetos voando pela sala e pessoas sairiam bem mais machucadas do que apenas com um p*u quebrado. "Hazel diz que meu coração foi tão destruído pelo meu namorado do ensino médio que nunca se recuperou e que todo homem que eu namoro, eu mantenho à distância porque tenho medo de me machucar. Ela me chama de Rainha do Gelo Elsa como piada. Provavelmente, ela está certa, mas eu tenho dificuldade em confiar nas pessoas e agora eu sei por quê! Namorei ele por seis meses. Saímos em, no máximo, dez ou onze encontros nesse tempo, e no sábado eu disse a ela que talvez meu coração congelado estivesse começando a descongelar um pouco. Marcamos um encontro no sábado à noite, e ela me ajudou a me arrumar, me disse para parar de me segurar e me entregar. No domingo à tarde, ela sentou bem aqui"—ela gesticulou para a cama—"e me fez contar todos os detalhes de como foi." De repente, a traição da amiga atingiu com força. "Descobrir que ela já sabia como ele era na cama porque estava transando com ele antes de mim..." Ela enxugou uma única lágrima que escorreu pelo rosto. "A traição dela dói muito mais do que a dele. Como ela pôde fazer isso comigo?" "Ciúmes? Ela quer ficar comigo e você trabalha para mim. Foi o que ela disse." A ideia rastejou pela pele dele como uma infestação de baratas. "Ela pode estar levemente obcecada por você." Grier fez uma careta. "Não importa o quanto eu diga a verdade sobre você, ela lê um monte daquelas novelas românticas sobre o CEO carrancudo e a recepcionista ingênua. Só que ela não é ingênua." "Que merda foi aquela sobre você roubar o emprego dela?" Ele mudou de assunto. Aquela conversa estava começando a deixá-lo inquieto. "Ela se candidatou ao cargo de sua assistente administrativa no dia em que foi postado. Ela trabalha na recepção do prédio e tem um diploma em gestão de escritório. Eu estava trabalhando como assistente administrativa do Sr. Pink no departamento financeiro e estava satisfeita, então não me inscrevi. Sua assistente administrativa anterior estava entrando pela porta carregando muito mais coisas do que uma mulher sozinha poderia carregar"—ela lançou a ele um olhar irritado, e ele não tinha dúvidas de que já tinha feito o mesmo com ela várias vezes ao longo dos anos—"e eu a ajudei. Conversamos e ela insistiu para que eu colocasse meu nome na lista de candidatos. Eu não coloquei. Ela descobriu que eu não fiz isso e adicionou meu nome. Ela achava que eu me encaixaria melhor do que qualquer outro candidato porque tínhamos personalidades parecidas." "Eu teria te contratado na hora, mas, por causa do RH, fomos obrigados a passar pelas dez entrevistas restantes. Foi uma tortura. Eu sabia o que queria, mas, por política da empresa, todo mundo precisava ter uma chance justa, caso houvesse alguém melhor. Não havia." Ele fez uma pausa. "Então a Hazel trabalha na recepção?" Ele realmente não se lembrava de já tê-la visto por lá, mas também nunca prestava atenção em recepcionistas. "Sim." "E ela realmente quer me f***r?" Ele estava genuinamente ofendido com a ideia. Quem essa garota achava que era? "Isso te incomoda?" "Você já viu o tanto de preenchimento labial que ela tem, certo? Como amiga, você nunca disse a ela que o visual de picada de abelha não deveria significar que os lábios parecem prontos para explodir? Eu não deixaria ela chegar perto do meu p*u, porque se a boca dela explodisse, eu teria um processo nas mãos. Além disso, o cabelo dela. Você viu o cabelo dela? Aposto que se você pegar um punhado, ele vai fazer crec. Por que o cabelo dela é tão loiro se eu aposto que a raiz tem a cor dos meus sapatos?" "Meu Deus, diz mesmo o que você pensa." "É," ele se moveu para ficar bem na frente dela, "não tenho nenhum respeito por uma mulher que trai a própria amiga desse jeito. Não me importa qual seja a desculpa dela, se você aceitá-la de volta como amiga, eu vou te demitir tão rápido que sua cabeça vai girar, e ainda vou pagar felizmente pela demissão injusta." Ele falava sério. Ele não toleraria ter uma assistente que fosse um capacho. Ela precisava ser forte, e deixar parasitas sugarem você até o fim não era um bom sinal.
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