Lar Doce Lar - II

1221 Palavras
"Falando em comida, o prato especial de Natal da sua tia no restaurante é bolo de carne com maple." "Por quê?" Ela estremeceu. "Não sei, mas as pessoas estão comprando e gostando." "Você experimentou?" Grier perguntou à irmã. "Como se fosse. Bolo de carne tem que ter molho gravy ou de tomate. Só isso." Twila claramente não estava impressionada. "Nick com certeza gostaria da versão com maple," ela considerou, pensando no chefe. "Não sei se já vi ele passar um dia inteiro sem comer algum tipo de doce. A conta do dentista dele deve ser astronômica." "Você está falando dele a manhã inteira." "Ele me pegou de surpresa esse fim de semana." Ela respirou fundo. "Até contei pra ele sobre Kash e Candy." "O que ele achou? Quero saber a opinião do babaca," Twila sorriu. "Ele se ofereceu pra mandar uma caixa de ‘candy c*m’ pro Kash." "Kash esteve na padaria ontem perguntando quando você ia voltar. Ele tenta parecer casual, mas dá pra ver que ainda tá interessado." "Ele pode ir se foder." Grier se esquivou do tapa da mãe. "Ele transou com minha prima e engravidou ela." "Isso foi há treze anos!" "Mãe," ela revirou os olhos para as palavras da mãe. "No fim de semana seguinte, ele me deu um anel de compromisso no mesmo lugar onde a gente perdeu a virgindade juntos, só dois meses antes." "Você m*l tinha dezessete anos. Nem deveria estar fazendo sexo." Sua mãe insistiu. "Certo. Por isso você e a Twila têm só dezoito anos de diferença." Ela zombou da mãe. "Numa cidade tão pequena e com invernos tão frios, só tem algumas atividades pra se fazer. E chega um ponto em que uma garota não aguenta mais passeios de trenó bebendo chocolate quente antes de precisar de outras formas de se esquentar." "Não é mentira," Twila piscou para o marido, que voltava do corredor. "O que demorou tanto?" Ele jogou um celular para Grier. "Isso tava tocando feito louco no fundo da sua bolsa do laptop. Demorei um tempão pra achar. Achei que devia ser importante, já que não parava." "É o celular do trabalho. Eu devia ter desligado." Ela gemeu de impaciência ao ver a quantidade de chamadas perdidas de Meg e Nick. "Não atende," Twila pediu, arregalando os olhos. "Se o papai te ligasse nas férias e você soubesse que era sobre trabalho?" "Eu atenderia," Twila se jogou para trás no sofá com um suspiro resignado. "Mas não ia gostar nem um pouco." Ela tentou ligar para Meg primeiro, mas a chamada foi enviada imediatamente para a caixa postal. Com sua mãe, irmã e cunhado observando, ela ligou para Nick no viva-voz. Eles nunca tinham conhecido seu chefe. Nunca tinham nem ouvido a voz dele. Ela cruzou os dedos e rezou para que ele não fosse um babaca completo. "Jesus Cristo, quanto tempo durou esse maldito voo que você não pôde atender o telefone?" E lá estava ele, em toda a sua glória de babaca. Grier revirou os olhos. "Minha bolsa do laptop estava na parte de trás da caminhonete, e eu não ouvi o telefone tocar porque é onde eu guardo meu celular do trabalho. Estou de férias, Sr. Santos," ela disse entre os dentes, "o que significa que estou usando meu celular pessoal." "Ainda está no modo avião, porque você também não está atendendo?" "Na verdade," ela bufou, "está sim. O que você quer?" "O apêndice da Meg rompeu. Bem aqui no maldito escritório." Ela fechou os olhos e desabou contra as almofadas do sofá, igual sua irmã fez. "Não." "Sim. Ela estava com dor na barriga, mas ficou com medo de me contar, e simplesmente caiu bem na minha frente enquanto trazia meu café. Café por toda parte, misturado com vômito, porque quando ela acordou, começou a vomitar. Então os paramédicos entraram com as botas sujas e encharcadas de neve, sujaram tudo. Meu escritório agora parece a cena do antes de um comercial de aspirador de pó. Tentei procurar nos seus contatos a empresa de limpeza especializada que você contratou daquela vez que a bolsa d’água de uma grávida estourou no meu escritório. Acho que preferia ver isso de novo do que Meg vomitando e tendo espasmos." "Como está a Meg?" Ela o lembrou que havia uma pessoa envolvida. "Passando por cirurgia. Já paguei todas as contas e avisei ao cirurgião que, se ela morresse, eu pagaria as despesas legais da família para processá-lo. Ela vai ficar bem." A boca da mãe de Grier se abriu em um "o" e suas sobrancelhas arquearam alto diante da forma insensível com que o chefe da filha falava sobre sua funcionária. "Vou ligar para o hospital e ver como ela está. Vou providenciar a empresa de limpeza, mas você vai precisar sair do escritório para que eles possam trabalhar, porque eles têm medo de você. Trabalhe na sala de reuniões até que esteja pronto. Também vou ligar para o RH e ver se há alguém que possa cobrir minha mesa." Enquanto falava, ela já digitava uma mensagem para a funcionária da empresa de limpeza com quem já tinha reclamado do jeito de Nick antes. Ela ofereceu o dobro da taxa normal. A mulher pediu o triplo. Feito. "Empresa de limpeza já está a caminho." "Grier, pelo amor de Deus, eu m*l suporto a Meg. Não quero um desses outros idiotas que o RH me manda." As palavras dele registraram e a tiraram de seus pensamentos. "Não! Eu não vou voltar. É Natal e eu vou passar com a minha família!" "Tudo bem. Eu vou até você. Posso trabalhar de qualquer lugar. Preciso da minha assistente. Lembra do que conversamos ontem?" "Estou de férias. Não quero trabalhar." "Você terá seu tempo de folga de volta no Ano Novo." "Não." "Dez mil de bônus." Grier viu os olhos de Twila se arregalarem de incredulidade, e sua mãe apertou seu braço. "Quarenta." "Vinte e cinco." "Você é insano. Você sabe que essa cidade é um destino turístico de Natal, certo? Tipo, as pessoas vêm de longe para passar as festas aqui por causa da fazenda de árvores de Natal, da pista de esqui, do lago completamente congelado para patinação e pesca no gelo. É exatamente o que aqueles filmes da Hallmark mostram na TV. Não tem a menor chance de você encontrar um lugar para ficar aqui em Coldreach." Ela já estava lamentando os vinte e cinco mil de bônus que tinha deixado escapar. Se forçou a acreditar que era apenas pelo dinheiro e não porque estava estranhamente viciada no jeito insuportável dele ou querendo que ele estivesse por perto para distraí-la da dor que ainda sentia por causa de Hazel. "Na verdade, temos um quarto ainda não reservado," Twila falou de repente. "É o menor quarto, fica no topo da pousada, então tem tipo quatro lances de escada, mas—" Grier lançou para a irmã um olhar que deveria tê-la matado na hora, mas Twila estava sorrindo feito uma maluca. Sua mãe pulava animada no sofá. "Eu fico com ele. Não preciso de muito. Preciso da minha maldita assistente. Estou arranjando meu voo agora. Vejo você em algumas horas." A ligação terminou e Grier se virou para a irmã com uma acusação nos olhos, apesar da leve agitação em seu coração. "O que foi que você acabou de fazer?"
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