Sempre soube que ele me olhava diferente. Não como irmão, mas como homem. E, bem, eu nunca fui boa em seguir regras. Chegou aqui com doze anos, eu tinha quinze. Crescemos juntos, mas aquele “juntos” sempre teve um calor estranho, uma tensão que ninguém comentava. Até hoje. Ele estava no sofá, vidrado no videogame, só de shorts e camiseta velha. Eu tinha acabado de sair do banho, enrolada numa toalha, o cabelo ainda pingando. Passei pela sala, devagar, sentindo o peso do silêncio. O jogo travou, ele tinha morrido na tela. — Desculpa — murmurou, mas os olhos não saíam de mim, do vale entre meus sëios onde a toalha m*l segurava. Sorri, soltei um pouco mais a toalha. — Tudo bem. Tédio, né? Tô entediada também. Ele engoliu seco, me aproximei, parei na frente dele, entre ele e a TV. Ajoelhe

