Capítulo 14

1186 Palavras
Nas mãos do CEO: Capítulo 14 Ligação embaraçosa Daniela Marçal Quando sinto o toque frio do ar noturno no meu rosto, percebo que minhas mãos estão suadas, minha respiração está rápida e meu estômago parece cheio de borboletas. Será que é essa a sensação de se encantar por alguém? Por que estou encantada justamente pela única pessoa que não posso ter nada? Quão errado isso pode ser e dar? Não faço ideia do que está acontecendo comigo, mas hoje olhei para o meu chefe com outros olhos, um olhar que não era correto, nem justo comigo mesma, e que provavelmente não seria correspondido. Não posso seguir por esse caminho, não posso ver Xavier como algo alcançável, porque, na verdade, ele não é. Ele é um homem com riquezas, poder e uma filha para cuidar. A prioridade de Xavier é Olivia, não se relacionando com ninguém. Pelo menos é essa a premissa que se forma na minha cabeça. Claro que isso levantou vários pontos de interrogação na minha mente. Queria saber mais, queria ir mais a fundo nesse mar intenso que vejo à minha frente. Xavier foi muito claro quando disse que não se apaixonou e que não pretende se entregar ao amor tão cedo. Por isso sinto que há algo por trás dessa negativa toda. Não perguntei para não o assustar, já que ele estava tão aberto para uma conversa sincera e sem as amarras do trabalho. Aproveitei o momento como pude. No entanto, não me passou despercebido que Xavier odiasse falar da mãe de Olivia. Não era o seu assunto favorito, e também não era um assunto fácil de abordar. Sinto que há algo a mais, sempre há, mas quem sou eu para saber o que realmente aconteceu naquele acidente? Sinto que há algo mais profundo em suas palavras tão sinceras e realistas, mas não era o momento de saber disso. Não era a minha hora de descobrir a verdade. O telefone toca novamente, e o ar do lugar me faz voar para longe. Me conecto com o presente. Fui praticamente salvo pelo gongo, não sei o que seria de mim se o telefone não tocasse naquele exato momento. Será que ele teria coragem de me beijar? Será que eu iria corresponder? Oh, céus! Estava tendo uma conversa tão tranquila com o meu chefe, e de repente o assunto mudou. Começamos a falar sobre cavalheiros, e quando me dei conta, Xavier estava perto demais da minha boca. Perto demais do meu juízo, ou da falta dele. Não sei como cheguei a esse ponto, mas eu ainda tinha um namorado. Ainda tinha que resolver a minha vida amorosa para sair beijando as pessoas. Que loucura! Não que eu devesse sair beijando meu chefe depois. Devo estar fora de mim por pensar nisso, mas não podia fazer nada enquanto ainda estava em um relacionamento com Paul. Atendo o telefone que já tocava há muito tempo. A pessoa do outro lado da linha estava nervosa. Por que ainda não desistiu de mim? Ao ver o nome no visor, sinto uma tranquilidade momentânea. — Oi, Marina... — Era o número da minha amiga, e era como saber que eu ainda tinha alguém para quem correr. Mesmo no trabalho, ela estava me ligando. Graças a Deus que ela me ligou. No entanto, Marina não liga assim. Algo está acontecendo. — Graças a Deus, Daniela Marçal... Fiquei em pânico pela demora para atender — Sua voz continha uma preocupação genuína, mas também uma braveza que só ela tinha. Ouço muito barulho no fundo da ligação. Ela estava no bar trabalhando, por isso a ligação era, no mínimo, inusitada. — Você não está em casa, não atende o telefone e ninguém sabe onde se meteu! — Ouço sua voz sendo abafada pelo caos do lugar. — Fiquei preocupada porque você não é assim, Dani. — Como você sabe que não estou em casa? — Marina sai de tarde para o trabalho, não tinha como ela saber que eu não estava em casa. — Paul apareceu aqui no trabalho e está louco atrás de você. — Fecho os olhos. — Ele está realmente preocupado, Dani. E olha que não tenho um pingo de pena dele. — Marina... — Ela bufa do outro lado da linha. — Não vamos discutir sobre o Paul agora, Daniela. — Concordo. — Escuta bem o que eu vou te falar agora, sim? Se ele veio até o meu emprego, enfrentou a fila que se forma na porta e está sentado no bar me esperando voltar com alguma resposta... Sim, amiga, ele está bem preocupado e quase me matou de preocupação também. — Suspiro, frustrada. Paul odiava o bar em que Marina trabalhava. Ele queria ir a qualquer lugar, menos beber cerveja no bar em que minha amiga era gerente. Não por causa dela, mas pelo ambiente. — Eu disse que era para você viver e deixar o Paul em segundo plano — ela tinha dito. — Mas você podia ter me avisado que eu te dava cobertura, minha amiga. — Acabei rindo. — Você deveria ter visto a minha cara de surpresa e susto de ver ele aqui. — Desculpa, amiga, nem tive tempo para pensar que o Paul estava me procurando. — Ele me surpreendeu nesse ponto também. — Ignorei o Paul porque estou precisando pensar e resolver a minha vida, amiga. Não dá para ficar nessa situação com ele, não quando não tenho um sentimento intenso por ele. — Ouço-a dar ordens a alguém. — Fala, amiga, desculpe... — Não depois do que vivi hoje... — Olho para o nada. — Eu mereço ter uma família, amar de verdade, sabe? Sinto que o Paul nunca vai me dar isso. — Silêncio do outro lado da linha. — Tenho tantas perguntas... — Ela ri. — Faz isso, Dani. Pensa bem, eu te dou cobertura aqui... — Ela para de falar. — Obrigada, amiga... — Onde você está? Quero saber só para não ficar preocupada também. Já basta seu ex-namorado me fazer um interrogatório aqui. Era a hora da verdade. — Eu estou bem, Marina. — Olho para o lugar onde estava. — Estou na casa do meu chefe, vou dormir aqui e amanhã vou para casa cedo. Um silêncio prolongado se estende do outro lado da linha. — Marina?! — Tenho tantas perguntas... Então, amanhã te espero em casa. É a minha folga. — Okay... — Vou falar para o Paul que você está viajando a trabalho, assim ele não te perturba amanhã, sim? — Obrigada... — Outra coisa... — Ela vai para um lugar mais silencioso. — Não se prenda, não se desvalorize, faça e aproveite as oportunidades que lhe são dadas. — Marina... — Nem sabia por que ela estava falando isso. — Não estou aqui para te julgar, mas sim para te ver feliz. — Obrigada, amiga, obrigada. — Nem sabia mais o que dizer à minha amiga naquele momento. — Vai fazer o que sei lá você estava fazendo antes de me atender. — Marina desliga, e eu fico sem graça, sem ação e sem saber o que fazer da minha vida agora.
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