Capítulo 16

1702 Palavras
Capítulo 16 Xavier Lancaster - Vai me contar se está com Paul? Porque sei que não está noiva... - Daniela passa a mão no dedo onde deveria estar um lindo anel de noivado. – Aquele i****a não teve a capacidade de ser homem e ter te pedido em casamento. Sei que soou c***l da minha parte, mas eu não via como Daniela ainda estava com aquele sujeito desprezível. - Nossa, você é c***l quando crer... - Sabe que eu não sou de dar afagos a ninguém, Daniela, não se sinta diferente por estar em minha casa. – Ela confirma sem me olhar nos olhos. Eu sabia que ela estava sentida quanto a não ter sido pedida em casamento no jantar que Paul fez questão que eu soubesse, talvez isso possa ter aberto os seus olhos para a verdadeira face daquele cara. A questão é que ele é uma pessoa insignificante para mim, Paul nunca me abalou emocionalmente, e muito menos financeiramente. Ele queria tentar chegar ao mesmo patamar que o meu sobrenome era na indústria hoteleira, mas ele está longe desse feito, então usa estratégias baixas para tentar ser notado. A única coisa que me incomoda nele é esse relacionamento com Daniela, não gosto disso, porque eu sei que ele não vai levar isso a diante. Ele somente não quer ficar sem ninguém, porque eu sei que ele não apresentou Daniela a sua própria família. Quem namora por quatro anos e não apresenta sua companheira para a sua própria mãe? Eu sou um sujeito frio e sem coração, mas nunca faria isso com uma pessoa. Reitero, Paul é um i****a! - Porque está tão interessado em saber se ainda estou com Paul? - Diz totalmente na defensiva, não a culpava. - Ele realmente não me pediu em casamento, na hora fiquei triste porque coloquei muito expectativa nisso, mas depois de pensar muito sobre o assunto. Eu realmente acho que foi bom não ter acontecido mesmo pedido... - Ela me olha. - Não porque você sempre fez questão de falar m*l dele, mas porque eu estou tentando avaliar tudo que estou passando, Xavier. Talvez possamos ter pensamentos diferentes sobre relacionamentos, e está tudo bem. – Eu me seguro para não rir da sua inocência. - Nunca quis me meter na sua relação, eu somente não confio no seu namorado. - Digo de forma simples. - Não me diga... - Diz debochada. - Eu já entendi, eu já estou vendo o que faço da minha vida, Xavier. Não que isso seja da sua conta. Porque sim, eu já estou passando da idade de me casar, e fora que eu preciso arrumar um jeito de ficar no país. Isso é dela, tentar se explicar e dar armamento para o inimigo. - No entanto, ainda vou conversar com ele, tenho que resolver a minha vida com ele, pois entendi que estamos em momentos diferentes na vida. Me segurei muito para não dizer que tinha avisado, e contar tudo que desejava a ela. Até porque, eram os sentimentos dela, mesmo estando muito satisfeitos com as suas palavras. Não sentia que a aproximação dele tinha sido feita de uma forma mais espontânea e natural, sentia que ele queria algo que nem eu e muito menos Daniela sabia o que é, ainda. A verdade é que Daniela Marçal já era a minha noiva, mesmo ela não sonhando com isso, mesmo não sabendo que vai se casar comigo. - O que tem a ver com meu relacionamento com Paul, em tudo que está acontecendo agora? Você agiu estranho o dia todo, não corrigir o cara do buffet ao dizer que eu não era sua noiva ou esposa. Agiu como se fossemos uma família feliz o dia todo, fez compras para mim, me deixou entrar na sua casa e agora está falando coisas que não tem muito sentido para mim nesse momento. Então Xavier, o que está acontecendo? – Daniela estava com raiva, a ponta do nariz começa a ficar vermelha, suas bochechas ficam na cor escarlate e ela fica ofegante. - Quando você se resolver com o Paul, a gente conversa, sim? - Ela ri com raiva. - Não quero me meter na sua relação com ele. - Ah não... - Ela fala furiosa. - O que você fez desde que me conheceu e soube que eu namorava o Paul, é se meter na minha vida. Você não vai fazer isso comigo, Xavier. Começa a falar o que está planejado nessa sua cabeça que ganha milhões de euros por hora. - Diz se levantando nervosa. – Vai me contar porque não estou em horário de trabalho, e não sou a sua estagiaria aqui. Alias, daqui a um mês nem vou poder continuar no Reino Unido, então abre a boca e desembucha! Minha cara por fora era a mesma, mas por dentro, eu até admirava a coragem de Daniela. - O que quer ouvir de mim, Daniela? Que você está perdendo tempo com o i****a do Paul? Pois bem, digo novamente, porque preciso sempre te alertar sobre esse cara, mas você nunca me escuta. — Digo, irritado. — Se eu falar agora, você vai achar que estou fazendo isso por motivos torpes, mas não é nada disso. Eu nunca confiei em Paul. Ele é um desgraçado que quer ser igual a mim, mas não tem dinheiro, poder, nem inteligência para isso. — Ela me olha, descrente. — Queria ter essa autoestima… — Diz, com todo o deboche que há em seu ser. — Para estar namorando aquele energúmeno, realmente lhe falta autoestima! — Brado. — O que você e Paul têm em comum para se odiar tanto? Aliás, quando falo de você para ele, ele só fica ouvindo, nunca fala nada a seu respeito. — Nesse momento, fico irritado, aliás, fico irado! — O que aquele i****a tem para falar de mim? — Digo não escondendo que estava estressado. — Paul tem que agradecer por eu não ter feito da vida dele um verdadeiro inferno quando pude! — Digo tão sério que depois vejo que estou perdendo a paciência com Daniela. — Eu tenho problemas com seu namorado, problemas sérios, mas não é hora de falar sobre ele. Não é hora de falar o que eu planejo para nossas vidas. O que tenho para te dizer é que eu sei que ele não te merece, só isso. Não que eu me importe com quem você sai, mas sei que você é inteligente e merece uma pessoa melhor na sua vida. — Você?! — Diz exaltada. — Acabou de dizer que não acredita no amor. — Você acha que Paul te ama? Pelo amor, Daniela... — Digo, exaltado. — Aquele lá só ama o dinheiro! No máximo, o que ele quer é... — Me calo, vendo que estava indo longe demais. — Sexo?! — Ela diz, irritada e muito magoada. — Você não me conhece mesmo, Xavier... — Vejo que fiz merda. — Paul não é o anjo de candura que você pensa que ele é. E mais: ele não te ama e não vai te amar, porque ele somente ama a si mesmo. — Daniela me olha, magoada. — Não é nada sobre sexo. Eu não sou ninguém para me meter na sua vida s****l. — A besteira já estava feita. Dava para sentir a raiva que emanava do corpo dela, e eu sabia que tinha pegado pesado, mas agora a mágoa era visível, e isso me quebrava de uma forma que jamais tinha acontecido com nenhuma mulher. Não sou bom com palavras. Tinha certeza de que a magoei. Não falei o que Paul fez na minha vida, mas disse para uma mulher que ele nunca iria amar. Logo eu, que também nunca amei ninguém e tinha garantido para ela que não faria o mesmo. — Quando você resolver jogar limpo comigo, nós dois conversamos... — Ela se afasta. — Por favor, me mostre onde é o meu quarto. Amanhã quero tomar café com a Olívia e ir embora para a minha casa. Ela não me olhou mais, estava se distanciando de mim. — Dani... — Ela não se vira para me encarar. — Eu sei que ele não me ama, e também estou começando a ver que não tenho um sentimento sólido por ele, Xavier. Mas não adianta você ficar criticando sem me dar motivos concretos para eu acreditar nos seus argumentos. Até agora, ele tem sido um bom namorado, mesmo que tenha alguns defeitos que me incomodam. — Diz, firme. — Mesmo que ache que ele só está comigo por causa de sexo... — Ela diz como se tivesse cravado uma faca em seu peito. — Devo respeito, honestidade e responsabilidade para com ele. Não é de bom tom ficar falando do meu namorado, ainda mais quando a pessoa claramente não o suporta. Ela não me olha. — Daniela, eu sei que passei do limite... — Tento voltar ao clima bom em que estávamos antes. — Quero dormir, Xavier, por favor... — Suspiro, frustrado. — Ok, já entendi... — A levo para o quarto ao lado do de Olívia. — Tem roupas no armário, toalhas e seus produtos de higiene. — Digo, sem graça, e olha que é difícil isso acontecer. — Vou deixar você descansar, e me desculpe pelas minhas palavras. Não medi o quanto poderia te machucar. Não deveria ter me metido na sua relação. Não tenho nem delicadeza para falar com o sexo feminino, então me perdoa. Não espero que ela diga nada. Fecho a porta atrás de mim, sem saber o que fazer para melhorar a nossa situação. Dei dois passos para a frente com Daniela e voltei três para trás ao tentar me meter em algo que eu não tinha que ter falado absolutamente nada. Não podia ter deixado transparecer o quanto essa relação deles me incomodava, por mais que reafirmar que não tinha nada a ver com isso. — Que droga! — Soco a primeira parede que vejo. — Não posso perder a Daniela por causa do i****a do Paul, não posso... — Vou para meu escritório para pensar em como me livrar de Paul de uma vez. Era necessário fazer isso, ou eu perderia a ótima candidata a mãe da minha filha.
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