O olho debaixo da pia (parte 3)

3839 Palavras
Marcelo está em sua sala, analisando alguns casos. Logo, tem a sensação de que está sendo observado. Olha para a porta de sua sala, vê um espectro. È Agatha. Com os olhos fitos em Marcelo, não diz uma palavra. - Que susto, menina! O que quer? Ela não responde. - Bom... Deixa eu adivinhar...Vejamos! Você está ressentida porque a sua amiga não tem mais o beneficio para custear o tratamento do filho doente? Olha, já vou lhe avisando, estamos com retenção de custo, e eu não tenho a obrigação arcar com as custas do tratamento de todos os doentes, sei que parece injusto, mas não é culpa minha o sofrimento dos outros e... - Cala a boca, Marcelo! Quantas noites você quer que eu passe com você, para que restabeleça o benefício? Marcelo aproxima-se de Agatha. Está boquiaberto. Não sabe se repele a garota pela defronta ou se a admira mais ainda. Seus olhos parecem estar mais azuis do que nunca. - Comece esta noite. È o que Marcelo responde. E a beija. ... Sentada com as pernas cruzadas, estava impaciente. O tempo parece demorar uma eternidade para passar. O tic - tac do relógio não acompanha as batidas de seu coração acelerado. Será que ele vai demorar? Precisa ser forte Agatha, vai ser rápido. Mas queria que não o fosse? O que sentia por ele? Dava tempo de fugir, mas não queria. - Pronto, já verifiquei o prédio inteiro, não há mais ninguém. Podemos ficar a sós. Quer um vinho? Noites de inverno costumam serem curtas e frias, mas naquela noite havia algo bem incomum. A noite estava quente e parecia muito mais longa, pelo menos naquele prédio, no décimo sexto andar... ... - Agatha! A Bia está chamando na sala dela, disse que é urgente ... - Disse Clarice com as mãos cruzadas, parada na porta da sala de cópias. E aproximando-se dela, continuou: - Eu percebo o que está acontecendo Agatha, vi que você ficou até mais tarde ontem sozinha com o Marcelo, e que eu saiba você não está mais fazendo hora extra. Não acho que a Bia iria gostar de saber do que está acontecendo e... - Clarice, isso não é da sua conta! E eu não fiz nada demais. O Marcelo só queria conversar comigo. Conversamos e nada mais... - Não estou a te julgar, mas acontece que sou muito próxima de Bia, e ela não gostaria de saber que está sendo traída, certo? - Clarice encostou uma das mãos nos ombros de Agatha - Agora vá, pois Bia te espera na sala. ... O chamado de Bia provocava um arrepio nos pelos de Agatha. Conseguia ouvir as batidas de seu coração. Uma tempestade de pensamentos pairava em sua mente. Será que Bia desconfiava de algo? Será que o Marcelo não se conteve e contou sobre a noite passada? A porta que dava para a sala de Bia poderia ser a porta que levaria ao seu fim no escritório, não sabia qual seria a reação de Bia. E percebeu então, que não poderia ficar parada em frente aquela porta, deveria arriscar, mesmo que esperasse o pior... - Pode entrar! – Disse Bia, com tom de voz firme – Por favor sente-se. - Sim, senhora. - Será que ela conseguiu ouvir seus pensamentos?- pensava. - Agatha preciso fazer uma pergunta a você ... Sei que está a um bom tempo aqui no escritório, você já é quase meu braço direito, e sei da sua proximidade com Marcelo... Mas há algo que precisa ser esclarecido - Sim, diga.- Estremecia por dentro. Bia, que estava em pé andando de um lado para o outro, aproximou-se de Agatha, ajoelhou, olhou fixamente em seus olhos, e se prostrou a chorar. - Agatha não sei o que faço, acho que o Marcelo está me traindo... O pior, é que desta vez não sei quem é.- Bia soluçava - Calma, Bia... Mantenha a calma... - Todas as noites ele tem chegado tarde, e não só com r*****o a isso que me ponho a desconfiar... Acho que o perdi. - Não, Bia! Não pense assim. O Marcelo te ama. - Não, você não entende. Eu sei que o perdi. Ele não é o mesmo comigo, não me beija não me abraça, não fazemos mais amor... - Às vezes é só cansaço. Bia enxuga as lagrimas e esboça um leve sorriso. - Agatha, uma mulher sempre sabe quando o seu coração não pertence mais a um homem. Eu sei que o Marcelo sempre teve estes deslizes, mas de todos eles eu o perdoei porque sabia que era apenas uma falha, um instinto, uma necessidade. Mas agora é diferente, sei que ela pensa nela o tempo todo, suas atitudes demonstram isso. Desta vez, eu estou de mãos atadas. Bom, agora vamos, pois temos muito trabalho, desculpe-me pelo desabafo, e por atrapalhar o seu trabalho. - Imagine, pode contar comigo sempre Bia, e sobre Marcelo, acredito com todas as minhas forças que ele ainda te ama. Com o tempo irá perceber isso .- As duas se abraçam. - Seja como for, espero nunca descobrir que é esta ladra de corações- Disse Bia sorrindo. ... Abre-se a porta da copa. O Olho se abre. È Clarice: o cabelo levemente desajeitado para o lado, sem nenhuma maquiagem, um olhar tenso. Abre vagarosamente o secador de louças que está a sua direita. O olho observa o rosto rígido de Clarice. O passado lhe remete há um ano atrás. Sua primeira festa de confraternização do escritório. O que era para ser um dia em que muitos guardam de recordação,ela queria apenas esquecer. Contava dezoito primaveras Anualmente o escritório Matos & Ferreira fazia uma festa de confraternização de fim de ano. A festa acontecia na cobertura do edifício do escritório. Talvez o único momento em que todos os funcionários se encontravam ao mesmo tempo. Festa regada a champanhe ,bebida, musica alta, conversas fiadas. Clarice não costumava a beber. Em festas era comum ouvir de seus amigos mais próximos a palavra : "careta. Mas não se importava , preferia manter a sobriedade e rir dos ébrios que davam vexames nas festas. Sentia que sua dignidade estava intacta. Ela não tinha quase nenhum contato com Marcelo, e quando o tinha era raro sair um "bom dia’’ da boca dele, o máximo que ouvia eram palavras imperativas. Estava entediada naquela noite , nenhum de seus colegas estagiários davam sinais de que iriam abandonar aquela festa tão cedo. Clarice, que estava sentada em uma mesa próximo ao bar apenas curtia o som. De repente sentiu o aproximar de um homem de camisa social com uma garrafa de champanhe e uma taca na mão. Sentou se ao lado de Clarice. Não demorou muito para perceber que era Marcelo que estava ao seu lado. m*l conseguiu dizer qualquer palavra antes que ele lhe dissesse apenas - Bebida? Clarice se negou no primeiro momento. Ele insistiu tanto que ela acabou cedendo. Não conhecia o lado tão sedutor e tão dominador de Marcelo, até então, ele era uma ilusão nos seus pensamentos, um sonho bom, sentia uma leve queda por aquele homem. No decorrer da noite os dois mantiveram uma longa conversa. Marcelo arriscou uns passos de dança com ela. Era tarde, praticamente todos os funcionários haviam ido embora. Marcelo então ofereceu carona a Clarice. O estado da garota era tal, que não conseguia raciocinar direito. O que estava acontecendo então? Não sentia suas pernas seus braços ... Sua mente parecia levemente adormecida. Era apenas um vulto que dirigia um carro. De súbito sentiu o carro estacionar, mas aquela não era sua casa. Tentava balbuciar qualquer coisa em vão e quando de repente foi puxada para o banco de trás do carro. O que está acontecendo? - pensava. Não conseguia ter qualquer reação. Ainda conseguia enxergar sobre a escuridão... Seu vestido estava sendo levantado. Com a força de uma criança ela relutava em vão. Estava tão atordoada que conseguia apenas enxergar por meio da luz um movimento constante de pélvis- Por que ele está fazendo isso?- Não demorou muito para que conseguisse avistar outro vulto-Sim! Estava salva! Finalmente! - Mas o vulto não veio para salvá-la... Era o amigo de Marcelo... Em questão de segundos ele repetia o mesmo movimento e ao longo da noite os dois se revezavam. Clarice se manteve inerte. Uma figura quase cadavérica, não sentia dor, não sentia nada. O que havia na bebida? Por que eles estão fazendo isso comigo? O que fiz a eles? Eram perguntas sem respostas. Foi uma longa e árdua noite. Queria apenas esquecer aquela noite. A bebida havia lhe deixado um gosto amargo para sempre em sua boca. O passado de Clarice havia ficado para trás. Ninguém, além de Marcelo e Pedro do que havia acontecido naquela noite. Mas, mais alguém sabia... ... Olho se fecha. ... -Demorei? -Não. -Estava em uma reunião no primeiro andar, estamos em uma operação que pode ser arriscada... -Problemas? -Estamos advogando para uma empresa milionária repleta de fraude e corrupção, esta a beira da falência parece que o cerco está se fechando... -Ossos do ofício. -Sim. Uma pena pagavam honorários caríssimos para o escritório. Agatha, mudando de assunto, quero te levar a outro lugar... Podemos ficar a v*****e e é um lugar muito mais espaçoso. Agatha não responde. - Sei que esta aborrecida e que tudo isso parece loucura ... Mas tenho que te contar... Eu... Realmente sinto algo por você - E a Bia? Já a esqueceu?! - È diferente. O que sinto por ela não é o que sinto por você . Tenho um grande carinho por Bia. Mas estou apaixonado por você. Você entende isso? Eu quero que esta noite seja diferente das outras, quero que sinta o quanto a amo. O que pensa sobre isso? - Penso você não sabe o que está dizendo, está confundindo um d****o carnal com um sentimento. - Você deve me odiar, não é? - Não totalmente... Agradeço pela oportunidade de emprego, e por ter restabelecido o benefício de Maria. -Você e extremamente frígida. Gostaria de conhecer mais sobre você, praticamente não sei nada sobre a sua vida. E tão retraída... - Não tenho o que contar sobre minha vida. - Bom, eu sinto que estou te amolando, não vou mais aborrecê-la com isso. Quero saber: você concorda em irmos para outro lugar? - Como preferir. Era um hotel de luxo. Era a primeira vez que ia em um lugar assim. O Mais próximo que recorda te ter visto um lugar tão exuberante foi ainda na infância no aniversário do chefe da sua falecida mãe. Mas nada era comparado aquele lugar. Janelas e portas douradas aparentando serem de ouro assim como a torneira do toilette. Agatha considerava luxuoso demais para serem feitas apenas necessidades. Pensava: Poderia facilmente morar ali. Marcelo interrompeu o silencio: - Pelo seu olhar de deslumbre, vejo que gostou... - Sim é lindo!!! Bom, vai ser o nosso local de encontro pelo menos por enquanto... Marcelo reclinou Agatha sobre a cama coberta com lençóis de seda. Começou a beijá-la: pés, barriga, boca, braços. Marcelo provocava um forte d****o em Agatha. Suas pernas já estavam trêmulas. Seus beijos a deixavam sem ar. Marcelo abria a abotoadura de sua camisa lentamente. Ela deixava transparecer o quanto o desejava. Sob a Meia luz no quarto, ela conseguia o ver por meio da sombra ,sentia a leve brisa entrar pelas frestas da janela. Face a face ,agatha via a expressão de Marcelo mudar, e percebeu que já não era mais ele quem estava ali , mas sim um homem velho, desfigurado, e***********o, que repetia com uma voz grave dizendo - Se você contar para alguém eu te mato! Agatha , com o susto, empurra Marcelo para o chão. Era a voz de seu passado entoando novamente. - O que aconteceu? – Questiona Marcelo ainda atordoado. - Desculpe-me, desculpe-me...Tenho que ir. Agatha veste-se, pega a chave que está na cabeceira, e foge, como se tentasse fugir de seu passado. O velho fantasma que a perseguia voltara. ... - Buenos dias!- Fernando abria bruscamente a porta da copa. - Nossa ! Que surpresa! O Dr. Fernando chegando cedo!- dizia Pedro -Não seja m*l educado, eu sempre sou o primeiro a chegar nesse escritório- respondeu dando uma piscadela para Maria que recolhia os talheres da mesa. - Bom, pelo visto você veio trazer uma boa notícia. - Sim, conversei com Marcelo ontem. Vamos conseguir abrir uma filial em Jundiaí! Já está praticamente tudo pronto! - Meninos, com licença, vou me retirar. Marcelo está me chamando na sala dele- Interrompe Maria. Os dois acenam gentilmente para ela. - Bom, depois você me envia o relatório- Pedro dirigia-se a Fernando - Tem mais uma coisa tem mais uma coisa que gostaria de lhe dizer, aproveitando que Maria saiu. - Diga. - Ontem à noite, eu estava procurando notícias criminais da cidade de Jundiaí, queria fazer um estudo sobre a criminalidade local, já que iremos atuar na área criminal. Acabei por achar algo um tanto curioso... A estagiária nova...Sabe? -Agatha? -Isso! Eu resolvi procurar sobre notícias criminais mais antigas. E encontrei isso- Fernando estende um papel dobrado a Pedro. -Veja o que diz em cima . È o pai de Agatha. Ele foi assassinado com quarenta e seis facadas, e a mãe... suicidou-se logo após o assassinato. -Que horror!Mas como sabe que é ela?- Pergunta ainda horrorizado. - Bom, são as iniciais dela. Na época era menor de idade foram, usadas apenas as iniciais. Mas os nomes dos pais estão escritos por inteiro. Aproveitei e consultei no RH o nome dos pais dela. - Coitada! Mas descobriram o autor do crime? - Não, o processo foi arquivado por falta de provas. - Será que é por isso que ela e tão esquisita assim? Não sabemos nada sobre sua vida... - Isso não é tudo... Resolvi investigar a fundo. Reabriram recentemente o processo. - Parece que suspeitam de Agatha... No banheiro do escritório, Agatha lava o rosto, era como se lavasse a alma. O acontecimento da noite passada, indicava que sua ferida ainda continuava aberta. A voz ainda ecoava em seus ouvidos. O que faria então? Viveria para sempre com aquela imagem em sua mente? Lembrou-se daquela faca, sim, como seria prazeroso sentir cortar sua pele com aquele objeto pontiagudo... Talvez sem querer Talvez ninguém percebesse, talvez se seu coração não conseguisse trabalhar sua mente teria paz, talvez sentisse o mesmo prazer que sentiu ao dar quarenta e seis facadas... Talvez não..., talvez pudesse sentir este mesmo prazer ... em outro corpo ... Agatha admira-se no espelho e sorri. O olho se fecha. ... - Alô, Agatha? - Sim, tia. - Estou te ligando para avisar que vou viajar hoje mesmo, entendeu? - Sim tia, você já me disse... - Como eu vou ficar fora duas semanas,eu deixei todas as regras e o que tem de ser feito no papel que está em cima da geladeira. - Sim, senhora. -Ah! Mais uma coisa! O Juca já começou a abrir o buraco para fazer a piscina, certo? Os homens vão vir na semana que vem para instalar. Lembre-se: seja educada, ofereça água e lanche. Não deixe de forma alguma que eles mexam nas plantas. - Sim! - Creio que não nos encontraremos antes que eu viaje. Portanto já quero deixar tudo pronto quando você chegar em casa. - Muito obrigada tia! - Eu te amo querida... - Eu também te amo tia. Boa Viagem. ... Marcelo anda de um lado para o outro agitado na sua sala. Fim de ano são os mais difíceis no escritório Matos & Ferreira. Toda a correria do ano é levemente aumentada nesses dias. Os funcionários fazem hora extra para agilizar processos parados e iniciar novos, realizar protocolos não feitos , cumprimento de prazos. Parece que o Natal este ano não iria ser fácil para o escritório. Marcelo começa a fazer suas ligações diárias, e claro, com muito mais imperatividade. Toc! Toc! um barulho na porta. Marcelo, nervoso, apenas esbraveja: - Estou ocupado! Volte mais tarde! Mas o teimoso do outro lado da porta parece não ouvir. A porta se abre. - Com licença doutor...- entra Agatha timidamente. - Desculpe-me, não sabia que era você. - Posso falar com você? Prometo que serei breve. - Claro! - Eu queria me desculpar por ontem... Não sei o que deu em mim... - Tudo bem, meu amor. – Marcelo aproxima-se dela, coloca suas mãos em seu rosto, e olha naqueles tensos olhos azuis- Eu entendo que você esteja assustada, tudo isso também é novo para você e para mim, mas quero que confie no que eu vou te dizer. Estou loucamente apaixonado por você. E eu já tenho minha decisão. Vou me separar de bia. - Sério?!... Você diz isso com tanta convicção... - Estou certo do que quero fazer. Meu relacionamento a tempo não tem estado bem. Alguns meses atrás ela tentou retomar a paixão, se aproximou de mim. No começo eu até cedi.... Porém, na noite de ontem, eu puder ver o quanto estou a iludindo com este relacionamento, no qual eu não quero mais continuar. Repito! Eu realmente estou apaixonado por você! E quero continuar a te amar, e se você permitir, quero fazê -la feliz. Agatha se afasta de Marcelo, começa a andar pela sala pensativa, Volta-se para Marcelo e olha profundamente em seus olhos: - Você realmente tem certeza que quer ficar comigo? - Sim, absoluta! - Acho que podemos tentar... - Gostaria de poder me encontrar com você esta noite... Mas a festa de confraternização será hoje a noite... A não ser que nos encontremos em outro lugar antes de irmos. Se possível eu te libero mais cedo e... - Bom... Marcelo ... Não gostaria de voltar aquele lugar de ontem... - Tudo bem, querida. Você tem outra ideia? - Sim. Na minha casa. - Sua casa? - Minha tia viajou. Por enquanto estou morando sozinha. - Certo. Perfeito. Nos encontraremos lá antes da festa. - Marcelo... Será que eu posso sair mais cedo hoje?...Sabe ...Preciso organizar umas coisas lá. - Sim, meu anjo. Como preferir. Marcelo termina com um beijo. ... Caro leitor, vocês já reparam o quanto as horas demoram para passar quando estamos ansiosos para que ela passe ? Ou quando desejamos profundamente que o tempo pare, parece que ele cria asas? . Definitivamente, o tempo é muito teimoso! Agatha observa os ponteiros do relógio. Tic- tac, tic-tac. Nada de Marcelo. Será que esqueceu? Será que desisitiu? De súbito o soar do relógio e efusivamente ofuscado pelo soar da campainha. Era ele. - Desculpe a demora, meu amor. Um caso urgente lá no escritório. - Sem problemas. Preparei uma surpresa para nós... Ela o leva até a cozinha. Havia preparado um apetitoso jantar , sucos , frutas, peixe, canapés, vinho. Os dois sentam-se por sobre a mesa. - Uau! Tudo isso para mim? - Sim, quero que nosso encontro seja inesquecível... - Eu também, mas o que d****o mesmo é a sobremesa que está por vir- Diz Marcelo alisando as pernas de Agatha maliciosamente - Aposto que vai gostar da sobremesa. Eu acabei de abrir este vinho. Experimente! Agatha enche o copo de Marcelo até a boca. - Humm! Parece bom. E você? Não bebe? - Por enquanto não, vou deixar esta para você . Afinal, você é o meu convidado, quero que se sinta em casa. Agatha lhe dá um beijo. - Estou me sentindo um pouco tonto, que vinho é este? Um pouco forte não? - Sim é um pouco. Devemos sempre experimentar coisas novas e aproveita-lás como se fosse a ultima coisa que iremos fazer...- Agatha impurra lentamente o cálice que está a mão de marcelo para que ele tome mais. Os minutos passam. Marcelo diz: - Estou atordoado. Não estou me sentindo bem...Agatha... Marcelo tenta se levantar da cadeira, mas não consegue, suas pernas estão pesadas - Agatha ... não sei o que está acontecendo... não consigo... Ele apaga sobre a mesa. Agatha verifica os pulsos de Marcelo. Está vivo. Olha para o seu relógio. Já está quase na hora. Pega o celular e liga: - Juca, está tudo pronto. Pode vir Olha por sobre a pia e vê -la. Está lá, só esperando para ser usada. Agora Agatha olha para Marcelo como o fazendeiro olha o porco para o abate. Em um impulso joga Marcelo no chão-Como está pesado!-. De novo olha para aquele objeto pontiagudo. Chegou a hora de cortar a carne. ... - Onde Agatha vai jogar o lixo?- Pergunta Juca. - No mesmo buraco em que iremos colocar a piscina, foi por isso que te disse para cavar bem fundo, certo? - Certo! - Agora me ajude pois este saco de lixo está bem pesado.​ - Tia flora não goste que jogue o lixo perto das plantas. - Ela não vai saber Juquinha... È um segredinho só nosso, entendeu? Ninguém vai saber do que está acontecendo aqui. - Isso! Isso- Juca ri grotescamente, sempre friccionando as duas mãos, - Agora é só jogar mais terra e está pronto. Agatha vai ate a cozinha, tem um celular tocando, é o de Marcelo. Ela não atende, apenas lê a mensagem de Pedro: ‘’Marcelo, tem algo que preciso contar sobre a Agatha. Você pode me retornar?’’ ... Bia está agitada correndo de um lado para o outro: - Alguém viu a Agatha? Alguém viu o Marcelo? Gente, a festa vai começar... Não, por favor...Coloque a mesa mais para a direita... Meu Deus ele não atende o celular.., Estou desesperada... Estão todos aqui só falta eles dois... - Calma, Bia. Uma hora ele aparece até parece que não conhece o Marcelo e suas escapadas. - Marli, fique quieta por favor! Deve ter acontecido algo grave para que ele não esteja aqui. Marli dá de ombros. Bia pega o celular novamente, faz novas ligações. Nada do Marcelo. Bia avista Agatha vindo: - Meu Deus! Até que enfim! Agora só falta um. Venha querida! A festa já começou. Onde estava? - Desculpe, tive que resolver umas coisas lá em casa... - Não importa. Começaremos sem Marcelo mesmo. Eu tenho contar algo importante a todos... Bia pega uma taça de cristal, que está em cima da mesa, e toca levemente com o talher. A música para. - Senhores, tenho algo a lhes dizer. Primeiramente gostaria de agradecer a presença de todos que estão aqui. Vocês foram muito importantes neste ano para o escritório. O nosso sucesso eu dedico a todos vocês. O que eu tenho a esperar para o próximo ano : que nos mantenhamos cada vez mais unidos. E quero agradecer especialmente a você , Agatha, pela sua dedicação e comprometimento com o trabalho, você foi o meu braço direito nesse ano. - Ui ganhou dedicatória- Diz Clarice batendo levemente nos braços de Agatha. - Tenho mais uma coisa a dizer a vocês... Senhores... Estou grávida... Eu e o Marcelo teremos um filho! Aplausos, aplausos, aplausos. Agatha sorri. ... Debaixo da pia tem um olho, tem um olho debaixo da pia. O Olho se fecha.
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