-A armadilha:

1515 Palavras
A conversa entre os dois seguiu um ritmo agradável e depois de um tempo conversando, os anjos ao seu redor foram se distraindo, afinal a comida estava realmente deliciosa e Maria fazia questão de distrai-los para que Gabriel pudesse ter uma noite igualmente agradável, ela realmente é uma boa amiga... Gabriel:- Nossa, esse apresuntado está muito bom... Hum. Olivier: -Que bom que está gostando do jantar, sabia que esse lugar ia te agradar afinal... Gabriel:- A comida da Maria é realmente deliciosa, quando a filhinha deles nascer com certeza ela vai ser uma criança bem feliz, afinal, ambos seus pais cozinham tão bem que é difícil não ser feliz. Olivier eu realmente gostei muito e você ter escolhido esse lugar, já fazia algum tempo que eu não relaxava e de vez em quando é bom se distrair. Olivier:- Tem razão, falando em relaxar você não fazia isso na Terra? Gabriel: - Não, estava sempre ocupado trabalhando, por quê? Olivier: - Tem que se lembrar de que até anjos precisam tirar uma folguinha sabia, o que vai fazer se um dia acabar chegando no seu limite e não tiver mais para onde correr? Gabriel: Tenho certeza que se um dia isso acontecer meus amigos ficarão ao meu lado e darão um jeito de me ajudar e por isso eu não me preocupo pois tenho plena confiança em meus amigos, eles são anjos maravilhosos e mesmo que as vezes nos desentendemos sempre voltamos atrás e acho que é por isso que somos amigos. (d***a esse cara não para de sorrir não importa o que eu pergunte, ouvi dizer que ele estava triste e fraco por não poder descer a Terra, mas não é isso que estou vendo, ele continua brilhando, isso está me irritando não sei por quanto tempo conseguirei fingir essa farsa). Olivier apertava forte suas mãos se segurando para não dar um soco em Gabriel que nem havia notado as intenções de seu companheiro, ele era do tipo de pessoa séria e isolada de poucos amigos e confiança, muitos dos anjos o evitavam pelo motivo de nunca saberem realmente o que ele estava pensando, acho que é isso o que torna Olivier uma pessoa tão misteriosa. Sua aparência, diria eu merece uma nota sete, ele tem cabelos pretos esverdeados e usa óculos, seu rosto é cumprido e ele tem uma pinta ao lado da boca, possui um bom porte físico e uma voz mansa, até a aparência dele é duvidosa, não acredito que o Gabriel tenha aceitado jantar com esse estranho, só pra deixar claro Celeste eu não confio nem um pouco nele e acho que o Gabriel está sendo muito inocente confiando tanto assim em uma pessoa... Desculpa se me despercebi um pouco da história, mas eu precisava te contar, eu não suportaria ficar calado, na verdade eu não consegui ficar calado, pois é tão fácil conversar com você, sinto como se pudesse contar qualquer coisa. Olivier: - Gabriel não tem vontade de descer a Terra de novo? Acho que aquelas pobres pessoas precisam de você, não tem pena delas? Disse em um tom mais sério, do nada seu suave sorriso se cessou. Gabriel: - Eu tenho muita vontade de voltar para lá, mas não devo, estamos proibidos afinal, e eu nunca ousaria quebrar uma regra de meu Senhor. Olivier: - Mesmo que estejam sofrendo? Mesmo que enquanto você está aqui comendo confortavelmente a pessoas passando fome? Clamando por ajuda, eles estão clamando seu nome Gabriel, por que não os ouve? Gabriel: - Eu não posso, sabe da proibição e para não nos atormentar Deus cortou nossa ligação com as vozes terrenas, sabe disso, então por que ainda me pergunta? Não é como se fosse minha culpa. Olivier: - Acha mesmo que eu acredito em você? Francamente Gabriel você é um arcanjo e deveria agir como tal, um anjo que ignora as vozes daqueles necessitados não é um anjo de verdade. Você realmente não pode ouvi-los? Pois eu consigo ouvi-los perfeitamente, ou será que é você que não quer ouvi-los? (Acho que consegui pisar em uma ferida, a cara que ele está fazendo é ótima). Olivier: -Venha comigo, se não acredita nas minhas palavras quero que as veja com seus olhos e escute com seus ouvidos, só assim tenho certeza que conseguirá ver a verdade. Mas entenderei se preferir ficar e terminar esse prato apresuntado, às vezes ignorar a dor é a maneira mais fácil de para de senti-la. Ao lançar suas venenosas palavras Olivier sai como se nada tivesse acontecido deixando o pobre do Gabriel desesperado, será que ele deveria confiar nas palavras de Olivier, mais se ele estiver certo? Gabriel então movido pela duvida se levanta de sua mesa e decide segui-lo, porém só consegue alcança-lo após já estarem afastados do restaurante. Gabriel: - Então, o que queria me mostrar? E para onde está me levando? Olivier: - Onde mais? Para a orla, onde mais poderia ir a Terra? Gabriel: - A orla? Mas fomos proibidos e meu irmão Raphael está a vigiando essa noite, mesmo que você esteja certo não conseguirá passar por ele! Olivier:- Para um arcanjo você é muito medroso, nem parece gostar tanto assim daqueles humanos já que não se arrisca por eles. Gabriel: - Não fale blasfêmias em meu nome! Gabriel irritado com a fala de Olivier se dirige em sua frente com um olhar impiedoso. Olivier: - Não adianta lutar contra você, um arcanjo, porém descobrirá que eu estou certo, e como disse para isso terá que ver com seus próprios olhos e escutar você mesmo. Olivier tomou a frente com um sorriso macabro em seu rosto e assim continuou guiando Gabriel até a orla, ao chegar em sua proximidades Olivier sussurra algo em seus ouvidos e vai para a frente de Raphael que a guardava. (Não tenho escolhas a não ser fazer o que ele me disse, então para ver a verdade eu preciso me aproximar da orla). Pensou Gabriel nervoso, pois era a primeira vez que ousava desobedecer às ordens do Senhor, e essa desobediência poderia acarretar em consequências horríveis. Olivier: - Boa noite Raphael, não está cansado de ficar tanto tempo ai parado? Raphael- Tudo para cumprir as ordens do Senhor, e não, não estou cansado de ficar aqui, é até reconfortante, passo ficar aqui assistindo os humanos descansarem e orar por eles então não me sinto nem um pouco cansado ou ao menos entediado. Olivier:- Entendo, mas mesmo assim deve ser solitário e difícil. Raphael: - Por quê? Eu realmente não vejo dificuldade nenhuma nisso. Olivier:- Mas você não tem ninguém para conversar, tem que ficar ai sentado olhando esses humanos. Se eu fosse você eu estaria bem cansado e também pediria para o Senhor me trocar de profissão. Raphael:- Verdade, mas que pena, mas muito se engana se estou sozinho na verdade a muita gente que conversa comigo durante a noite, meu irmãozinho Gabriel também está quase sempre aqui, e hoje recebo sua presença. Raphael era um arcanjo esperto, tinha uma personalidade calma, e sincera, possuía longos cabelos prateados e olhos azuis, suas asas eram bem compridas e suas roupas bordadas com dourado. Olivier realmente estava tendo dificuldades para enrolar alguém assim tão inteligente, porém já havia sido o suficiente para Gabriel se aproximar da Orla. (Eu só tenho que encostar nela, assim de acordo com Olivier poderei escuta-los). Gabriel estica sua mão em direção ao grande portal, quando Raphael o vê o que p faz levar um grande susto. Raphael: -Gabriel o que pretende fazer ai! Sabe muito bem que fomos proibidos de descer para terra ainda mais durante a noite, estou decepcionado com você agora dessa! Gabriel fez uma cara de susto para seu irmão, porém não recuou, ele estava determinado e quando ele decidia algo ele não parava até der tudo certo. Gabriel:- irmão eu sei que posso estar pecando, mas eu tenho que vê-los não posso mais aguentar ficar mais um minuto sem ouvi-los e se eles estiverem me clamando o que eu faço simplesmente os ignoro? Isso não é o trabalho de anjos, nosso dever é ajudá-los não importa o quê. Raphael: - Eu não sei quem colocou essas ideias na sua cabeça, mas isso não é certo Gabriel, por sermos anjos é que temos que dar o exemplo, se não conseguirmos seguir regras diretas de Deus como poderemos nos capacitar para ajudar e corrigir os erros alheios? Olivier havia já abandonado seu amigo deixando que a culpa caísse toda em cima de Gabriel, que muito inocente e desesperado para ajudar acabou acreditando no que aquele bastardo disse, Raphael também estava com suas suspeitas e querendo ou não Gabriel era seu irmão, e como arcanjo também era seu dever fazê-lo desistir. Eu não havia te dito Celeste que aquele tal de Olivier não era confiável! Ele não passa de um mentiroso, ai, mas se e pudesse dizer isso ao Gabriel, que pena que não posso, pois sou um narrador, além de ser Kafiel o anjo guardador dos conhecimentos divinos e contador das histórias igualmente divinas, não sou eu quem decide o que acontece ou não acontece, mas sim o que já aconteceu, e em alguns casos o que pode acontecer, isso varia muito das circunstâncias e de meu poder, mais deixaremos para falar disso em outra ocasião, mas não precisa fazer essa carinha de curiosidade, quando chegar o momento certo você saberá, nem todos vão saber.
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