É a primeira vez que posso dizer que uma semana aqui passou em um piscar de olhos. Já é sexta-feira novamente.
Essa semana foi bem produtiva, todos os dias após chegar das aulas eu sento com o Baekhyun e conversamos um pouco, eu conto algo do meu passado e ele do seu. Ele me prometeu parar de beber. Ele ainda não me contou nada que fosse muito específico, mas fico feliz de estar se abrindo aos poucos.
Eu contei sobre como foi ter uma infância com pais ausentes, sobre minha única irmã estar morando no Canadá há cinco anos, como nós éramos unidos na infância e sobre os planos que tinha com meus amigos de morarmos todos juntos na época de faculdade – que teria acontecido se eu não tivesse vindo para cá.
Ele me contou sobre ter crescido em um orfanato, ter um irmão que para ele é a coisa mais preciosa do mundo e que infelizmente não fala com ele há um ano, que trabalhou muito fazendo algo que não era bom – ele não quis me dizer o que ainda – e foi assim que conseguiu o dinheiro para vir para outro país começar seu sonho. E nisso tudo nosso sonho também se junta de alguma forma, ele ia morar com seu irmão e amigos assim que acabasse a faculdade, mas infelizmente por ter perdido o contato ele não sabe mais e será possível.
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— Baek? – chamei assim que cheguei ao quarto.
— Tô no banho Channie. Já estou indo.
Desde aquela sexta-feira nossa relação está muito melhor, e agora eu tenho certeza, eu tenho muito ciúmes do pequeno. Mas não porque sou afim dele – eu não posso ser afim dele —, mas porque tenho medo que ele simplesmente quebre se algo r**m acontecer. Eu tenho algo como um instinto de proteção, querendo ou não ele é o meu neném.
Baek apareceu apenas de boxer no quarto procurando algo pra vestir.
Eu posso estar meloso e tudo mais, mas eu ainda não esqueci os pensamentos pervertidos que passam na minha cabeça. Ah, se ele soubesse... ele não andaria assim.
— O que quer falar Channie? — perguntou enquanto procurava a roupa, empinando aquela bundinha linda sempre que se abaixava.
— Hum?
— O assunto do dia! O que quer falar? – ele falou sorrindo, vindo em direção a mim, ele estava vestindo apenas uma blusa minha, que cobria só parte das suas coxas. Eu já falei que as coxas dele são enormes? Isso não pode ser real, ele está implorando para que eu o morda todinho.
— Acho que você vai ter que se vestir pequeno, hoje vai ser um pouco diferente. O Sehun deu a ideia de trazer umas cervejas e a gente ficar fazendo uns jogos, já que não temos nada pra estudar para essa semana, resolvi aceitar. Ele disse que vai trazer um amigo, mas eu não acredito muito nas amizades do Sehun. – falei rindo.
— Você é amigo do Sehun, o que quer dizer com isso?
— Ahn? E-eu sou diferente. Eu vou tomar um banho rápido, se veste. Daqui a pouco eles estão aqui. – antes de entrar no banheiro lembrei-me de dizer — Ah, ele provavelmente vai trazer bebida mesmo, e nós não vemos beber pelo seu acordo, ok?
— Por que você não vai beber também?
— Não vou deixar você sozinho nessa. – dei-lhe um sorriso e fui para o banheiro.
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Não demorou muito para que eles chegassem, eu só não esperava que o “amigo” do Sehun fosse o Luhan.
O que eu perdi nessa semana?
Eles entraram no quarto – Luhan fazendo bagunça como sempre – e foram se sentar na cama – Luhan sentado no colo do Sehun – é eu perdi alguma coisa com certeza.
Eles conversavam animadamente enquanto eu arrumava – jogava no armário — algumas coisas — roupas do Baek — estavam muito bagunçadas, para que a gente pudesse fazer algumas coisa.
— Vocês estão namorando? – perguntou o Baek.
— Não! – responderam em uníssimo.
— Hum! A gente já vai descobrir tudo que vocês andam escondendo – deu um sorriso de canto. – vamos jogar o jogo da verdade. E Luhan, pelo amor de Deus, para de rebolar no colo do Sehun achando que ninguém tá vendo. – suas bochechas tomaram uma coloração extremamente vermelha, achei que isso nunca fosse acontecer.
— Ah Channie, não fica com ciúme, eu topo um forsome. – era óbvio que ele não ia me deixar sair vencedor dessa.
— Ei, não me inclua nessas coisas de vocês não. – disse Baek rindo.
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Fizemos uma roda entre as camas colocando uma garrafa no meio e começamos a girar.
Nas primeiras vezes veio perguntas idiotas como “com quantos anos perdeu a virgindade”, “se já tinha sido o passivo alguma vez” – o que eu fui o único a responder não – “se já tínhamos falsificado documentos para ir numa boate”, coisas leves, só brincadeira entre amigos que não tem nada pra fazer, e rir bastante. Até que a garrafa parou em mim e no Luhan, ele me olhou como se fosse me fazer pagar pelo o que disse antes.
— Então Yeollie, já “dormiu” com alguém que está nesse quarto? — fez aspas com os dedos.
Eu sabia que ele ia me ferrar, mas não tanto.
—... S-sim... – ele me olhou com um sorriso extremamente malicioso.
— Então você e o Baek, já...
— N-não.
Tá, talvez eu tenha omitido uma pequena parte sobre como descobri a sexualidade do Sehun, a gente estava muito bêbedo. Eu só lembro-me dele dizer algo como “mete com vontade” e depois acordar nu ao lado dele, mas acho que já é prova o suficiente.
Luhan e Baekhyun me olharam com os olhos extremamente arregalados, seria cômico se não fosse trágico.
— Se você não transou com Baek, não transou comigo... Sehun? — falou surpreso.
— Foi só uma vez, eu juro. A gente tava bêbedo demais, nem me lembro de nada.
— Eu me lembro de que ele ia lento demais. – Sehun falou com a cara de porta habitual dele. Foi a minha vez de olhar espantado para ele. Ele não percebe que o Luhan está morrendo de ciúmes?
— Você é diferente, né Channie? – Baek me olhou sarcástico, apesar desse jeito de falar, eu percebi que fiz merda. Como eu quero que ele confie em mim se já comecei mentindo para ele?
Ótimo, se o Luhan queria acabar com a noite ele realmente conseguiu. Logo depois dessa pergunta eles foram embora e eu e Baek ficamos num clima um pouco estranho.
••• •••
— Ahn... Baek, me desculpe! Eu –
— Você não me deve explicação de nada, Channie. — falou um tanto triste.
— Eu sei que não temos nada, mas para mim é diferente. Essa é a única coisa que escondi de você, mas eu não quero mais fazer isso, eu quero que confie em mim, que queira se abrir comigo. Eu tenho que ser completamente sincero quanto a tudo também. E o Sehun... Eu nem lembro o porquê transamos, mas eu lembro naquela noite eu bebi muito e fiquei reclamando da vida, eu queria tirar alguém que... – suspirei... Talvez essa seja a hora de admitir.
— Alguém quê? – indagou.
— Alguém que eu estava... estou gostando da cabeça. Eu acho que da minha forma i****a eu queria ter certeza. — mordi o lábio inferior esperando sua reação, e não sei se ela foi boa ou r**m.
— Ah. – ele olhava os próprios pés como se fosse à coisa mais interessante da terra, seu olhar novamente parecia desapontado, o que meu deu coragem para continuar.
Estávamos em extremidades diferentes do quarto, mas ao mesmo tempo um de frente para o outro. Fui aos poucos quebrando a distância, meu coração tentando sair do peito e chegar primeiro a ele.
Quando nossos rostos estavam próximos, levantei sua cabeça para que olhasse para mim.
— Pequeno... quem eu estou gostando é você!
Seus olhos se arregalaram, por um tempo nós dois não tivemos reação alguma, até que eu usei toda a coragem que ainda restava em mim. Era esse o momento.
Findei a distância que tinha entre nossos corpos e o beijei, um beijo doce e calmo, sem segundas intenções, somente o prazer de sentir seus lábios junto aos meus.
Nossas línguas se entrelaçavam com calma, conhecendo aos poucos um ao outro. Senti suas mãos em minha nuca e minhas semelhantes foram para sua cintura.
Por um momento pensei que jamais precisaríamos nos separar, mas o ar se fez necessário. Nossas testas permaneciam coladas, nossos olhos fechados, a sensação do beijo ainda viva em meus lábios.
— Channie...