Fatima narrando Eu estava sentada no canto da sala, com uma xícara de café já frio nas mãos e o olhar perdido no vazio. A madrugada ainda parecia viva dentro de mim. A fumaça dos tiros, os gritos ao longe, um estalo seco das rajadas... tudo ecoava em minha mente como um pesadelo que insistia em não passar. — A noite foi de agonia, murmuro para mim mesma, quase sem voz. Pensar que meus filhos... e até o Curinga... estavam no meio daquele fogo cruzado... Meus olhos se encheram d’água. O meu peito aperta, como se o meu coração ainda estivesse tentando voltar ao ritmo certo. Mas o que mais mexia com comigo não era só o medo da perda. Era ele. Assim que o rapaz entro pela porta da sala, eu senti as minhas pernas falharem. Era como ver um fantasma. O rosto, o jeito sério, até o modo de cr

