Capítulo 3

1483 Palavras
POV Danila Eu olho para o contrato à minha frente. Meu nome ainda não está assinado, e a caneta repousa sobre a mesa como se esperasse que eu tomasse uma decisão. Mas a verdade é que ainda não sei o que fazer. Voltar a interpretar Dimitri Belikov depois de tanto tempo é uma proposta que eu nunca esperei receber. Não porque não gosto do personagem—pelo contrário. Ele foi um dos papéis mais desafiadores e marcantes da minha carreira. Mas Academia de Vampiros ficou no passado, enterrado junto com a tentativa frustrada de adaptação. E, agora, essa mulher surge do nada, determinada a trazer a saga de volta. Ariana. Desde que ela me apresentou sua proposta, não consigo tirá-la da cabeça. Não apenas pela ideia em si, mas por ela. Pela maneira como fala sobre o projeto com uma paixão quase contagiante, como se estivesse disposta a mover montanhas para provar que essa história merece uma segunda chance. Ela realmente acredita nisso. E isso me intriga. Me recosto na cadeira, passando a mão pelo rosto. Ainda não estou convencido. O mercado mudou, e trazer Academia de Vampiros de volta agora pode ser um risco enorme. Mas, ao mesmo tempo, não consigo ignorar essa curiosidade que começou a crescer dentro de mim. Quem é Ariana, afinal? Por que ela se importa tanto com essa história? Eu pego meu telefone e olho a última mensagem dela, esperando uma resposta. Nenhuma palavra formal, nenhuma insistência desesperada. Apenas um simples "Se quiser conversar mais, estou disponível." Ela não está tentando me convencer à força. E, talvez, seja exatamente isso que me faz querer saber mais. Tomo uma decisão antes que possa me arrepender. Disco o número dela. O telefone toca algumas vezes antes de ela atender. — Danila? — Sua voz carrega um tom de surpresa, como se não esperasse que eu ligasse. — Ariana. — Pauso por um segundo, organizando as palavras na minha mente. — Eu ainda não tomei uma decisão sobre o filme. Mas quero conversar mais. — Ah… claro. — Ela hesita por um momento antes de continuar. — O que você quer saber? — Sobre você. Silêncio. Posso imaginar a expressão surpresa dela do outro lado da linha. — Sobre mim? — Sim. Você já me disse por que acha que Academia de Vampiros merece uma nova chance. Mas eu quero saber o que isso significa para você. Por que está disposta a investir tanto nesse projeto? Ela fica quieta por um instante, e eu quase acho que ela vai recusar. Mas então sua voz volta, mais firme desta vez. — Tudo bem. Podemos nos encontrar para conversar. Um leve sorriso surge no canto dos meus lábios. — Amanhã à noite? — Fechado. Assim que desligo, solto um suspiro e encaro o contrato novamente. Ainda não sei se vou aceitar, mas agora, há algo mais me puxando para essa história. Ariana. E eu preciso descobrir por quê. ... O restaurante é elegante, discreto, o tipo de lugar onde pessoas importantes fazem negócios longe dos olhares curiosos. Não foi uma escolha aleatória. Se eu realmente for considerar essa proposta, preciso saber com quem estou lidando, e um jantar formal parece a melhor oportunidade para isso. Ariana ainda não chegou. Estou sentado em uma mesa reservada no canto do salão, observando o movimento enquanto bebo um gole de vinho. Não sei por que estou tão atento à porta, como se estivesse mais ansioso do que deveria. E então, ela entra. Vestida com elegância, mas sem exagero. Um equilíbrio entre sofisticação e naturalidade. Ela se move com confiança, os olhos varrendo o ambiente até encontrar os meus. Por um instante, percebo algo curioso—ela hesita antes de vir até mim. Mas logo recompõe a expressão e caminha na minha direção. — Boa noite. — Ariana sorri, sua voz calma, mas carregada de expectativa. — Boa noite. — Me levanto ligeiramente em respeito antes de indicar a cadeira à sua frente. — Espero que não tenha sido um incômodo aceitar esse jantar. — Nem um pouco. — Ela senta e ajeita o guardanapo no colo, me observando com um olhar curioso. — Mas admito que estou surpresa. Você pareceu tão relutante antes… O que te fez querer esse encontro? Me recosto na cadeira, deixando um leve sorriso surgir. — Curiosidade. Ela arqueia uma sobrancelha. — Sobre o quê? — Você. O garçom se aproxima para anotar nossos pedidos, e Ariana desvia o olhar por um momento, concentrando-se no cardápio. Quando ele se afasta, ela solta um suspiro leve. — Achei que esse jantar fosse sobre Academia de Vampiros. — De certa forma, é. Mas antes de decidir qualquer coisa, quero entender por que você está tão investida nisso. — Tomo mais um gole do meu vinho antes de continuar. — Não é só uma questão de dinheiro, certo? Ela brinca com a haste da taça, pensativa. — Claro que não. Se fosse só isso, eu teria investido em qualquer outro projeto mais seguro. — Então por quê? Ela levanta os olhos para mim, e pela primeira vez, vejo algo além da empresária determinada que conheci antes. Há algo pessoal ali. Algo que ela não está acostumada a compartilhar. — Porque Academia de Vampiros significa muito para mim. — Sua voz é mais baixa agora, quase como uma confissão. — Quando eu era mais nova, essa história me marcou de um jeito que poucas outras conseguiram. Me ensinou sobre força, lealdade, sacrifício… E Dimitri Belikov sempre foi uma das razões para isso. Um pequeno sorriso escapa antes que eu possa evitar. — Então você era fã? Ela ri, balançando a cabeça. — Fã é um eufemismo. Eu era obcecada. Seu tom é brincalhão, mas seus olhos têm um brilho verdadeiro. Ela está sendo honesta, sem jogadas de marketing ou discursos ensaiados. — Isso explica por que quer tanto esse projeto. Mas por que eu? Ariana me encara por um instante, como se a resposta fosse óbvia. — Porque você é o Dimitri. Fico em silêncio, surpreso com a convicção em sua voz. — A adaptação original pode não ter sido o sucesso que esperávamos, mas sua interpretação… Isso nunca foi o problema. Você trouxe Dimitri à vida de um jeito que ninguém mais conseguiria. Ela se inclina levemente para frente, os olhos fixos nos meus. — Se eu vou fazer esse filme, quero que seja da maneira certa. E isso significa você no papel. Por algum motivo, as palavras dela me atingem mais do que eu esperava. Antes que eu possa responder, o garçom retorna com os pratos, e a conversa pausa por um momento. Mas algo mudou. A barreira entre nós ficou um pouco menor. E agora, mais do que nunca, eu quero saber até onde essa história pode nos levar. ... O jantar segue em um ritmo tranquilo, mas minha atenção está completamente focada em Ariana. Desde que ela disse que me quer no papel de Dimitri, algo dentro de mim despertou. Não apenas pela proposta do filme, mas pela maneira como ela fala sobre tudo isso. Há um brilho nos olhos dela que é difícil de ignorar. E então, sem que eu precise perguntar, ela continua. — Eu lembro da primeira vez que te vi como Dimitri. Meus olhos se estreitam levemente, curioso. — No filme de 2014? Ela assente, brincando com a borda da taça de vinho. — Eu já era fã dos livros, então quando anunciaram a adaptação, eu fiquei… receosa. — Ela ri de leve. — Mas aí você apareceu na tela. Eu cruzo os braços sobre a mesa, interessado no que ela tem a dizer. — E? Ariana solta um suspiro, como se estivesse prestes a admitir um segredo. — E eu me apaixonei. Minha expressão muda sutilmente. Não esperava essa resposta. — Se apaixonou? Ela desvia o olhar por um instante, como se estivesse pensando se deveria mesmo continuar. Mas então, seus olhos encontram os meus novamente. — Sim. Não só por Dimitri, mas por você. Pela forma como você deu vida a ele. Pela intensidade nos seus olhos, pela maneira como você fazia cada cena parecer real. Eu… senti. Fico em silêncio por um momento, absorvendo suas palavras. Não é incomum ouvir fãs falarem sobre o impacto do personagem, mas a forma como Ariana diz isso… não é como uma fã qualquer. Há algo mais profundo, mais pessoal. — Isso é… inesperado. Ela ri, balançando a cabeça. — Eu sei. Mas não estou dizendo isso para te convencer a aceitar o papel. Você perguntou por que Academia de Vampiros significa tanto para mim, e essa é parte da resposta. Você foi parte disso. Eu encaro Ariana por um instante, percebendo que essa mulher à minha frente não é apenas uma produtora tentando trazer um filme à vida. Ela realmente vive essa história. E, de alguma forma, agora eu também estou envolvido nisso.
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