Intuição 4

1818 Palavras
              Raquel sente sua respiração acelerada, o copo com o uísque já está na sua mão novamente. Só aquilo para acalmá-la. Agora observando a secretária do lado de fora mexendo em seu celular, ela sabe que foi uma filha da p**a, mas a verdade é que não liga, claro que tem consciência que errou, mas a mulher não consegue sentir nada. Raquel coloca o copo em cima da mesa, suspira e pega sua bolsa, logo saindo da sala pela primeira vez depois de quatro horas ali. - Estou indo para casa, Elis, desmarque todos os meus compromissos da tarde e de amanhã, qualquer coisa estou no celular. - Sim... sim senhora.             Sem olhar para trás, evitando encarar os olhos tristes da mulher, Raquel continua seu caminho até o elevador. Ela queria poder se jogar daquele prédio, acabar com aquela vida desgraçada em que se transformou sua existência, mas a quem ela quer enganar? É covarde até nesse ponto. Chega ao estacionamento e desliga o alarme do carro de luxo, logo entra e respira fundo ao apertar o volante com força. Fecha os olhos, deixando que suas lágrimas desçam por seu rosto. Ela realmente um dia acreditou que superaria aquela separação, aquela perda, aquela sensação de solidão da qual se transformou toda a sua vida, mas depois de cinco anos nada mudou, na verdade só piora, porque agora ela visualiza uma vida sem felicidades, sem emoções e com certeza sozinha. Recompõe-se e logo está dirigindo pelas ruas de Fortaleza de volta para sua casa, a casa que passou a odiar com toda força, mas sua covardia vai muito além, pois apesar de sentir um remorso grande por sua mãe, ela não consegue deixá-la sozinha, afinal, bom ou r**m, elas são a única família uma da outra. Mas como a desgraça é pouca para ela, quando chega à mansão é recebida pelo sorriso da mãe junto com outra mulher. - Querida, que bom que chegou, olha quem veio nos visitar, até convidei para almoçar.             Maria levanta, indo até sua filha, evitando que Raquel fale qualquer besteira. Então a puxa para perto da outra mulher. - Olá, Raquel. - Olá, Emily.             As duas se cumprimentam com um beijo nas bochechas. Emily Monte Rei é filha do atual prefeito de Fortaleza, sua família tem um nome muito importante na política, além de uma das construtoras mais famosas do país, como muitos outros, o nome de alguns membros da família Monte Rei já foi citado em lava jato e outros crimes políticos, o que repudia ainda mais à Raquel. Apesar de Emily se colocar contra tudo isso, a n***a acha impossível a mulher não saber de todas essas falcatruas, ainda mais sendo a presidente da construtora. Ela tem trinta anos, loira, olhos azuis, com certeza muito bonita, mas uma beleza que não atrai tanto à Raquel, ela não sente tanto desejo por loiras, já teve algumas em sua cama, mas com certeza são as morenas e negras que lhe chamam atenção, uma em especial de cabelos castanhos, olhos cor de chocolate e um corpo que a fazia delirar. Raquel balança a cabeça para evitar pensar no amor da sua vida. - Vim apenas para confirmar nosso jantar, mas sua mãe está me obrigando a ficar para almoçar também. - Claro que está, mas fique à vontade, estou subindo para tomar um banho. - Que isso, Raquel, que falta de educação. – Maria se intromete na conversa das duas. - Não se preocupe, senhora Aguiar. Entendo como é chegar do trabalho e pensar apenas em um banho e descanso. Emily sorri para a n***a ao falar, ela quer aquela mulher para chamar de sua. - Obrigada e desculpa, Emily, mas estou mesmo cansada. - Não tem problemas, conversamos melhor a noite. - Sim, claro. Até a noite.             Raquel de despede da loira de novo e se encaminha para seu quarto. Ao chegar não tarda em tirar toda a sua roupa e correr para o banheiro, precisa daquela ducha urgentemente. Seu corpo relaxa ao sentir a água caindo, fria, precisa resfriar tudo nela. Depois de meia hora ela desliga o chuveiro e sai, pegando a toalha e se enrolando na mesma. Vai até seu closet e tira uma roupa simples, vestindo a camisa mais folgada que encontrou e essa consistia em uma do time de futebol Ceará que pertencia à sua ex mulher. Marissol sempre gostou de futebol, ia ao estádio, torcia, gritava, chorava com a derrota do time, aquela simples lembrança faz Raquel sentar na cama e puxar a camisa até seu nariz, sentindo o perfume da mulher, porque ela fez questão de comprar o mesmo perfume que a morena usava para poder dormir com o cheiro da amada todas as noites. Loucura? Pode ser, mas isso é uma das poucas coisas que ela pode fazer para se sentir bem, dormir melhor, superar sem chegar ao seu limite e cometer qualquer pecado. Raquel deita na cama e puxa o travesseiro, uma deplorável cena para uma mulher como ela, mas esse é o resultado de um coração quebrado, de uma mulher que deixou o amor escapar por seus dedos fracos e covardes. - Onde você se meteu, Marissol, como pode ter sumido desse jeito?             Com esse pensamento e essa dúvida a n***a acaba dormindo, aproveitando nos sonhos a sensação de ter a mulher que ama mais uma vez em seus braços, pois isso ninguém pode tirar dela.   ..........***..........               O jantar acontecia normalmente, Maria conversa animadamente com a senhora Monte Rei, na verdade ela fala de todas as qualidades de Raquel, essa que revira os olhos a cada vez que seu nome é citado, porém um assunto em questão fez a n***a mais nova ter toda a atenção nos visitantes. - Mas o que aconteceu com sua ex mulher? Quer dizer, todos no Brasil souberam desse casamento épico. Afinal era a filha do governador do Ceará com uma garçonete.             O senhor Monte Rei diz, chamando toda atenção das pessoas sentadas à mesa, inclusive do empregado da casa que está parado ao lado. - Como disse? – Raquel pergunta, surpresa com o que escutou. - Sua ex mulher... – O homem repete.             Raquel encara o senhor Monte Rei, depois sua esposa e filha e por fim sua mãe, que reza para que ela não estrague a noite, mas é exatamente isso que a n***a pensa em fazer. Por esse motivo ela levanta, espalma as mãos na mesa e encara o homem. Ele entende que perguntou o que não devia, sente que acabou de ferrar com as chances de sua filha conseguir o que quer, casar com aquela mulher, mas como poderia imaginar? - O jantar acabou para mim. - Mas... - Maria tenta falar, porém ao olhar para a filha entende que o melhor é se manter quieta. - Tenham uma boa noite.             Assim ela se encaminha para a escada, corre para seu quarto, se jogando contra o colchão ao deixar as lágrimas caírem. Raquel está no seu limite, ela não consegue mais controlar os seus impulsos de querer estar com Marissol. Para Raquel Aguiar não existe mais solução. Ela é uma mulher apaixonada, ferida e com certeza arrependida pelo que fez, por não ter esperado, se tivesse apenas esperado, apenas deixado a raiva passar, talvez não estivesse passando por todo aquele sofrimento, por todo aquele momento de raiva e medo. A verdade é que Raquel deixou que tudo chegasse a aquele ponto. Agora ela só pensa em fazer uma coisa além de chorar, só pode tentar uma última vez. Prometeu que nunca desistiria, chegou a hora de ter mais um pouco de esperança em sua vida, nem que falhe miseravelmente outra vez. - Eu vou te encontrar, Marissol, eu vou te encontrar, nem que para isso eu leve até o último dia da minha vida.   ..........***..........   - Eu peço desculpas por minha filha, ela ainda se abala pela ex mulher. Marissol a deixou sem nenhuma explicação. Acredito que tenha fugido com outra mulher. Assinou o divórcio e desapareceu. Ela nunca mereceu estar nessa família, de qualquer forma, seja como for, nos fez um favor ao ir embora. A família Monte Rei entende. Agora já estão sentados no sofá, as mulheres bebem vinho e os homens uísque. - Peço desculpas se fui inconveniente. – O mais velho começa a falar. – Só acreditei que esse assunto não fosse tão emotivo para Raquel. Ela sempre demonstrou ter aceito bem a separação. - Oh, e aceitou, não se preocupe. Acho que ela está estressada pelo dia no trabalho.             O homem assente e eles passam a conversar sobre muito assuntos. O tempo passou rápido na noite, porém a atenção de todos é voltada para Raquel assim que a mulher aparece na sala, vestindo outras roupas e uma bolsa ao lado. - Para onde você vai? - Não sei, para qualquer lugar longe daqui. Raquel encara a todos e depois sai, deixando sua mãe sem graça e sem reação, aconteça o que acontecer, Maria fará sua filha arrogante pagar por tudo.   ..........***..........               Raquel dirige o mais rápido possível naquela noite de sexta. Ela quer falar com ninguém, ouvir ninguém, só deseja encontrar uma forma daquela dor sair do peito, de conseguir fazer com que tudo pare. Então, brilhando como o sol, ela ver o letreiro, aquele que lhe chamou atenção e de alguma forma a fez parar o carro em frente e entrar. Não queria acreditar que estava em um local como aquele. Virou o tipo de pessoa que lhe dá pena. Aquelas mulheres se oferecendo, mesmo que seja um lugar discreto e requintado, ainda é um clube de prostituição, mas a quem ela quer enganar? Tem que tentar algo diferente para conseguir se livrar daquela sensação dolorosa. Por isso vai ao bar e logo tem a atenção do garçom. - Quero a melhor mulher desse lugar.             O rapaz sorri e a manda sentar, logo uma mulher aparece, sorridente para Raquel. - Soube que pediu a melhor mulher do meu clube! - Sim, não importa o preço, mas a quero. - Desculpe, mas a nossa melhor não trabalha hoje, e mesmo que o fizesse, não é você que a escolhe, e sim ela que te escolhe, mas posso lhe oferecer mulheres maravilhosas. - Não preciso de muitas, apenas uma que me faça... Não importa, apenas traga uma. A mulher loira sorri e então faz um sinal para uma ruiva que está ali perto, a mulher que veste lingerie com uma peça de seda por cima se aproxima, logo fica atrás do corpo de Raquel. - Cuide da nossa nova parceira, Rebeca, tenho certeza que vão se dar bem.             Com isso Raquel é puxada pela ruiva para um quarto, não sabe como ou porque, mas algo na n***a lhe diz que aquele lugar ainda lhe trará grandes surpresas. Ela não sabe explicar, mas deseja ficar, por esse motivo segue seus instintos. A noite está só começando para ela e aquela linda ruiva. 
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